24/01/2016

Cronologia 7 semanas (7) – Neemias o governador


Retomamos o fio à meada com uma recapitulação do que se passou desde a tomada da Babilónia pelos persas até ao tempo de Ester:

Ano 3465


Tomada da Babilónia mês VII.  Fim dos 70 anos para Babilónia  Jr 25:6-11; 2Cr 36:22. Entrada triunfal de Ciro mês VIII (= Dário o medo recebe o reino Dn 5:31). Gubaru morre. Ciro constitui sátrapas e 3 presidentes incl. Daniel (Dn 6:1-3). Petição e conspiração contra Daniel. Cova dos leões. Luta oficial por Cassandane, mulher de Ciro mês XII
3466

70º
ano do cativeiro.
= Ciro ano 1 como Rei de Nações. Cambises instalado como rei de Babilónia mês I. Ciro instalado como rei dos medos por Ciaxeres II. Daniel ora e recebe profecia (Dn 9). Cambises removido mês IX/X e Ciro indigitado rei da Babilónia além de Rei de Nações. Gabriel confirma Dario o medo (Dn 11:1). Decreto de Ciro.
3467

1
Primeiro ano do regresso dos judeus a Jerusalém e início das primeiras 7 semanas (49 anos) da profecia de Daniel 9 em que “as praças e circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos”.

Os judeus regressam a Jerusalém, na primavera, sob a direção de Zorobabel (governador) e Jesua. Fazem parte do grupo: Neemias (como “tirshata”), Esdras, Mordecai. Edificação do altar. Leitura da lei e festa dos tabernáculos mês VII (Ed 3:1-7, Ne 8,9). Aliança é selada (Ne 10).
3468

2
Ciro ano 3. Segundo ano da vinda a Jerusalém. Visão Daniel 10. Começo da obra do templo mês II. Começo da oposição. Cessa a obra até ao 2º ano de Dario.
3469

3





Neste tempo em que as obras do templo pararam, Esdras e Neemias, que vieram com Zorobabel e Jesua devem ter regressado a Babilónia. Neemias porque era um oficial ao serviço do rei (Ne 1:11). Esdras era escriba e sacerdote.
3470

4
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18
3485

19
2º ano de Dario. Ageu e Zacarias começam a profetizar mês VI. Fundou-se o templo mês IX (Ag 2:10,18; Zc 8)). Mês XI visão de Zacarias 1 do homem no cavalo vermelho entre as murteiras. Zc 1:12 - até quando não terás compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais estás indignado faz já 70 anos? (refere ao início do cerco no 9º ano de Zedequias, ano 3415)
3486

20
3º ano de Dario/Assuero. Dario dá um banquete. Rainha Vasti é deposta (Es 1)
3487

21
Zc 7:1-5 - 4º ano de Dario, 4º dia, mês IX - perguntaram aos sacerdotes e aos profetas: Continuaremos nós a chorar, com jejum, no 5º mês, como temos feito por tantos anos? … Quando jejuastes e pranteastes no 5º e no 7º mês durante estes 70 anos … (refere-se à queda de Jerusalém no 11º ano de Zedequias)
3488

22
5º ano de Dario
3489

23
6º ano de Dario. Na cidadela de Susã, Ester é colocada sob os cuidados de Hegai, guarda das mulheres (Es 2:1-14). O templo é terminado no mês XII (Adar), dia 3.
3490

24
7º ano de Dario. Dedicação do templo no início do ano. Celebração da Páscoa (Ed 6:19-22). Esdras sobe a Jerusalém (chega no mês V), levando prata e ouro para ornar o templo (Ed 7-8). Esdras toma conhecimento da transgressão do povo (Ed 9-10).
Ester é levada ao rei, no 10º mês (Es 2:16) e casa com Dario. O banquete de Ester (Es 2:15-18)
3491

25
3492

26
3493

27
10º
3494

28
11º ano de Dario. Hamã é engrandecido. Mordecai recusa inclinar-se perante ele e provoca a ira de Hamã.
3495

29
Hamã lança sortes, do início ao fim do ano, para definir o dia para destruir os judeus (Es  3:7)
3496

30
Foram enviadas as cartas autorizando a matança dos judeus no dia 13 do 12º mês. Ester e Mordecai conseguem reverter a situação a favor dos judeus. Cumprimento da “batalha de Gogue e Magogue” no dia 13 do 12º mês. Vitória dos judeus e instituição da festa do Purim.
3497

31
Depois disto (quando?) Assuero impôs tributo sobre a terra (Es 10:1)
Mordecai torna-se o segundo depois do rei Assuero/Dario (Es 10:3)
3498

