19/03/2017

AS ASSOLAÇÕES DE JERUSALÉM (2)

Um leitor do blog observou num comentário à mensagem 70 ANOS DE ASSOLAÇÕES DE JERUSALÉM (julho 2015), que a contagem dos 70 anos que haviam de durar as assolações de Jerusalém (Dn 9:1-2) só se iniciam após a destruição da cidade no ano 19º de Nabucodonosor. É precisamente neste tempo, da invasão da cidade e da destruição da mesma, juntamente com o templo, a casa do rei e todas as casas em Jerusalém, é que começam a contar os 70 anos da ASSOLAÇÃO DA CIDADE e do DESCANSO SABÁTICO, da mesma por iguais 70 anos. Para que sejam contados os 70 anos da desolação de Jerusalém, é necessário que a mesma esteja destruída; se a cidade permanece íntegra e habitada pelos judeus, essa assolação não pode ser contada; porquanto necessita ser primeiro assolada. E somente após a completa destruição da cidade e após desaparecer dentre eles a voz de gozo, e a voz de alegria, a voz do esposo, e a voz da esposa, como também o som das mós, e a luz do candeeiro é que os 70 anos da desolação se começariam a se contar (Daniel 9:2; Jer 25:9-11)

Se considerarmos que os 70 anos de assolações e de descanso da terra só começam com a destruição total de Jerusalém, pelas razões acima avançadas, também é lógico que só deveriam terminar com o regresso do povo à sua terra 70 anos depois.

Mas Zacarias 7:1-5 prova que não é assim. Não há 70 anos entre a destruição de Jerusalém por Nabucodonosor e o regresso do povo autorizado pelo decreto de Ciro.

Vejamos.

A data da tomada de Jerusalém por Nabucodonosor no 11º ano de Zedequias, assumi (embora não tenha a pretensão que esteja absolutamente correta) como sendo AH 3418[i]. No 5º mês daquele ano, a cidade foi queimada.

Vários anos depois do regresso do exílio, e escassos dias antes do final do 4º ano de Dario[ii], no 4º dia do 9º mês (Zc 7:1-5) - Sarezer e Régen-Meleque perguntaram aos sacerdotes e aos profetas: Continuaremos nós a chorar, com jejum, no 5º mês, como temos feito por tantos anos? Respondeu Zacarias: Quando jejuastes e pranteastes no 5º e no 7º mês durante estes 70 anos …­

Os jejuns do 5º e 7º mês rememoravam a destruição de Jerusalém e o assassinato de Gedalias, respetivamente. A primeira vez que fizeram estes jejuns foi, logicamente, no primeiro ano a seguir ao ocorrido, portanto, no ano 3419. Da pergunta de Sarezer e resposta de Zacarias no 9º mês, deduzimos que no 5º mês anterior a esta pergunta fizeram o jejum pela 70ª vez, portanto no ano 3488. No ano seguinte 3489, no 12º mês, terminou a construção da casa do Senhor (Esdras 6:15).

3486    6º mês – Ageu começa a falar no 2º ano de Dario
9º mês (num dos últimos dias do mês) – começa o 3º ano de Dario
3487    9º mês (num dos últimos dias do mês) – começa o 4º ano de Dario
3488    5º mês – 70º jejum do 5º mês
9º mês, 4º dia – palavra de Zacarias 7:1-5
            9º mês (num dos últimos dias do mês) – começa o 5º ano de Dario
3489    9º mês (num dos últimos dias do mês) – começa o 6º ano de Dario
            12º mês – o templo é acabado (Esdras 6:15)

Com o rei Dario já estamos portanto vários anos (cerca de 20) depois de Ciro e do regresso do povo.

Portanto, se há 70 anos desde a tomada de Jerusalém até ao 4º ano de Dario, o tempo de “assolações” e a desolação começou antes da tomada de Jerusalém. As assolações começaram no 3º ano de Jeoaquim, quando Nabucodonosor subiu a primeira vez contra Jerusalém e “o Senhor lhe entregou nas mãos a Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da casa de Deus; a estes levou-os para a terra de Sinear, para a casa do seu deus” (Dn 1:1-2). As assolações continuaram com várias deportações, nomeadamente de Joaquim e todos os príncipes, todos os homens valentes, todos os artífices e ferreiros … e todos os tesouros da casa do rei e Nabucodonosor cortou em pedaços todos os utensílios de ouro que fizeram Salomao para o templo, no 8º ano de Nabucodonosor (2Rs 24:6-16). E as assolações culminaram quando a cidade foi sitiada e destruída e o resto do povo levado para o exílio.

Desde o tempo do rei Josias que Jeremias os acusava de praticar abominações (Jr 6:15; 7:10, 30; 8:12; …) e anunciava a vinda de um povo do norte (Jr 4:6-7; 5:15-17; 6:1 22; …). Levítico 18:24-30 diz que a prática de atos abomináveis contamina, não só as pessoas, mas também a terra que, em consequência, vomita os seus moradores. Foi por causa das abominações praticadas pelos cananeus que estes foram expulsos (vomitados). Os israelitas são avisados de não se contaminarem com as mesmas coisas que fazem as nações: Não suceda que a terra vos vomite, havendo-a contaminado como vomitou o povo que nela estava antes de vós (v.28).

Quando estes atos abomináveis são trazidos para dentro do santuário, é o lugar santo onde Deus habita (ou que representa a sua habitação) que é profanado. Deus não recebe coisas abomináveis. Quando estas entram no seu templo, Deus abandona – desola - o seu santuário e depois o destrói.

Há várias ocorrências disto na Bíblia. Os sacerdotes filhos de Eli trouxeram o pecado bem dentro do tabernáculo. Não se importavam com o Senhor (v.12). Não só roubavam do que o povo vinha sacrificar, como se deitavam com as mulheres que serviam à porta da tenda da congregação, e fizeram transgredir o povo (1Sm 2:12-25). Em consequência, Deus trouxe um inimigo contra Israel, os filisteus, e abandonou o seu santuário (a arca da sua presença foi levada pelos filisteus), e o sumo-sacerdote Eli e os seus filhos foram mortos e os seus descendentes como que “vomitados” do serviço no santuário (1 Sm 2:30-34; 3:11-14).

No tempo de Ezequiel, o mesmo aconteceu. Ezequiel, que tinha sido levado para o exílio no grupo do rei Joaquim, viu em visão (Ez 8-11:13) as abominações cometidas dentro do templo pelos sacerdotes. Vês o que eles estão fazendo? As grandes abominações que a casa de Israel faz aqui, para que me afaste do meu santuário (Ez 8:6-18)? Os próprios sacerdotes trouxeram religiões estranhas (idolatria) dentro do templo. Em consequência, Ezequiel viu a glória do Senhor levantar-se e sair do templo (Ez 9:3; 10:18). E também viu na sua visão Deus ordenar ao homem vestido de linho para espalhar brasas acesas sobre a cidade. Deus trouxe os caldeus e Nabucodonosor contra Israel, para destruir o templo e a cidade, levar o povo para o exílio e matar o sumo-sacerdote (Jr 4:1;7:30; 13:27; 52:24-26; Ez 5:9,11;6:11; 8:1-18; 2 Cr 36:14-17).

Podemos concluir que foram as abominações cometidas no templo pelos sacerdotes de Israel que contaminaram o lugar santo e fizeram com que Deus retirasse a sua presença e desolasse a sua casa. Abominações não são ações cometidas por estranhos à aliança, mas são cometidas na presença de Deus pelo próprio povo de Deus, representados pelos seus sacerdotes. Porque os filhos de Judá fizeram o que era mau perante mim, diz o Senhor: puseram os seus ídolos abomináveis na casa que se chama pelo meu nome, para a contaminarem (Jr 7:30).

Israel era separado das outras nações para serem sacerdotes diante de Deus. Deus habitava no meio deles. Na terra, tanto israelitas como estrangeiros e outros habitantes podiam cometer abominações. Mas no templo, apenas israelitas (representados pelos seus sacerdotes) tinham acesso, por isso só eles podiam cometer atos abomináveis. Como sacerdotes e levitas, o seu dever era “guardar” a santidade do santuário, assim como Adão fora incumbido de guardar o jardim para não deixar entrar a corrupção que o contaminaria. Adão não guardou o jardim/santuário e foi expulso. Os sacerdotes e levitas não guardaram o tabernáculo, também não guardaram o templo, mas estabeleceram nele a abominação que resultou na desolação.

Assim, não era a presença de exércitos inimigos no templo, quer filisteus, quer caldeus, quer os estandartes romanos, que constituía abominação, mas o facto desta presença e ação profanadora do inimigo era a consequência visível da abominação cometida por Israel. A abominação trazia um juízo, executado mediante o exército de um povo estranho.

Na dedicação do templo de Salomão, a glória de Deus encheu o templo, mostrando a sua presença. Ao longo do tempo da monarquia, as abominações foram entrando no templo, por vezes sanadas, por vezes não, até que chegou a um ponto de não retorno para Israel. Não ores mais por este povo (Jr 7:16; 11:14; 14:11). Ezequiel relata como viu em visão a glória de Deus deixar o templo. Mais uma vez, a glória de Deus foi para o exílio, desta vez na Babilónia, com o remanescente do povo. O templo em Jerusalém, desolado por Deus (Ez 9-11), foi destruído alguns anos mais tarde por Nabucodonosor.