32
15º
3499

33
16º
3500

34
17º
3501

35
18º
3502

36
19º
3503

37
20º ano de Dario.
No mês de quisleu (IX), no ano 20º, estando eu na cidadela de Susã, veio Hanani, um de meus irmãos, com alguns de Judá; então lhes perguntei pelos judeus que escaparam, e que não foram levados para o exílio e acerca de Jerusalém. Disseram-me: os restantes, que não foram levados para o exílio e se acham lá na província, estão em grande miséria e desprezo: os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas queimadas a fogo. (Ne 1:1-3)
Pensa-se que a inscrição de Behistun, no Irão, escrita em três línguas de escrita cuneiforme, terá sido escrita por Dario no 5º ano do seu reino. A inscrição relata como Dario derrubou todos os nove pretendentes ao trono, bem como outros feitos e conquistas de Dario nos primeiros anos do seu reinado. Ao dominar sobre um grande império, tornou-se “arta-xerxes” (grande xá) do Império Persa. Isto explica a mudança de nome de Dario para Artaxerxes quando passamos dos eventos do 4º ano (Ageu, Zacarias) para o 7º ano, ano da ida de Esdras para Jerusalém.
Esdras 6:14 – Edificaram a casa e a terminaram segundo o mandado do Deus de Israel, e segundo o decreto de Ciro, de Dario, e (isto é) de Artaxerxes, rei da Pérsia. Apenas duas pessoas são nomeadas aqui.
Depois de Esdras ir a Jerusalém no 7º ano de Artaxerxes/Dario, Neemias parte no 20º ano deste rei, depois de tomar conhecimento através de Hanani da situação em que se encontrava o povo e a cidade de Jerusalém. Os que se acham na província estão em grande miséria e desprezo; os muros de Jerusalém estão derribados, e as suas portas queimadas a fogo (Ne 1:1-4). Os judeus já tinham tentado começar a reconstrução dos muros logo desde a sua chegada, como dá a entender a carta de Reum e Sinsai a Artaxerxas/Ciro ou Cambises que diz que vão restaurando os seus muros (Ed 4:12). Na sequência desta carta, os judeus tinham sido proibidos de continuar a edificar a cidade, incluindo evidentemente os muros (Ed 4:21). E a obra da casa de Deus cessou até ao segundo ano de Dario (Ed 4:24). Parece, no entanto, que continuou a haver construção em Jerusalém. Quando no segundo ano de Dario, o profeta Ageu começa a profetizar, ele acusa-os de habitarem em casas apaineladas, enquanto a casa de Deus permanecia em ruinas. No segundo ano de Dario, os judeus recomeçaram a obra do templo, sem autorização. Sabemos isto porque Tatenai, governador dalém do Eufrates, lhes foi perguntar: Quem vos deu ordem para reedificardes esta casa e restaurardes este muro? (Ed 5:3). O muro aqui refere-se provavelmente ao muro do templo e não da cidade. Do segundo ao sexto ano de Dario, todo o esforço de construção incidiu provavelmente apenas no templo. No 20º ano de Artaxerxes/Dario, 13 anos depois de terminar as obras do templo e de orná-lo com as ofertas que Edras trouxe, ainda não tinham conseguido avançar com as obras de restauro dos muros, devido à condição de grande miséria em que se achavam (Ne 1:3).
Com a autorização de Dario de construir o templo parecia ter chegado uma interrupção nos tempos angustiosos. Contudo, houve outro acontecimento que deve ter causado grande angústia entre os judeus espalhados por todo o Império persa, e naturalmente também em Judá, e que terá certamente abrandado e dificultado o trabalho de construção. No 12º ano do rei Assuero/Dario (somos de opinião que o Assuero de Ester é Dario), começou Haman a procurar destruir todos os judeus, porque Mordecai recusara-se a inclinar-se perante ele. Com a conivência do rei, Haman enviou cartas a todas as províncias para que se destruíssem, matassem e aniquilassem de vez a todos os judeus, moços e velhos, crianças e mulheres, em um só dia, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar, e que lhes saqueassem os bens (Es 3:13). Estas cartas suscitaram o ódio de todos os povos contra os judeus, preparando-se um massacre geral. Para salvar o seu povo, Ester declarou a sua descendência, o que não fizera antes por obediência a Mordecai, e pediu a vida do seu povo. O rei concedeu que os judeus de cada cidade se reunissem e se dispusessem para defender a sua vida, para destruir, matar e aniquilar qualquer força armada que viesse contra eles, no mesmo dia que tinha sido determinado por Haman para destruição dos judeus (Ester 8:10-14). Os judeus mataram 75.000 (Ester 9) e também Haman foi morto.
Mas as dificuldades não terminaram ainda. Depois destes acontecimentos, o rei Assuero/Dario impôs tributo sobre a terra e sobre as terras do mar (Es 10:1), também sobre o povo de Judá, que tomaram dinheiro emprestado até para o tributo do rei (Ne 5:4). (O tributo imposto por Assuero depois do seu 12º ano é uma prova de que Assuero é Dario, e não Xerxes, porque Dario subjugou todas as ilhas do Egeu, mas Xerxes perdeu-as todas antes do 12º ano do seu reinado.)
Realmente, a conjuntura económica e social não estava favorável aos judeus. Assim, no vigésimo ano de Artaxerxes/Dario, os muros continuavam em ruínas e as portas ainda estavam queimadas como quando foram incendiados pelas tropas de Nabucodonosor. Contudo, alguma obra estava a ser feita quando Neemias chegou a Jerusalém (Ne 2:16).
Neemias pediu ao rei, estando a rainha [Ester] assentada junto dele, que o enviasse a Jerusalém a fim de reedificar cidade. Lembremos que depois da vitória dos judeus no 13º ano do reinado de Assuero/Dario, Mordecai tornou-se uma figura importante no reino, o segundo depois do rei, e que procurava o bem-estar e prosperidade do seu povo (Es 10:3). Também a rainha Ester tinha autoridade em assuntos que diziam respeito aos judeus (Es 10:29). Por isso, certamente, o pedido de Neemias foi bem recebido pelo rei que concordou em enviá-lo.
O rei perguntou-lhe: Quanto durará a tua ausência, quando voltarás? Neemias marcou um certo prazo (Ne 2:4-6). Este prazo foi de 12 anos, porque no ano trinta e dois de Artaxerxas Neemias foi ter com ele (Ne 13:6). Observamos que o 32º ano de Artaxerxes/Dario corresponde ao 49º ano das primeiras 7 semanas da profecia de Daniel 9. O regresso de Neemias encerra este ciclo de 7 semanas.
Mas há um problema a resolver, que é o seguinte. Diz Neemias 6:15 que o muro se acabou no dia 25 do mês de Elul, que é o 6º mês (mas não diz em que ano), em 52 dias.
A maioria dos comentários deduz que os muros foram reedificados em 52 dias, e teriam portanto sido terminados no primeiro ano da chegada de Neemias a Jerusalém, isto é no 20º ano do rei Artaxerxes/Dario. Se for este o caso, a nossa hipótese cai por terra.
Porém, podemos apontar várias razões que nos levam a crer que a reedificação dos muros durou na realidade quase 12 anos, o tempo da estadia de Neemias em Jerusalém, e não apenas 52 dias como parece dar a entender Esdras 6:15.
Sabemos que Neemias foi governador (PECAH) na terra de Judá do ano 20 ao ano 32 do rei Artaxerxes (Ne 5:14).
Perante a gravidade da situação que foi comunicada por Hanani, Neemias marcara ao rei um prazo de 12 anos (Ne 2:6; 5:14; 13:6). Se pensasse que podia fazer a obra num mais curto prazo de tempo, Neemias não teria pedido ao rei 12 anos para reedificar Jerusalém.
A cidade era espaçosa e grande (Ne 7:4), mas havia pouca gente nele. Isto ainda era assim depois de os muros terem sido reedificados. Na realidade, dos judeus que voltaram à sua terra depois do exílio, só uma pequena parte se instalou em Jerusalém. Deitaram sorte para trazer um de dez que habitasse na santa cidade de Jerusalém, e as nove partes permaneciam noutras cidades, nas suas cidades de origem (Ne 11:1-). Seriam poucos os trabalhadores para fazer a reconstrução do muro, portanto, outros teriam que vir de fora da cidade e certamente fazer turnos.
Quando olhamos para a sucessão dos factos que ocorreram em Jerusalém durante o tempo de Neemias como governador (que são apresentados numa narrativa cronológica desde o começo das obras até à dedicação do muro), é difícil encaixar todos os eventos num tão curto período de 52 dias. Vejamos:
- O desagrado dos locais (Sambalate e Tobias) que alguém viesse procurar o bem dos filhos de Israel já era notório quando Neemias foi primeiro aos governadores dalém do Eufrates entregar as cartas do rei (Ne 2:9-10). Ainda nenhuma obra tinha sido iniciado e já a oposição estava no ar. Continuam os “tempos angustiosos”.
- Chegado a Jerusalém, Neemias foi inspeccionar os muros de noite. Contemplou os muros que estavam assolados, cujas portas tinham sido consumidos pelo fogo (Ne 2:13).
- Ouvindo dos planos de reedificar os muros, Sambalat e Tobias desprezaram os judeus (Ne 2:19-20).
- Encorajados por Neemias, o povo dispôs-se a edificar (Ne 3). O capítulo3 de Neemias descreve quem faz o quê sobre toda a extensão do muro.
O bom senso diz que é improvável, senão impossível, que em 52 dias se levante uma obra destas dimensões, estando escrito que os muros de Jerusalém estavam derrubados e as portas queimadas a fogo e perante a dimensão do muro.
Embora os arqueólogos não estejam de acordo sobre a dimensão do muro, o texto bíblico mostra que tem 11 portas, 10 mencionadas em Ne 3 (porta das ovelhas, porta do peixe, porta velha, porta do vale, porta do monturo, porta da fonte, porta das águas, porta dos cavalos, porta oriental e porta da guarda) e 1 mencionada em Ne 12:39, mais quatro torres. Trata-se, portanto, de uma cidade grande. Cidades mais pequenas tinham geralmente só uma porta, para maior segurança e facilidade de defesa.
Tantas portas significa que havia necessidade de muita madeira (Ne 2:8), tempo para cortar a madeira e fabricar as portas. 52 dias não são sequer dois meses …
- Tendo Sambalat ouvido que edificavam o muro, ardeu em ira e foi buscar o apoio do exército estacionado em Samaria (Ne 4:2-3).
- Apesar do desprezo mostrado pelos opositores, Neemias orou e os judeus continuaram a edificar com muito afinco e todo o muro se fechou até metade da sua altura (Ne 4:6).
- Ouvindo Sambalat e Tobias, a quem já se tinham reunido arábios, amonitas e asdoditas (Ne 4:7), que a reparação dos muros ia avante e que já se começavam a fechar-lhe as brechas, ficaram muito irados e ajuntaram-se de comum acordo para atacarem Jerusalém, suscitar confusão e atemorizar os judeus. Pensavam agir em segredo e ataca-los repentinamente, mas os judeus foram informados destes planos (Ne 4: 11-12).
- Agora os trabalhadores passaram a trabalhar armados (Ne 4:13-23)… em tempos angustiosos.
- Surge uma questão interna (Neemias 5). Havia uma fome e houve quem tivesse que hipotecar os seus bens para ter alimentos, além de ter emprestado dinheiro para pagar o tributo imposto pelo rei. Alguns aproveitaram-se da situação e exploraram estas famílias. Neemias repreendeu os nobres e magistrados e disse-lhes: sois usurários, exigindo-lhes que restituíssem terras, bens e dinheiro. A fome (Ne 5:3), as constantes ameaças, e esta questão interna terão certamente atrasado a obra.
- O muro estava edificado e nele já não havia brechas nenhumas, embora ainda não tivessem sido postas as portas nos portais, quando se deu a tentativa de Sambalat, Tobias e Gesém de matar Neemias (Ne 6:1-14).
- Finalmente acabou-se o muro no dia 25 do mês de Elul, que é o 6º mês, em 52 dias. (Ne 6:15).
Como não estavam ainda colocadas as portas, parece-me mais praticável que os 52 dias corresponda o tempo que durou a colocação das portas após o término da reconstrução do muro propriamente dito.
- Uma vez reedificado o muro e assentadas as portas, Neemias, que era o governador (Ne 8:8; 10:1), nomeou Hanani, seu irmão, e Hananias, o maioral da fortaleza, sobre Jerusalém (Ne 7:1-2). Nomear um substituto significa que Neemias estava a preparar-se para regressar a Susã, visto que a sua missão em Jerusalém terminara conforme o que tinha acordado com o rei. Isto prova também que as obras não terminaram antes do 31º ou o mais tardar o 32º ano de Dario/Artaxerxes.
- Deus pôs no coração de Neemias ajuntar os nobres, os magistrados e o povo para registar as genealogias. Achou o livro da genealogia dos que subiram primeiro com Zorobabel e Jesus. Neste parêntese entre o término das obras e a dedicação do muro (Ne12), Neemias recorda os acontecimentos dos primeiros tempos depois do regresso do exílio (Ne 7:6 a 12:26), o início dos 49 anos.
- Dedicação dos muros (Ne 12:27-45).
 Neemias organizou dois coros que andaram em procissão sobre o muro, desde a porta da fonte, um coro numa direção, o segundo na direção oposta, encontrando-se na porta da guarda, de onde foram para o templo. Também o povo ia por cima do muro (Ne 12:38).
- ano 3515 AH.
No ano 32 de Artaxerxes, Neemias voltou para Babilónia (Ne 13:6), mas regressou depois de algum tempo. Entretanto, Eliasibe o sacerdote tinha-se aparentado com Tobias e fez para este uma câmara no templo.

Quando regressou a Jerusalém, Neemias também viu que o povo tinha voltado a cair em pecado. Não guardaram o sábado, deixando as portas abertas aos mercadores (Ne 13:15-22) e casaram-se com mulheres estrangeiras (Ne 13:23-29). Era nomeadamente o caso de um dos filhos de Joiada, filho do sumo-sacerdote Eliasibe, contaminando o sacerdócio.

27/12/2015

Cronologia 7 semanas (6) – Gogue e Magogue

Muitos estranharão inserirmos aqui, no contexto do livro de Ester, as profecias em Ezequiel 38 e 39 sobre Gogue, da terra de Magogue.
A batalha de Gogue e Magogue é frequentemente interpretada como pertencendo a um futuro escatológico. Uma exceção foi Matthew Henry (1662-1714), que no seu comentário afirma ser muito provável que esta profecia tenha tido o seu cumprimento algum tempo depois do regresso de Israel do cativeiro, embora ele não consiga situá-la exatamente no tempo.
Um autor contemporâneo, James Jordan, numa série artigos intitulados «Esther: Historical & Chronologial Comments» propõe que Ezequiel 38-39 descreve o ataque de Hamã e seus confederados contra os judeus. Os acontecimentos, narrados no livro de Ester, no 13º ano de Assuero/Dario, são a realização da profecia da batalha de Gog e Magog.
Vamos analisar esta hipótese.

O contexto histórico
Primeiro, temos que pôr a visão do profeta Ezequiel capítulos 38-39 no seu contexto.
No ano 12º do exílio, Ezequiel recebe a notícia de que a cidade de Jerusalém tinha caído (33:21). A terra foi tornada em desolação; os montes de Israel tão desolados que ninguém passava por eles (33:28). As ovelhas espalharam-se por toda a terra porque os seus pastores não as apascentaram (34:1-9). Mas, a seguir, e no ponto mais negro da história de Israel, vem uma série de profecias sobre o restauro de Israel à sua terra. “Vós, ó montes de Israel, vós produzireis os vossos ramos e dareis o vosso fruto para o meu povo de Israel o qual está prestes a vir (36:8)… Tomar-vos-ei de entre as nações e vos congregarei de todos os países, e vos trarei para a vossa terra” (36:24). Israel estava no exílio; a sua esperança pereceu, o vale de ossos mortos que Ezequiel viu era toda a casa de Israel. Mas eles seriam reestabelecidos na sua própria terra (37:11-14)… Israel seria novamente uma nação: a vara de José juntou-se à vara de Judá (37:1-22). Quando regressaram do exílio, sob a direção de Zorobabel e Jesua, eram um povo, conhecidos como “judeus”, já não havia divisão entre Israel/Efraim e Judá como foi o caso durante o tempo da monarquia dividida. Nestes capítulos 36 e 37 de Ezequiel há predições sobre o que viria a ser a Nova Aliança, mas uma primeira realização destas profecias de Ezequiel dá-se com o regresso dos judeus à sua terra e a reconstrução do santuário. O regresso do exílio constituíra para os judeus uma nova oportunidade, uma espécie de segundo Êxodo, desta vez não do Egipto, mas agora da Babilónia. Depois das alianças mosaica e davídica, veio a aliança da restauração (frequentemente esquecida, e pouco conhecida). A aliança davídica fracassou, o povo foi exilado. Mas Deus renova a sua aliança; novas promessas são dadas (Isaías, Jeremias, Ezequiel) – que serão realizadas no “Renovo”. O período depois do exílio constitui o tempo de formação para uma nova aliança; o regresso do povo à terra era o primeiro passo em direção à Nova Aliança. Era a primeira fase dos “últimos dias”. A aliança da restauração tinha como promessa não a posse de uma Canaã terrena, mas a vinda do Renovo e com ele a era messiânica, o derramar do Espírito, e a vinda do reino de Deus.
No profeta Jeremias encontramos a mesma ideia. “Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a David um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado; Senhor Justiça Nossa. Portanto, eis que vêm dias, diz o Senhor, em que nunca mais dirão: Tão certo como vive o Senhor que fez subir os filhos de Israel da terra do Egipto; mas: Tão certo como vive o senhor, que fez subir, que trouxe a descendência da casa de Israel da terra do Norte, e de todas as terras para onde os tinha arrojado; e habitarão na sua terra” (Jr23:5-8). Isto profetizou Jeremias depois que Joaquim/Jeconias fora levado para Babilónia em exílio (Jr 22:20-30). A referência dos judeus não mais seria o Êxodo, mas o regresso do exílio na Babilónia.
Portanto, o contexto da profecia em Ezequiel 38-39 é a de um povo que, do exílio, reunido, foi novamente trazido à sua terra, com uma nova aliança (Restauração), com um novo templo, um novo sumo-sacerdote (Zc 3).

De que fala Ezequiel 38-39?
Neste contexto histórico e espiritual, Ezequiel 38 e 39 fala da invasão de um exército composto de muitos povos, uma grande multidão (38:4-7), dirigido por Gogue, da terra de Magogue, príncipe de Meseque e Tubal (38:2), contra um povo que se recuperou da espada, um povo que se congregou dentre muitos povos sobre os montes de Israel que estavam desolados (38:8); contra um povo que vivia seguro, habitando sem muros e sem ferrolhos nas portas (38:11-12, 14). Mas os intentos de Gogue serão frustrados. Apesar da multidão que está com ele, é contra ela que a espada é chamada (38:21-23); é ele e as suas tropas que cairão (39:4). Eles serão sepultados no que será chamado o Vale das Forças (ou multidão) de Gogue.
§  O templo fora reconstruído num período de paz, com a autorização do rei Dario. No 2º ano do seu reinado, quando se iniciou a edificação do templo, na visão de Zacarias, a terra estava repousada e tranquila (Zc 1:11). O templo foi terminado no final do 6º ano e inaugurado no início do 7º ano de Dario. Depois da inauguração do templo, Dario casou com Ester. Quando se preparou o ataque aos judeus, no 13º ano de Dario, em Jerusalém, os muros da cidade e as portas ainda estavam em ruinas e as portas queimadas (Ne 1:1-3). No resto do enorme reino de Dario, os judeus habitavam “sem muros”, desprotegidos, no meio de outros povos.