Os 70 ANOS DE ASSOLAÇÕES terminam com o regresso à terra. Podemos datar o ano do regresso adicionando 70 anos ao 3º ano de Jeoaquim: 3398 + 70 = 3468.

Também o CATIVEIRO durou 70 ANOS. E assim como o tempo de assolações, o cativeiro começou por ser parcial a partir do 3º ano de Jeoaquim, com o exílio de um grupo de jovens entre os quais Daniel, e passou a ser total no 11º ano de Zedequias com a destruição de Jerusalém.

Quanto aos 70 anos de DESCANSO DA TERRA, estes sim começaram quando Jerusalém foi queimada e Nabucodonosor levou todos em cativeiro, exceto os mais pobres da terra. Mas prolongaram-se depois do regresso, só terminando com a reconstrução do templo, cujos fundamentos são colocados no 2º ano de Dario, cerca de 20 anos depois do regresso. Embora os judeus tivessem regressado à terra na  sequência do decreto de Ciro, “os céus sobre vós retêm o seu orvalho, e a terra os seus frutos… (Ag 1:10-11). O povo continuava alienado da terra até terem iniciado a reconstrução da casa do Senhor (Ageu 1:1-11; 2:18-19; Zacarias 8:9-12).

No 2º ano de Dario (3486), no 6º mês, Ageu começou a falar (Ageu 1). O 6º mês segue ao 5º mês (mês em que a cidade foi queimada) e isto parece ser uma indicação que o tempo de descanso da terra estava a terminar. Estavam no início do 70º ano depois da tomada de Jerusalém, e Deus disse: Eu sou convosco (Ag 1:13), e todos se puseram ao trabalho na casa do Senhor. No 24º dia do 9º mês, a dias do fim do 2º ano de Dario, é o dia que se fundou o templo do Senhor (Ag 2:10, 18).
– Considerai, eu vos rogo, desde este dia em diante, desde o 24º dia do mês nono, desde o dia em que se fundou o templo do Senhor, considerai nestas coisas. Já não há semente no celeiro.além disso avideira a figueira, aromeira ea oliveira não têm dado osseus frutos; mas desde este dia vos abençoarei (Ageu 2:18-19).

O ano em que Jerusalém foi destruída é considerada um ano sabático. Curioso é que os pobres da terra, que deviam ter sido libertados da servidão e dívidas no ano sabático, mas não foram, receberam agora de Nabucodonosor vinhas e campos  (Jr 39:10).

Ainda há outro período de 70 anos.

Nas duas passagens em Jeremias, o profeta falava de 70 ANOS DE DOMÍNIO DA BABILÓNIA: Quando se cumprirem os setenta anos, castigarei a iniquidade do rei de Babilónia e a desta nação, como também a da terra dos caldeus…(Jer 25:11-12) – Logo que se cumprirem para Babilónia setenta anos atentarei para vós … tornando a trazer-vos para este lugar (Jer 29:10).

Os 70 anos para Babilónia terminaram quando Dario o medo/Ciro tomou a cidade de Babilónia, história narrada em Daniel 5. Calculámos que teve lugar em 3466 AH. Mas quando inicia este período?

Geralmente, considera-se que este período inicia com a batalha de Carquemis, quando Nabucodonosor derrotou o Egipto. Isto foi no 4º ano de Jeoaquim (3399) e é o ano em que Nabucodonosor sobe ao trono depois da morte de Nabopolassar. Foi também a explicação que dei na primeira mensagem sobre AS ASSOLAÇÕES DE JERUSALÉM (julho 2015).

Mas penso que não é correto, porque Nabucodonosor subiu contra Jerusalém a primeira vez no 3º ano de Jeoaquim; e do 4º ano até à tomada de Babilónia (em 3466) são menos de 70 anos (3399 +70 = 3469). Por isso, penso que os 70 anos para Babilónia começaram mais cedo. Contando 70 anos para trás, chegamos à morte de Josias em 3395. Mas qual a relação com Babilónia?

Nos dias de Josias subiu Faraó Neco, rei do Egipto, contra o rei da Assíria, ao rio Eufrates; e, tendo saído contra ele o rei Josias, Neco o matou, em Megido. (2Rs 23:29-30; 2Cr35:20-25).

O “rei da Assíria” neste versículo, já era o rei da Babilónia. Porque o império da Assíria, nessa altura, já tinha sido conquistado por Nabopolassar e Nabucodonosor quando capturaram Nínive, a capital assíria. Isto aconteceu cerca de 3 anos antes da morte de Josias (usando as datas convencionais, Nínive foi destruída em 612 a.C., Josias foi morto em 609).

O rei do Egipto marchou para norte, para Carquemis, uma fortificação egípcia no Eufrates, atravessando a terra de Israel, para defender-se contra  o avanço de Nabopolassar/Nabucodonosor da Babilónia. Josias opôs-se ao exército egípcio em Megido. Foi uma decisão trágica, desnecessária, ele perdeu a batalha e morreu, mas o que interessa aqui é que ele ia contra o Egipto. Portanto, parece que Josias se colocou do lado da Babilónia. Possivelmente porque deu ouvidos a Jeremias, que começara a profetizar no 13º ano de Josias, e avisava todas as nações, e Israel, a submeterem-se ao rei da Babilónia para preservarem a sua vida (Jr 27).

Por esta razão e porque me parece mais correto considerar os 70 anos para Babilónia em relação a Israel e não em relação ao Egipto (como é o caso de Carquemis) ou outra nação, coloco a hipótese que os 70 anos de domínio da Babilónia começaram com a morte de Josias.


Pudemos assim observar vários períodos de 70 anos, levemente desfasados uns dos outros (overlapping), com um significado diferente, e que permitiram simultaneamente estabelecer com mais rigor a cronologia.

70 anos de assolações / cativeiro
70 anos de jejuns
70 anos de descanso da terra
70 anos para Babilónia






[i][i] Assumimos os anos AH de acordo com o calendário judaico, de Nisan (1º mês) a Nisan, e não de janeiro a janeiro.
[ii] Este Dario é Dario Hystaspes, que sucedeu a Cambises, que sucedeu a Ciro, que emitiu o decreto. Ver a mensagem CRONOLOGIA ESDRAS-NEEMIAS (revisto)  de agosto 2016 para o modo como são contados os anos de reino de Dario.

25/02/2017

O RECENSEAMENTO DE QUIRINO

Lc 2:1-2 – Naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria.
Tanto o evangelho de Lucas como de Mateus afirmam que Jesus nasceu em dias do rei Herodes. Mas a afirmação em Lucas 2:1-2, que Jesus nasceu por ocasião do primeiro recenseamento, quando Quirino era governador da Síria, parece colocar um problema cronológico, que até tem desacreditado a veracidade do evangelho de Lucas. Isto porque é facto provado que Quirino foi governador da Síria entre 6 e 12 d.C., portanto, vários anos depois da data geralmente aceite para o nascimento de Jesus (ca. 6 ou 3/2 a.C.), além de ser depois da morte de Herodes.
Arquelau, filho e sucessor de Herodes na Judeia como tetrarca (não rei), fora demitido da sua tetrarquia e expulso no ano 6 d.C.. Depois da destituição de Arquelau, a Judeia passou a província romana, dirigida por um procurador. O primeiro procurador foi Copónio. Na mesma época, Públio Sulpício Quirino foi nomeado governador da Síria. A Judeia foi adicionada à província da Síria para liquidar as finanças de Arquelau, e isso era tarefa de Quirino (Antiguidades dos Judeus, Livro 18, cap.1).
Quando Quirino era governador da Síria, houve efetivamente um censo, que terá ocorrido em 6/7 d.C. Flávio Josefo menciona este censo. Segundo Josefo, este recenseamento foi concluído no 37º ano da vitória de Octaviano (Augusto) sobre Marcos António em Actium, que aconteceu em 31 a.C., portanto o censo teve lugar em 6 d.C..
Mas 6 d.C. não é uma data possível para o nascimento de Jesus, porque Jesus nasceu antes da morte do rei Herodes, que aconteceu em 1 a.C. (ver mensagem anterior).
E Lucas tem sido acusado de se ter enganado quanto à data do censo e da governação de Quirino.
Observámos que Lucas usa de muita precisão e rigor no registo de detalhes históricos, tanto no Evangelho como no livro de Atos. Ele afirma ter feito uma “acurada investigação” antes de por tudo por escrito (Lc 1:3).
O facto de não se terem encontrado, ainda, outras evidências históricas ou provas arqueológicas corroborando o “primeiro” censo mencionado por Lucas não significa que Lucas esteja errado. O silêncio, ou seja, a ausência de prova arqueológica, não é um argumento. Os textos bíblicos são fontes históricas tão válidas quanto outras fontes documentais e arqueológicas, contrariamente ao que muitos querem dar a entender.
Da nossa parte, acreditamos que a Bíblia tem razão e que há uma explicação para esta aparente anomalia. O que também dá mais crédito a Lucas é que ele viveu mais perto dos acontecimentos do que historiadores posteriores, tendo por isso acesso a informação mais contemporânea, mesmo fornecida por testemunhas oculares.
Vários autores têm procurado justificar a possibilidade de Quirino ter tido poderes de governação especiais na região da Judeia (embora não sendo efetivamente governador na Síria) no período em questão, tendo em consideração o funcionamento administrativo e político do Império romano. Conclui-se que é uma hipótese razoável, mas nenhum facto concreto tem sido apresentado. Encontrei apenas um autor que apresenta uma solução concreta, interessante, que me parece viável e bem fundamentada, e que merece ser aprofundada. Trata-se de Ernest Martin, The Star of Bethlehem: The Star that Astonished the World (1996).
Mas antes de passar à proposta de Martin, temos que dar uma vista de olhos ao que dizem as fontes, bíblicas e históricas.
O problema cronológico está centrado na realização de um recenseamento (apografe em Grego) algum tempo antes da morte de Herodes, e na associação de Quirino com o recenseamento.