§  O reino de Dario era enorme; tinha 127 províncias onde habitavam muitos povos. O exército de Gogue era constituído por uma multidão de muitos povos. Os povos que são mencionados pelo nome podem ser encontrados na lista das nações em Génesis 10. Magog, Meseque, Tubal, Gomer, Togarma e Társis são da descendência jafetita. Cuxe (etíopes), Pute, Sabá e Dedã são descendentes de Cão. Ez 38:2 menciona a Pérsia/os persas. A capital da Pérsia, Susã, estava na província de Elão (Dn 8:1). Os elamitas pertencem ao reino da Pérsia, ou são identificados como os persas. Os elamitas são descendentes de Sem.
Nas palavras de Jordan, a noção parece ser a de uma conspiração de povos primordiais contra o verdadeiro remanescente semita.
As cartas de Hamã, cuja ordem era para todos os povos se reunirem e aniquilarem os judeus, e saquearem os seus bens, dirigiam-se aos sátrapas do rei, aos governadores de todas as províncias e aos príncipes de cada povo; eram escritas em muitas línguas, a cada povo na sua própria língua… (Ester 3:12-14).
§  Gogue e suas tropas serão sepultados no que será chamado o Vale das Forças (ou multidão) de Gogue; em hebraico, o vale de HAMON-GOG. A palavra hebraica traduzida forças ou multidão é HAMON (HMN).
HAMON faz lembrar Hamã (HAMAN), o agagita (Es3:1), que arquitetou o ataque contra os judeus. A palavra é escrita exatamente da mesma maneira (HMN), com as mesmas consoantes, já que o hebraico não tem vogais.
Podemos encontrar afinidades entre Hamã e Gogue?
Hamã, enquanto “agagita”, era descendente de AGAG, o rei amalequita vencido por Saul. Também AGAG e GOG têm uma sonoridade parecida e escrevem-se com as mesmas letras.
Os amalequitas eram o povo que Israel teve de enfrentar pouco depois de sair do Egipto (Ex 17). A promessa de Deus foi: eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu … e também disse: haverá guerra do Senhor contra Amaleque de geração em geração.
Depois disso, Israel ainda enfrentará os amalequitas muitas vezes: Nm 13:29; 14:25,45; Jz 3:13; 6:3; 1Sm 14:48.
Em Dt 25:17-19, é dito a Israel acerca de Amaleque: Quando o Senhor teu Deus te houver dado sossego de todos os teus inimigos em redor, na terra que o senhor teu Deus te dá por herança, para a possuíres, apagarás a memória de Amaleque de debaixo do céu; não te esqueças.
A Saul (1Sam 15) foi ordenado ferir Amaleque e destruí-lo totalmente e nada poupar. Mas ele desobedeceu, tomou vivo Agague e poupou o melhor dos animais. Assim continuamos a encontrar os amalequitas no tempo de David (1Sam 27:8), e nos dias de Ezequias, rei de Judá (1Cr 4:41-43). Depois do cativeiro, Israel voltou à sua terra. Amaleque, na figura de Hamã, prepara um novo ataque.
O príncipe de Meseque e Tubal aplica-se a Hamã?
Algumas versões traduziram “o príncipe de Rosh, de Meseque e de Tubal”, o que não está correta. ROSH não é um lugar ou um povo, mas significa primeiro, princípio, principal. Portanto, o NASI ROSH é o príncipe-mor, o príncipe e chefe que está sobre os outros. Isto aplica-se perfeitamente a Hamã: Assuero pôs o trono de Hamã acima de todos os príncipes (Es 3:1).
§  Tal como na profecia sobre Gogue, no livro de Ester os judeus obtiveram uma estrondosa vitória sobre o inimigo. O ataque perpetrado por Hamã e a multidão de povos com ele contra os judeus em todo o reino da Pérsia reverteu-se numa vitória destes, que originou a festa de Purim (Es 9).
O número de mortos que os judeus mataram nesse dia 13 do mês de Adar foi 75.000. Este número é consentâneo com a quantidade de armas que queimaram e saquearam, e o tempo que levaram a sepultar todos os mortos.
Desta vez, Amaleque foi totalmente destruído. Foram enforcados os 10 filhos de Hamã. Dez é o número que indica a totalidade.

Jeremias 49:34-39
Esta profecia de Jeremias é um oráculo contra Elão. Ela insere-se nas profecias de Jeremias contra as nações (Jr 46-49). Deus dissera que todas as nações seriam dadas a Nabucodonosor (Jr 25:9). Ele conquistou-as uma atrás da outra: Egipto, Filistia, Fenícia, Moabe, Amom, Edom, Síria, Quedar e Hazor. Mas quando chega a vez de Elão, nada é dito de Nabucodonosor. Todos os comentadores sugerem que a derrota de Elão em Jr 49:34-39 é a derrota da Pérsia quando conquistada por Alexandre o Grande. Susã era a capital do Elão, e Daniel estava na cidadela de Susã quando recebeu a visão em Daniel 8. Nesta visão, ele vê o carneiro da Pérsia (Dn 8:3-4, 20) engrandecer-se e depois ser vencido pelo bode que representa Alexandre (Dn 8:5-7, 21).
Uma interpretação diferente é dada por James Jordan quando sugere que esta passagem em Jeremias é mais provavelmente uma profecia dos eventos em Ester. Dn 8:2 mostra expressamente a ligação entre Susã e Elão, o que é importante porque os eventos em Ester ocorrem na cidade real de Susã, capital de Elão-Pérsia desde o tempo de Dario.
O que segue é traduzido de Jordan, J. - Esther: Historical & Chronological comments (I), Biblical Chronology, nº 3, 1996.
Jr 49:35 – Deus diz que quebrará o arco de Elão, a fonte do seu poder. Os persas eram conhecidos por serem bons arqueiros. Depois diz: Trarei sobre Elão os quatro ventos dos quatro ângulos do céu, e os espalharei na direção de todos estes ventos (v.36). Os quatro ventos não são um símbolo de invasão militar, como habitualmente interpretado, mas de uma invasão Espiritual.
Zc 2:6 afirma que Deus espalhou o seu povo como os quatro ventos do céu, isto é: depois do regresso do exílio, quando a Pérsia dominava o mundo. O símbolo é identificado. Zc 6:5 mostra os santos como os quatro ventos do céu saindo sobre cavalos para levar a conquista espiritual de Deus ao mundo daquele tempo. O mundo, que estava em paz em Zc 1, seria agora abalado porque o Templo de Deus fora restaurado e o Espírito Santo derramando-se no mundo (Zc 4).
Os quatro ventos são a manifestação humana do grande vento do Espírito; em hebraico, “espírito” é “sopro”. Ezequiel, escrevendo na mesma época que Jeremias, fala dos quatro ventos no capítulo 37. Ali a nação de Israel é figurada como ossos secos espalhados pelo vale. “Poderão reviver estes ossos?” é perguntado a Ezequiel. Estes ossos são toda a casa de Israel, são os ossos dos apóstatas, que o próprio Deus espalhou (Ez 6). Podem eles viver? Esta passagem não trata da ressurreição individual, mas da ressurreição e restauração do Israel idólatra e apóstata enquanto nação sacerdotal de Deus às nações. Ezequiel é dito para profetizar aos ossos, que o Sopro (Espírito) entre neles. Especificamente, é-lhe dito para dizer: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam (Ez 37:9). Noutras palavras, Israel não será restaurado por uma rajada de vento misteriosa do Espírito caindo do céu. Mas será restaurado quando o povo justo, especialmente os profetas, lhe trazem o Espírito. Serão os quatro ventos, o povo santo de Deus, que restauram Israel quando o exílio está terminado. Trata-se de uma predição dos eventos que ocorrem em Zacarias.
Semelhantemente, quando Daniel vê os quatro ventos do céu agitar o grande mar gentio em Daniel 7.2, é uma imagem da obra evangelista do povo de Deus no mundo. Esta obra evangelista traz os quatro grandes guardiões angélicos de Israel, grandes monstros que mostram os dentes contra os inimigos dos judeus. Quando um monstro deixa de fazer o seu trabalho, é substituído pelo seguinte.
Daniel 8:8, que fala dos quatro sucessores de Alexandre como “quatro chifres notáveis que saíram para os quatro ventos do céu”, é geralmente visto como os quatro impérios gregos para o norte, sul, este e oeste de Israel. Mas é mais provável que sejam os chifres de poder e proteção apontados para os quatro ventos, no sentido que apontam para Israel. Primeiro protegem Israel e, mais tarde, um deles, o pequeno chifre, vira-se contra Israel.
Tudo isto serve para esclarecer que o símbolo dos quatro ventos do céu é um símbolo da obra evangelística do povo de Deus, não um símbolo de exércitos gentios invadindo um país. Elão será conquistado pelo evangelho, pela ação dos judeus, não por um exército inimigo.
O Elão pagão será destruído diante dos seus inimigos. Deus enviará a espada atrás deles até consumi-los. Então Deus porá o seu trono em Elão (Jr 49:37-38) e restaurará a sorte de Elão (v.39).

Quando serão cumpridas estas coisas? Foram cumpridas nos eventos do livro de Ester. Hamã incitou os elamitas persas que odiavam os judeus a ataca-los. Mas Deus inverteu a sorte do seu povo. Os judeus tiveram autorização para usar a espada contra os que os odiavam. Muitos elamitas converteram-se à verdadeira fé (Ester 8:17) antes que acontecesse o massacre dos elamitas que procuravam o mal aos judeus (Ester 9). Assim, como predito, os quatro ventos do evangelismo vieram primeiro, e depois a espada da destruição. Depois disso, Ester e Mordecai tornaram-se grandes na terra, e o trono de Deus foi estabelecido.

29/11/2015

Cronologia 7 semanas (5) – Ester

Na história de Ester, há, além da própria Ester, três figuras de importância: o rei Assuero, Mordecai e Haman.

Assuero
Já avançámos, numa anterior mensagem (Quem é o Artaxerxes de Esdras e Neemias?), que o rei Assuero no livro de Ester é o mesmo que o Artaxerxes de Esdras e Neemias, e que este é Dario o Persa. Em Annals of the World (1650), já o bispo Ussher situava Ester no reinado de Dario.
Geralmente, assume-se que o Assuero de Ester é Xerxes, o sucessor de Dario, talvez por causa da semelhança de nomes. Assuero e Xerxes seriam corrupções do persa Khshyarsha. Mas vários aspetos apontam para a identificação com Dario.
Alguns comentadores identificam Assuero com Cambises, o que é improvável, dado ele ser adverso aos judeus.
J. Jordan assinala seis pontos que defendem que Assuero é Dario (Jordan, J. - Esther: Historical & Chronological comments (V), Biblical Chronology, nº 6, 1996):
- Segundo a história, Dario teve de passar os primeiros dois anos do seu reinado a reprimir rebeliões. Assim tem lógica o facto de dar uma grande festa no seu terceiro ano.
- Depois disso, Dario fez várias campanhas militares. Assim, ao seu regresso a Susã (sexto ano), e apaziguado o seu furor contra Vasti, é um bom momento para escolher uma nova esposa.
- A frota naval de Dario tomou as ilhas de Samos, Chios e Lesbos e as restantes ilhas gregas. Segundo Heródoto, estas ilhas pagavam tributo a Dario. Outras fontes históricas dizem que Dario subjugou as ilhas no mar Egeu e que todas foram perdidas por seu filho Xerxes antes do 12º ano do seu reino, o que elimina a hipótese de Xerxes ser Assuero.
- Dario foi o rei persa que instituiu uma reforma económica, normalizou pesos, medidas e cunhagem, e impôs tributo sobre os povos que subjugou. A notícia sobre a imposição de tributo sobre toda a terra (Ester 10:1) não se pode aplicar a um rei persa anterior, e deve referir-se a Dario visto que se trata de um imposto sobre as terras do mar (e Xerxes já não ter domínio sobre estas).
- Dario é chamado Artaxerxes em Esdras e Neemias, como já tive ocasião de referir. Nas adições apócrifas de Ester, e na Septuaginta, o rei de Ester é chamado Artaxerxes.
- E, no livro apócrifo 1Esdras 3:1-2 lê-se «o rei Dario deu um banquete …». Este versículo é cópia do versículo de Ester 1:3, mas em vez de usar o nome Assuero, usa Dario.
- Além disso, no 20º ano de Artaxerxes/Dario, quando Neemias foi falar com o rei sobre a sua preocupação com Jerusalém, a rainha estava sentada ao lado dele (Ne 2:6). Este pormenor realmente só faz sentido aqui se a rainha era Ester.

Mordecai
Mordecai criou Ester, filha de seu tio, a qual não tinha pai nem mãe (Es 2:7). Portanto, Mordecai e Ester são primos. É possível, numa família grande, existirem grandes diferenças de idade entre primos, e sobrinhos serem mais velhos do que seus tios. Mordecai podia ter a mesma idade que o seu tio (pai de Ester), ou mesmo mais, se o pai de Mordecai era muito mais velho do que o seu irmão mais novo (pai de Ester) e Mordecai um dos filhos mais velhos. E se Ester era uma filha mais nova, é possível existir uma diferença de idade entre eles de mais de 50 anos, como terá sido o caso.
O nome de Mordecai encontra-se na lista dos que regressaram a Jerusalém com Zorobabel e Jeshua (Ed 2:2). Na ausência de outro qualificativo, podemos assumir que se trata do mesmo Mordecai do livro de Ester. Mordecai fora transportado de Jerusalém com os exilados deportados por Nabucodonosor com Jeconias (Joaquim), rei de Judá (Ester 2:5-6), no ano 3406. Assumindo que era recém-nascido quando foi deportado, Mordecai já tem 84 anos no 7º ano de Dario. Se Assuero fosse Xerxes, e Dario reinou 36 anos, Mordecai teria mais de 120 anos quando se deu o episódio de Haman (no ano 12º do rei) e a perseguição aos judeus. Esta longevidade não é consentânea com a época. Por isso, para defender que Assuero é Xerxes, há comentadores que argumentam que não foi Mordecai que fora transportado para Babilónia, mas sim Quis, um antepassado de Mordecai. Mordecai é identificado como benjamita, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis (Es 2:5), o que muito bem pode indicar que a genealogia de Mordecai remonta a Quis, pai de Saul (1Sm 9:1-2). E a figura de Simei, da casa de Saul, aparece no tempo de David (2Sm 16:5-11; 19:16-23).

Hamã
Hamã era agagita, adversário dos judeus (Es 3:10). Isto é, era descendente de Agague, o rei amalequita que foi vencido por Saul, embora este lhe poupasse a vida, mas depois foi morto por Samuel (1Sm 15). A promessa de Deus relativamente a Amaleque era: porque eu hei de riscar totalmente a memória de Amaleque de debaixo do céu (Ex 17:14). Saul teve a oportunidade, mas não o fez. Agora a vitória final sobre Amaleque será obtida através de Ester e Mordecai.


Cronologia dos acontecimentos no livro de Ester
No 6º ano de Assuero/Dario, por volta do 10º mês, Ester foi levada à casa do rei, onde havia de ser cuidada por 12 meses (Es 2:12), para cumprir os dias do seu embelezamento, antes de ser levada ao rei.

3490 AH – 7º ano de Dario
Assim foi levada Ester ao rei Assuero, à casa real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no 7º ano do seu reinado. O rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e ela alcançou perante ele favor e benevolência mais do que todas as virgens; pôs-lhe na cabeça a coroa real, e a fez rainha em lugar de Vasti (Es 2:16-17). Durante doze meses, desde o 6º ano de Dario, ela havia sido preparada (Es 2:12).