O que dizem as fontes históricas (Tácito, Josefo, Tertuliano, Lapis Venetus) e Lucas?
- Sulpício Quirino foi cônsul em Roma em 12 a.C. juntamente com Messala.
- Entre 12 a.C. e 1 d.C., esteve em serviço ativo em várias regiões no Médio Oriente, nomeadamente na região da Galácia vizinha da Síria, e travou uma guerra na Cilícia.
- Foi enviado como governador para Síria em 6 d.C. depois da morte de Arquelau, até 12 d.C.
- Conduziu um censo em 6 d.C.
- Quirino é mencionado numa lápide tumular, conhecida como Lapis Venetus. A lápide regista a carreira de um oficial romano chamado Aemelius Secundus, e diz que este oficial fora encarregado por P. Sulpicius Quirinus, Legatus Caesaris Syriae, de realizar um censo na cidade de Apameia. Apameia é uma antiga cidade na Síria, a cerca de 50km da atual Haman.
- Por volta do ano 200 da nossa era, Tertuliano, em Contra Márcio, afirma que o recenseamento mencionado por Lucas foi feito na Judeia quando Saturnino era governador da Síria.
- A realização de censos regulares por Roma nas províncias do Império é uma prática bem documentada.
Mesmo no Novo Testamento (Mt 22:17-21; Mc 12:14-17) encontramos provas indiretas de que os Judeus, no tempo de Jesus, pagavam tributo (kensos) a Roma.
Tácito (Anais 2:42), por exemplo, relata que uma delegação judia e uma delegação da Síria empreenderam juntamente uma viagem a Roma para protestar contra os impostos excessivos que estavam a ser cobrados pelos governadores romanos e pedir uma redução do tributo (ano de censo 20/21, ano de tributo 21/22 d.C.).
A condução de um censo era responsabilidade de um governador de província que, por sua vez, delegava a subordinados e órgãos locais.
No Egipto, havia um ciclo regular 14 anos entre um censo e seguinte, pelo menos a partir de 33/34 d.C. até 257/8, e possivelmente a partir de 19/20 d.C. Recentes descobertas comprovam que antes desta data, os ciclos eram de 7 anos, com a realização de censos no 20º ano de Augusto (contado desde a batalha de Actium em 31 a.C., portanto em 11/10 a.C.), no 27º ano (4/3 a.C.), no 34º ano (4/5 d.C.), e no 41º ano (11/12 d.C.)[1] (CLAYTOR & BAGNALL, 2015). Estas evidências são referentes ao Egipto, especificamente. Não se sabe a que intervalos eram feitos os censos na Síria e na Judeia.
- O recenseamento de que Lucas fala não é um recenseamento provincial, mas toda a população do império foi convocada para recensear-se por decreto de César Augusto (Lc 2:1). Lucas não explica qual a razão do recenseamento.
- Lucas dá a entender que houve pelo menos dois recenseamentos na Judeia. Em Lucas 2:1, ele fala do primeiro recenseamento, decretado por César Augusto, por ocasião do qual José e Maria se deslocaram a Belém. Atos 5:37 fala de outro recenseamento – Depois desse [Teudas] levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos consigo. A ênfase no adjetivo “primeiro” (protn) distingue-o do outro, mais tarde e provavelmente mais memorável, o qual Gamaliel recorda, e que é o mesmo que Josefo menciona. O censo de 6 d.C.. Sabemos isso porque Josefo fala da revolta contra o censo, liderada por Judas o galileu.
- Lc 2:1,3,5 – recensear (verbo apógrafo); Lc 2:2 - recenseamento (substantivo apografe): registar, listar, inscrever num registo contendo nomes, idades e outra informação identificativa de todo o agregado familiar e dos seus rendimentos e posses, (Thayer's Greek Lexicon).