3491 AH – 8º ano de Dario
Já sendo Ester rainha, Mordecai toma conhecimento de uma trama contra o rei e o revelou à rainha Ester que o disse ao rei, em nome de Mordecai.

3494 AH – 11º ano de Dario
Em atenção aos acontecimentos no 12º ano (Es 3:7), terá sido no 11º ano de Assuero/Dario que o rei engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata, agagita, e o exaltou, e lhe pôs o trono acima de todos os príncipes. (Es 3:1). Estava ordenado que todos tinham de se inclinar perante ele, mas Mordecai recusou-se. Ele declarou que era judeu.
Hamã ficou furioso porque Mordecai não se inclinava nem se prostrava perante ele planeou, não só atentar contra Mordecai, mas destruir todos os judeus, povo de Mordecai, que havia em todo o reino de Assuero (Es 2:5-6).
3495 AH – 12º ano de Dario
No 1º mês, mês de Nisan, lançou-se Pur, isto é, sortes perante Hamã, dia a dia, mês a mês, até ao 12º, que é o mês de Adar (Es 3:7).
Então, no final do ano, Hamã vai dizer a Assuero que há um povo que não cumpre as leis do rei e que não pode ser tolerado, pedindo-lhe para decretar que sejam mortos. O rei deu-lhe o seu anel e autorizou Hamã a levar a cabo o seu intento. Até então, Assuero não sabia que Ester era judia, porque Mordecai tinha-lhe instruída para não declarar a sua linhagem (Es 2:20).

3496 AH – 13º ano de Dario
Com a autorização do rei, chamaram os secretários do rei no dia 13 do 1º mês. Em nome do rei, e com o seu selo, escreveram-se e enviaram-se cartas aos sátrapas do rei, aos governadores de todas as províncias e aos príncipes de cada povo; a cada província no seu próprio modo de escrever, e a cada povo na sua própria língua. A ordem era para que se destruíssem, matassem e aniquilassem de vez a todos os judeus moços e velhos, crianças e mulheres, em um só dia, no dia 13 do 12º mês, e que lhes saqueassem os bens. As cartas foram enviadas a todos os povos para que se preparassem para aquele dia (Es 3:12-15).
Depois de tomar conhecimento de tudo isto, Mordecai informa Ester e pede-lhe para ir falar com o rei e pedir misericórdia pelo seu povo.
Neste intervalo dão-se os acontecimentos descritos nos capítulos 4 a 8 de Ester.
A intervenção de Ester junto ao rei fez com que ele ordenou que se escrevesse aos judeus, em nome do rei, o que bem lhes parecesse, porque o anterior decreto selado com o seu anel, não podia ser revogado (Es 8:1-8).
Então, no dia 23 do 3º mês chamaram-se novamente os secretários do rei. E, segundo tudo quanto ordenou Mordecai, se escreveu um édito para os judeus, para os sátrapas, para os governadores e para os príncipes das províncias que se estende da Índia a Etiópia, 127 províncias. Nas cartas o rei concedia aos judeus de cada cidade que se reunissem e se dispusessem para defender a sua vida, para destruir, matar e aniquilar de vez toda a qualquer força armada do povo da província que viessem contra eles, crianças e mulheres, e que se saqueassem os seus bens, num mesmo dia, em todas as províncias do rei Assuero, no dia 13 do 12º mês. A carta, que determinava a proclamação do édito em todas as províncias, foi enviada a todos os povos, para que os judeus se preparassem para aquele dia, para se vingarem dos seus inimigos (Es 8:9-14).
Houve alegria e regozijo entre os judeus, e muitos dos povos da terra se fizeram judeus, porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles (Es 8:15-17).
O dia 13 do 12º mês era o dia em que os inimigos dos judeus contavam assenhorear-se deles, mas sucedeu o contrário, pois foram os judeus que se assenhorearam dos que os odiavam. Em todas as províncias se ajuntaram para dar cabo daqueles que lhes procuravam o mal; e ninguém podia resistir-lhes, porque o terror que inspiravam caiu sobre todos aqueles povos. Os príncipes das províncias, os sátrapas e governadores e oficiais do rei auxiliavam os judeus.
Feriram, pois os judeus a todos os seus inimigos, a golpes de espada, com matança e destruição; e fizeram dos seus inimigos o que bem quiseram.
Na cidadela de Susã, os judeus mataram 500 homens e os 10 filhos de Hamã; nas províncias, mataram 75.000.
Em Susã, no dia 14, os judeus tiveram autorização de fazer segundo o mesmo édito, e mataram mais 300 homens (Es 9:13-15).
No dia 14 do mês, descansaram e o fizeram dia de banquetes. Em Susã, no dia 15.
Na sequência desta vitória sobre o inimigo, Mordecai ordenou aos judeus que comemorassem o dia 14 e o dia 15 do mês de Adar, 12º mês, como os dias em que os judeus tiveram sossego dos seus inimigos (Es 9:20-21). A festa passou a chamar-se Purim, porque Haman tinha lançado Pur, isto é, sortes, para destruir os judeus. Mas o seu intento recaiu sobre a sua própria cabeça.


Depois disto, o rei Assuero impôs tributo sobre a terra, e sobre as terras do mar (Es 10:1). É provável que seja a este tributo que se refere Neemias 5:4. Mais um ponto a favor da identificação de Assuero com Dario/Artaxerxes de Neemias.
Os acontecimentos no 12º ano de Assuero e a esmagadora vitória dos judeus, tiveram consequências positivas para os judeus. Mordecai foi exaltado. Foi o segundo depois do rei Assuero, e grande para com os judeus, e estimado pela multidão de seus irmãos, tendo procurado o bem-estar do seu povo e trabalhado pela prosperidade de todo o povo da sua raça (Es 10).
Cronologicamente, o livro de Ester situa-se antes do livro de Neemias.
Por isso, quando Neemias vai ter com o rei no 20º ano de Artaxerxes/Dario/Assuero, ainda os acontecimentos dramáticos de poucos anos antes estavam frescos na memória, e é compreensível a facilidade com que Neemias recebe autorização e apoio para ir a Jerusalém, ajudar os judeus. A rainha estava sentada junto ao rei e Mordecai, se ainda vivo, era o segundo do rei Assuero.

21/11/2015

Cronologia 7 semanas (4) – Esdras

No último mês do 6º ano de Dario (3489 AH), terminou a edificação da casa.

3490 AH – 7º ano de Dario

1º mês
No início do ano seguinte, celebrou-se a dedicação da casa (Ed 6:16-18).
Entretanto, no início deste mesmo mês, no primeiro dia, no 7º ano de Dario/Artaxerxes, Esdras começa a sua viagem para Jerusalém (Ed 7:9), carregado com prata e ouro para ornar o templo e também com o objetivo de ensinar em Israel os estatutos e juízos do Senhor (Ed 7 e 8).
Esdras, que estava entre os que primeiro foram a Jerusalém com Zorobabel e Jesua (Ne 12:1), terá em alguma altura regressado a Babilónia, possivelmente com a tarefa de ir procurar apoio e meios para ornar a casa.
Com Esdras, subiram sacerdotes, levitas e servidores do templo. Esdras ajuntou-os perto do rio que corre para Aava, onde ficaram acampados três dias (Ed 8:15). Partiram de Aava no dia 12 do 1º mês (Ed 8:31).
5ºmês
O grupo de Esdras chegou a Jerusalém no primeiro dia do quinto mês (Ed 7:8). Isto significa que a viagem durou 4 meses (vs.8-9).
9º mês
Os capítulos 9 e 10 de Esdras sobre o caso dos casamentos mistos ocorrem depois da chegada de Esdras a Jerusalém, provavelmente no mesmo ano, havendo apenas referência ao mês da ocorrência, e não ao ano (Ed 10:9,16).
O problema que se levantou foram os casamentos mistos de judeus com outros povos. O povo de Israel, e os sacerdotes e os levitas, não se separaram dos povos de outras terras com as suas abominações, isto é, dos cananeus, dos heteus, dos ferezeus, dos jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos egípcios e dos amoreus, pois tomaram das suas filhas para si e para seus filhos, e assim se misturou a linhagem santa com os povos dessas terras, e até os príncipes e magistrados foram os primeiros nesta transgressão (Ed 9.1-2). Esdras ficou atónito com esta situação. Lembramos que este era um dos mandamentos especificamente visado na aliança que selaram no primeiro ano do regresso a Jerusalém (Ne 10:30).
No dia 20 do 9º mês, ajuntaram-se todos em Jerusalém por causa desta questão. Era tempo de grandes chuvas (Ed 10:9). Como o assunto não se podia resolver em um dia, Esdras elegeu um grupo de homens que se reuniram no 1º dia do 10º mês para inquirir.