O porquê do recenseamento
Ernest Martin explica porque houve, ca. 3/2 a.C., uma razão para César Augusto convocar toda a população do Império para recensear-se. Esse ano era um dos mais importantes e gloriosos na carreira de Augusto: era o Jubileu de prata do seu governo supremo sobre todo o Império (em 27 a.C. Augusto recebera plena e absoluta confiança do Senado) e nesse ano o Senado conferiu-lhe o mais alto título de “Pater Patriae” (Pai da Nação).
Augusto escreve assim no seu Res Gestae Divi Augusti (um relato dos principais acontecimentos da sua vida escrito pelo próprio): “Quando estava administrando o meu 13º ano de consulado, o senado, a ordem equestre e todo o povo Romano deram-me o título de Pater Patriae”. Esse ano era 2 a.C., a data 5 de fevereiro.
Josefo (Antiguidades 17) menciona que Augusto pediu um juramento de lealdade cerca de doze a quinze meses antes da morte de Herodes. Um registo de juramentos (onde as pessoas escreviam o seu nome) era uma lista, um apografe de pessoas, uma espécie de “recolha de assinaturas” como é feito hoje para juntar pessoas a subscrever a uma ação ou opinião. Nesse caso seria para declarar a sua lealdade ao Imperador.
O juramento mencionado por Josefo e o alistamento de Lucas podem muito bem ser a mesma coisa. Que diz Josefo? Que a inteira nação Judaica fez um juramento de ser leal a César. Mas também diz que mais de 6.000 fariseus se recusaram ao juramento, porque acreditavam que o Messias estava a chegar. Eles foram multados e alguns foram mortos por Herodes.
Como se faz um juramento de lealdade? Podia perfeitamente ser através da inscrição numa lista. De outro modo, como podia Josefo saber que mais de 6000 fariseus se recusaram a fazer o juramento a não ser que tivesse havido um registo dos seus nomes e números?
Se o juramento de lealdade mencionado por Josefo foi o que levou José e Maria a Belém, então faz sentido que Maria acompanhou José. Num censo regular, Maria não teria necessidade de acompanhar José, nem José teria que viajar de Nazaré a Belém.
A razão por que José e Maria foram a Belém é, diz Lucas, “por ser ele da casa e família de David” (Lc 2:4). Eles eram de descendência real e provavelmente por causa de implicações políticas tinham que ir registar-se em Belém. E como tal teriam sido chamados especialmente para jurarem lealdade ao imperador. Além disso, seria importante para Herodes saber quem eram todos os eventuais pretendentes ao trono de David para garantir a sua própria sobrevivência e da sua dinastia, especialmente naquele tempo porque havia uma grande expectativa messiânica entre os Judeus. E visto que as mulheres entre os Judeus podiam dar um descendente ao trono, também Maria teve que ir registar-se pessoalmente.
O censo foi realizado em todo o Império. E existem provas e fontes históricas que se referem a este mesmo censo / juramento de lealdade, em vários lugares do Império:
Uma inscrição encontrada na província romana da Paflagónia (no centro-norte da Ásia Menor, era o nome de uma região da costa do Mar Negro no norte da Anatólia) datada 3 a.C. regista um juramento de obediência de toda a população, de cidadãos romanos bem como de não-cidadãos, a ser feito nos templos de Augusto nos vários distritos da província.
O historiador arménio Moisés de Corene (que viveu no início do século V) diz que fontes nativas a que teve acesso mostram que no segundo ano de Abgar, rei da Arménia no século 3 a.C., o recenseamento mencionado por Lucas trouxe oficiais romanos à Arménia, com a imagem de Augusto César, que colocaram em todos os templos. Está implícito que as pessoas deviam ir aos templos para se registarem no ano 3 a.C.
Também Orósio (385-420), historiador, teólogo e apologista cristão reconhece o facto de o censo mencionado por Lucas ter sido realizado em todo o Império. Ele devia ter acesso a fontes que hoje já não existem e que substanciaram a sua afirmação. Ele escreveu “[Augustus] ordenou que um censo fosse tomado em cada província em todo o lugar para que todos as pessoas fossem inscritas ... Este é o mais antigo e mais famoso reconhecimento público que distinguiu César como o primeiro de todos os homens e os Romanos como senhores do mundo, uma lista publicada de todas as pessoas registadas individualmente... Este primeiro e maior censo foi realizado, que neste único nome de César todos os povos das grandes nações fizeram juramento, e ao mesmo tempo, através da participação no censo, foram feitos parte de uma sociedade”.
O que apoia esta tese é que o recenseamento de Lucas não podia ter por finalidade a coleta de impostos. Quando Herodes reinava na Judeia, os Judeus não pagavam impostos a Roma, mas a Herodes. Isto fica claro pelos acontecimentos que se seguem imediatamente à morte de Herodes, relatados por Josefo (Guerra, Livro 2). Os Judeus pedem a Arquelau, sucessor de Herodes, para reduzir os impostos excessivos, e ele desejando conquistar o povo, assentiu prontamente a estes pedidos. Se os judeus pagassem impostos diretamente a Roma (na sequência do censo de Quirino) este pedido não faria sentido, nem a resposta de Arquelau.
De 36 a 47 a.C. Judeia fazia parte da província da Síria e pagava tributo diretamente a Roma. De 47 a 40 a.C. Hircano era “governador de uma república livre”, mas os judeus ainda pagavam impostos diretamente a Roma. Quando Herodes se tornou rei, o tributo a Roma cessou e Herodes recebia os impostos. Isto continuou até 6/7 d.C. quando novamente foi imposto a Judeia, que passou a ser uma província, um imposto direto.
Considerando a universalidade deste juramento, bem como o ano da sua condução, é muito razoável deduzir que o recenseamento mencionado por Lucas seja o mesmo juramento de lealdade referido por Josefo, Orósio, Moisés de Corene e a inscrição da Paflagónia, e coincidindo com a informação de Augusto no seu Res Gestae sobre o título de Pater Patriae.