10º mês
No 1º dia do 10º mês iniciam-se os trabalhos de grupo de inquiridores indicados por Esdras (Ed 10:16).
Neste 10º mês (tebete) do 7º ano de Assuero/Dario, Ester é levada ao rei e, algum tempo depois certamente, é coroada rainha em lugar de Vasti (Es 2:16-18).

3491 AH – 8º ano de Dario
A inquirição relativamente aos casamentos com mulheres estrangeiras foi concluída no 1º dia do primeiro mês.

01/11/2015

Cronologia 7 semanas (3) – o templo reconstruído

No primeiro ano da sua chegada a Jerusalém (ano 3468AH, que é também o primeiro ano dos 49 anos que são as primeiras 7 semanas da profecia de Daniel), no 7º mês, edificaram o altar (Ed 3:3), e começaram a oferecer holocaustos, mas ainda não estavam postos os fundamentos do templo (Ed 3:6). Pagaram então aos pedreiros e aos carpinteiros, e também aos sidónios e tírios para trazerem madeira do Líbano, por mar, segundo a permissão dada por Ciro (Ed 3:7).

3469 AH – o segundo ano do regresso (= 3º ano de Ciro)
No princípio do ano (1º mês), foi revelado a Daniel uma palavra que envolvia grande conflito. Daniel entendeu a palavra, e pranteou durante três semanas (Dn 10:1-3), até que no dia 24 do 1º mês, Daniel teve uma visão quando estava à borda do rio Tigre. Durante estes 21 dias, o anjo que falou a Daniel lutou contra o príncipe do reino da Pérsia, que lhe resistiu e, ajudado por Miguel, obteve a vitória sobre os reis da Pérsia (Dn 10:13).
Será que o conflito estava relacionado com a oposição que estava a formar-se contra a edificação do templo?

Daniel vê um homem vestido de linho. Este “homem”, claramente Jeová, está sobre o rio tal como estava sobre o rio Quebar na visão de Ezequiel 1. O significado em Ezequiel era que Deus tinha deixado o seu templo (Ez 8-10) e estava com o seu povo no exílio. O significado da visão em Daniel 10-12 (3º ano de Ciro) é que Deus continuava no exílio e não tinha voltado ao seu templo, que ainda não estava reconstruído. Mas Ele está sobre as águas, como o Espírito em Génesis 1, a preparar uma nova criação (Jordan, J. - Esther: Historical & Chronological comments (IV), Biblical Chronology, nº 6, 1996)

Desde o 7º mês do ano anterior, tinha começado a preparação dos materiais para a construção.
No segundo ano da sua vinda à casa de Deus em Jerusalém, no segundo mês, começaram a obra do templo e constituíram levitas para a superintender (Ed 3:8-9). Mas, rapidamente, quando os adversários de Judá ouviram que os que voltaram do cativeiro edificavam o templo, chegaram-se a Zorobabel dizendo que queriam edificar com eles. Zorobabel recusou. Então as gentes da terra desanimaram o povo de Judá, inquietando-o no edificar e alugaram contra eles conselheiros para frustrarem o seu plano (Ed 4:1-4). A oposição começou logo nos dias de Ciro, e continuou até ao reinado de Dario, rei da Pérsia (Ed 4:5).
A obra da casa de Deus cessou até ao 2º ano de Dario, rei da Pérsia (Ed 4:24). Naquele ano, Ageu e Zacarias começam a profetizar e só nesse ano são lançados os fundamentos do templo (Ag 2:18).
Portanto, Esdras 3:10-13 está fora da ordem cronológica da narrativa. Numa primeira leitura do v.10 (quando os edificadores lançaram os alicerces do templo …), parece que os alicerces da casa foram lançados pouco tempo depois do começo dos preparativos, ainda no segundo ano do regresso dos judeus a Jerusalém (Ed 3:8-10). Contudo, o lançamento dos alicerces do templo ocorre muitos anos mais tarde. Em Ageu encontramos a data do lançamento dos alicerces: no segundo ano do rei Dario, no 24º dia do 9º mês (Ageu 2:10, 18).
Esdras 4:6-22 fala de acusações e cartas.
A primeira acusação contra os habitantes de Judá e de Jerusalém foi no princípio do reinado de “Assuero” (Ed 4:6).
Este Assuero pode ser Ciro ou Cambises, que reinou depois de Ciro. Mas, provavelmente, trata-se de Ciro, porque não houve qualquer reação à acusação escrita. Foi Ciro que deu a ordem de regresso e a autorização para construir o templo.
Lembremos brevemente a questão dos nomes dos reis persas (ver mensagem: Quem é o Artaxerxes de Esdras e Neemias?). Os nomes Dario, Xerxes, Assuero ou Artaxerxes não são nomes pessoais, mas nomes de trono, títulos. Os reis persas costumavam usar mais do que um nome ou título; documentos arqueológicos da época confirmam isto. Visto que os judeus viviam então na proximidade da cultura persa dominante, era natural que usassem estes nomes de trono da maneira como os persas faziam. Além disso, os nomes que são hoje universalmente usados são os nomes que os historiadores gregos, como Heródoto, deram aos vários monarcas persas e que não são mais do que corruptelas gregas de palavras persas. Assim sendo, os nomes Dario, Xerxes, Assuero e Artaxerxes podem referir-se a qualquer um deles. A fim de descobrir quem é quem, é necessário recorrer ao contexto do texto bíblico.
Segundo a história, Ciro reinou 9 anos (de 538 a 530 a.C.). Depois dele, Cambises reinou 8 anos (529 a 522). Entre Cambises e Dario I, um certo Smerdis/Gaumata usurpou o poder, durante apenas 7 meses, até que Dario o conseguiu derrotar em 522. Dario I, Histaspes, reinou 36 anos (521 a 486 a.C.).
Duas cartas são mencionadas nos dias de “Artaxerxes”, uma escrita por Bislão, Mitredate e Tabeel, escrita em caracteres aramaicos e na língua siríaca (Ed 4:7) e a segunda por Reum e Sinsai (Ed 4:8-16). A segunda carta mereceu uma resposta por parte do rei. Este Artaxerxes poderá ser Cambises, a não ser que Ciro tivesse voltado com a sua palavra atrás, proibindo que se edifique a cidade, o que é pouco provável porque “a lei dos medos e dos persas não se pode revogar”(Dn 6:8) e por causa do que foi profetizado por Isaías (Is 45:13). Alguns entendem que se trata de Ciro, por aquilo que Reum escreve: os judeus que subiram de ti vieram a nós a Jerusalém (v.12). Também é possível que se trate de Dario, no princípio do seu reino.
Na resposta à carta de Reum e Sinsai, o rei dá ordem a fim de que os judeus parem o trabalho e não edifiquem mais a cidade a não ser com autorização dele (Ed 4:17-22).
O que podemos deduzir com certeza é que os judeus cessaram a edificação da casa de Deus logo no início, mas a construção da cidade, dos muros e das casas entretanto prosseguiu (Ed 4:12, 24; 5:3; Ag 1:4).
… …

3485 AH - o segundo ano de Dario, rei da Pérsia

Nota: 
As datas a partir do segundo ano de Dario foram revistas em razão de uma questão cronológica relativa ao reinado deste rei de que não me apercebi, e que necessita de ser esclarecida, embora em nada altere fundamentalmente a cronologia e narrativa da história destas 7 semanas como apresentadas nesta e nas mensagens a seguir.

A nova cronologia revista, e a explicação desta revisão, encontra-se na mensagem CRONOLOGIA DE ESDRAS-NEEMIAS (revisto) de agosto 2016.

Uma série de eventos ocorrem neste ano.
No 6º mês, no primeiro dia do mês, Deus falou a Zorobabel, governador de Judá e a Josué, o sumo-sacerdote, através do profeta Ageu. Acaso é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas (Ag 1:4)? Apesar da proibição de edificar a cidade (Ed 4:21), percebe-se que os judeus tinham continuado a construir as suas casas, enquanto a obra do templo estava parada. O Senhor despertou o espírito de Zorobabel e de Josué, filho de Jozadaque (chamado Jesua no livro de Esdras e Neemias; e a não confundir com Jesua o levita) e de todo o povo; eles encheram-se de ousadia e puseram-se ao trabalho na casa do Senhor no dia 24 desse mesmo mês (Ag 1:14-15; Ed 5:1-2).
No 7º mês, no dia 21, veio novamente a palavra do Senhor a Ageu (Ag 2:1-9), dizendo: Quem há entre vós que, tendo edificado, viu esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é ela como coisa de nada aos vossos olhos? Deus veio encorajar o povo na construção que tinham iniciado há menos de um mês antes: O meu Espírito habita no meio de vós; não temais.
No 8º mês, veio a palavra do Senhor ao profeta Zacarias (Zc 1:1-6) com uma advertência.
No 9º mês, no dia 24 do mês, a palavra de Deus veio novamente a Ageu. Foi naquele dia que foram postos os fundamentos do templo: Considerai, eu vos rogo, desde este dia em diante, desde o 24º dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do Senhor (Ag 2:18). Quando os edificadores lançaram os alicerces do templo do Senhor, apresentaram-se os sacerdotes, e os levitas, com trombetas e címbalos para louvarem ao Senhor. Cantavam e rendiam graças por se terem lançado os alicerces da sua casa. Porém, muitos que viram a primeira casa choraram em alta voz, mas outros gritaram com alegria, de maneira que não se podiam discernir as vozes de alegria e as vozes de choro (Ed 3:10-13). 

É nessa época que Tatenai, o governador daquém do Eufrates, começou a ficar preocupado e foi perguntar aos judeus: Quem vos deu ordem para reedificardes esta casa e restaurardes este muro? (Ed 5:3-4). O muro, neste caso, é o muro do templo e não da cidade.
Os judeus explicaram a Tatenai que quem lhes deu a ordem foi Ciro, no primeiro ano do seu reinado, e que dissera a Sesbazar (que é outro nome para Zorobabel): faze reedificar a casa de Deus no seu lugar (Ed 5:13-15). O que Tatenai escreve (v.16) mostra que a carta foi escrita depois de os alicerces já terem sido lançados: Então veio o dito Sesbazar, e lançou os fundamentos da casa de Deus, a qual está em Jerusalém; e daí para cá se está edificando, e ainda não está acabada. Os olhos de Deus estavam sobre os judeus e estes não foram obrigados a parar até que viesse resposta de Dario (Ed 5:3-5) à carta de Tatenai (Ed 5:5).
O rei Dario mandou fazer uma busca nos arquivos reais em Babilónia. Mas foi na fortaleza de Acmeta na província da Média que se encontrou um rolo com um memorial que dizia que Ciro (por Daniel chamado Dario o medo) baixou um decreto no seu primeiro ano para edificar a casa de Deus em Jerusalém. E Dario respondeu a Tatenai (Ed 6:1-12), ordenando: Não interrompais a obra desta casa de Deus, para que o governador dos judeus e os seus anciãos reedifiquem a casa de Deus no seu lugar (v.7).
É aqui que podemos compreender a visão de Zacarias, ainda no 2º ano de Dario, no 11º mês, aos 24 dias do mês (Zc 1:1-17): a visão do homem montado num cavalo vermelho, parado entre as murteiras. Este homem é o Anjo do Senhor, uma revelação pré-encarnada de Jesus Cristo. A sua aparição manifesta a sua presença com o povo da aliança na sua batalha histórica. Os outros cavalos são o seu exército celestial. Percorreram a terra e viram que toda a terra estava agora repousada e tranquila. A obra do templo podia ser concluída sem mais oposição. 

3487 AH- 3º ano de Dario/Assuero

O rei Assuero, que é Dario, na cidadela de Susã, dá um banquete a todos os seus príncipes e seus servos, no qual se representou o escol da Pérsia e da Média. Recusando a rainha Vasti obedecer à ordem do rei, foi deposta (Es 1).

3487 AH – 4º ano de Dario
Defini a data de 3487 AH para o 4º ano de Dario. A explicação para esta data está em Zacarias 7:1-5.
No 4º ano do rei Dario, no dia 4 do 9º mês, vieram Sarezen e Régen-Meleque, homens enviados aos sacerdotes e aos profetas em Jerusalém com a seguinte pergunta: Continuaremos nós a chorar, com jejum, no 5º mês, como temos feito por tantos anos (Zc 7:1-3)? A preocupação era se ainda precisavam de continuar a chorar e jejuar, agora que os fundamentos do templo já tinham sido colocados.
Responde o Senhor através de Zacarias: Quando jejuastes e pranteastes, no quinto e no sétimo mês, durante estes 70 anos, acaso foi para mim que jejuastes (Zc 7:4-5)? A resposta de Zacarias inclui uma informação cronológica: já jejuaram durante 70 anos.
O jejum do 5º mês rememorava a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor, o do 7º mês a morte de Gedalias, que fora nomeado governador sobre os que permaneciam em Judá. A data destes acontecimentos já foi definida como 3417. O primeiro jejum do 5º mês foi então em 3418. Em 3487 terá ocorrido o 70º jejum. A pergunta é feita no 9º mês, portanto ainda neste ano de 3487, que é então o 4º ano de Dario.
Esta informação, acrescida de outra referência a 70 anos (Zc1:12) permite-nos calcular a data do 2º ano de Dario, ano em que se lançaram os fundamentos da casa de Deus.
Na visão do dia 24 do 11º mês do 2º ano de Dario, o anjo do Senhor faz uma pergunta: Ó Senhor dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais estás indignado faz já 70 anos (Zc 1:12)?
Se 3487 AH corresponde ao 4º ano de Dario, então 3485 é o 2º ano de Dario. A destruição de Jerusalém ocorreu no 11º ano de Zedequias. No 9º ano de Zedequias, no 10º mês tinha começado o cerco à cidade. Este é outro período de 70 anos.
Vemos assim que há vários períodos de 70 anos: 1) do 3º ano de Jeoaquim com o desterro dos primeiros judeus ao decreto de Ciro, autorizando o regresso dos exilados; 2) do início do cerco a Jerusalém ao 2º ano de Dario, quando são lançados os fundamentos do templo; 3) da destruição de Jerusalém ao 4º ano de Dario.

3489 AH – 6º ano de Dario

Será por volta do 10º mês que Ester foi levada à casa do rei Assuero/Dario, onde havia de ser cuidada por 12 meses (Es 2:12), para cumprir os dias do seu embelezamento, antes de ser levada ao rei.

Assim os judeus edificaram a casa e a terminaram no sexto ano de Dario (23 anos depois do regresso), no terceiro dia do mês de Adar, que é o 12º mês.

3490 AH – 7º ano de Dario
Celebraram a dedicação da casa (Ed 6:16-18), que deve ter tido lugar no mês seguinte, que é o 1º mês (Abib) do ano seguinte, à semelhança do que disse Deus a Moisés relativamente ao tabernáculo: No primeiro dia do primeiro mês levantarás o tabernáculo da tenda da congregação (Ex 40:2). E também celebraram a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos (Ed 6:19-22).
Durante todo este tempo, Zorobabel era governador. Foi ele que lançou os alicerces e acabou a casa (Zc 5:9).