Quirino
Embora esteja resolvida a questão do recenseamento, a questão da relação de Quirino com o juramento de 3/2 a.C. permanece não solucionada.
No entanto,
A palavra grega em Lc 2:2 traduzida “quando Quirino era governador” é hegemoneuontos, a forma do particípio presente ativo do verbo ‘hegemoneo’. O sentido literal é “quando Quirino estava governando na Síria”. A forma grega aqui não se refere especificamente à posição ou ofício da pessoa mas denota simplesmente governo, chefia, comando ou liderança em geral.
A narrativa de Lucas não identifica o cargo específico ocupado por Quirino quando estava desempenhando as suas tarefas oficiais, neste caso a condução do recenseamento. Resumindo, evitaria talvez alguma confusão se o texto fosse traduzido mais literalmente “quando Quirino estava governando na Síria”.
Quirino pode ter sido enviado para o Médio Oriente com poderes especiais, diferentes do governador residente, para conduzir o recenseamento nesta secção do Império. Lucas 3:1 refere-se a Pilatos com a mesma palavra e mesma estrutura gramatical e sabe-se que Pilatos era Praefectus Judaeae, e não Legatus (governador de província). Justino Mártir (100-165) afirma que Quirino era Procurator especial de Augusto. A Cambridge Ancient History, vol. X, p.216 (citado por Ernest Martin) tem uma nota sobre o papel de um Procurator romano. Cada província tem o seu procurador equestre que, aos olhos dos provinciais, era quase tão importante como o próprio governador. Estes procuradores eram nomeados pelo Imperador independentemente do Legatus, e as relações entre os dois nem sempre eram muito amigáveis. Se Justino diz que Quirino era Procurator, isto demonstra concordância com Tertuliano quando este diz que o censo foi conduzido quando Saturnino era o governador da Síria.

As explicações dadas por Ernest Martin são, em meu ver, muito razoáveis, simples e claras e resolvem a questão porque harmonizam as informações históricas disponíveis com o evangelho de Lucas. Parece que “o censo de Quirino” mencionado por Lucas foi encontrado.

Quanto à cronologia do nascimento de Jesus.
Se Augusto foi condecorado Pater Patriae em fevereiro do ano 2 a.C., o recenseamento, feito a nível de todo o Império, deve ter sido decretado em 3 a.C. para dar o tempo necessário (cerca de um ano) de recolher todos os juramentos. Assim, o nascimento de Jesus deve situar-se entre finais do ano 3 e princípio do ano 2 a.C.
Mas poderá também ser que Augusto decretou o recenseamento na altura da, ou a seguir à condecoração, pelo que terá decorrido durante o ano 2 a.C.



[1] CLAYTOR, W. Graham, and BAGNALL, Roger S. The Beginnings of the Roman Provincial Census: A New Declaration from 3 BCE. Greek, Roman, and Byzantine Studies 55 (2015) 637–653

13/02/2017

O ANO DA MORTE DO REI HERODES

Os evangelhos de Mateus e Lucas não deixam dúvidas quanto ao facto de Jesus ter nascido nos dias do rei Herodes (Mt 2:1). Lucas inicia a narrativa com a anunciação do nascimento de João Batista, nos dias de Herodes, rei da Judeia (Lc 1:5), recebendo Maria, no 6º mês da gravidez de Isabel, a visita do anjo Gabriel (Lc 1:36). A visita dos magos aconteceu quando Herodes reinava (Mt 2:3). Algum tempo depois de Jesus ter nascido, depois da visita dos magos José é avisado para fugir para o Egipto porque Herodes havia de procurar o menino para o matar (Mt 2:13). E ficaram no Egipto até à morte de Herodes (Mt 2:15).
Se é certo que Jesus nasceu no tempo do rei Herodes, existem, no entanto, incertezas quanto ao ano exato do seu nascimento. O conhecimento do ano da morte de Herodes fornecerá uma data limite para o nascimento de Jesus.
Mas aqui há desacordo. Alguns defendem que Herodes morreu em 4 a.C., outros em 1 a.C., colocando a data do nascimento de Jesus entre um e dois anos antes. Isto com base em Mt 2.16 – Herodes mandou matar os meninos de dois anos para baixo –, e assumindo que Herodes teria morrido muito pouco tempo depois do massacre das crianças em Belém.
Já referi que os primeiros historiadores e pais da Igreja apontam todos para datas entre 3 e 1 a.C. para o nascimento de Jesus. Mais recentemente, no século XIX e XX, muitos têm defendido uma data anterior a 4 a.C. (indo mesmo até 12 a.C.). Na base desta hipótese estão informações fornecidas por Flávio Josefo relativamente à duração do reino de Herodes, conjugadas com um eclipse de lua ocorrido pouco antes da sua morte.
O historiador Flávio Josefo é uma fonte importante para o conhecimento da vida de Herodes. No entanto, é preciso ter algum cuidado porque Josefo nem sempre é muito fiável em questões de cronologia quando ele escreve sobre períodos da história não contemporânea dele.
Que diz Josefo?
- que Herodes recebeu o título real de Marcos António e Octaviano, na 184ª Olimpíada, no ano em que os cônsules em Roma eram Calvino e Pollione (Antiguidades 14); isto seria 714 AUC [1] / 40 a.C. (lista de cônsules romanos em Jack Finegan, Handbook of biblical chronology).
- que Herodes tomou Jerusalém e foi então que começou o seu reino de facto, durante o ano consular de Agrippa e Gallo (que será 37 a.C.), na 185ª Olimpíada. O quarto ano deste ciclo olímpico estendia de julho 37 a junho 36 a.C.
- que Herodes morreu depois de um reinado de 34 anos, contando da data em que assumiu o controlo do estado em Jerusalém, depois de ter morto Antígono; e 37 anos depois da data em que foi proclamado rei pelos Romanos. (Guerras 1, Ant. 17)
- que o rei Herodes morreu pouco depois da ocorrência de um eclipse da lua (Ant. 17), e antes da festa da Páscoa e dos Pães Asmos (Guerras 2; Ant 17). Nessa Páscoa, Arquelau (sucessor de Herodes na Judeia) já está a governar (porém ainda não tivesse ido a Roma para receber a confirmação do seu reino). É a única vez que Josefo alude a um eclipse nos seus escritos.
O tratado judaico Rosh Hashana diz que o dia 1 de Nisan é Ano Novo para reis. Isto significaria que, se Herodes conquistou Jerusalém no ano 37, o seu reino de 34 anos (segundo Josefo) começaria oficialmente em 1 de Nisan de 36 a.C. E a sua morte se situaria cerca de 3/2 a.C., pouco antes de completar o 34º ano em 1 de de Nisan 2 a.C. (senão contavam 35 anos).
Mas é por causa da referência de Josefo a um eclipse que a maioria dos teólogos colocam a data da morte de Herodes em 4 a.C. e o nascimento de Jesus antes dessa data. Já vamos ver porquê [2].
Segundo Ernest Martin, eclipses são indicadores astronómicos poderosos para precisar quando certos eventos ocorreram na história, e que os teólogos que adoptam o princípio astronómico para resolver questões cronológicas estão absolutamente corretos. Eclipses são testemunhas sólidas para apoiar a veracidade de registos históricos. Mas, avisa Martin, se for considerado o eclipse correto. Registos de eclipses são importantes, mas devem ser corretamente interpretados. Num período de dez anos, é possível observar vários eclipses lunares em quase toda a parte do mundo. Podem ocorrer dois ou três num mesmo ano. Esta frequência pode ser um problema quando se trata de identificar os eclipses mencionados pelos antigos historiadores quando eles não deram pormenores sobre o dia da semana, a data do calendário ou se foi um eclipse total ou parcial.
E este é o problema no caso do eclipse mencionado por Josefo, que deu apenas a indicação que uma festa de Páscoa foi celebrada não muito depois do eclipse. Mas não diz quanto tempo depois.
Entre 7 e 1 a.C. quatro eclipses lunares podiam ser observados na Judeia. É a um destes que Josefo se referiu.
7 a.C.
Nenhum eclipse
6 a.C.
Nenhum eclipse
5 a.C.
13 de março. Eclipse total. Central às 18:30 h (tempo decorrido entre o eclipse e a Páscoa: 29 dias).
5 a.C.
15 de setembro. Eclipse total. Central às 22:30 h (tempo decorrido entre o eclipse e a Páscoa: 7 meses).
4 a.C.
13 de março. Eclipse parcial. Central às 2:20 h (tempo decorrido entre o eclipse e a Páscoa:29 dias)
3 a.C.
Nenhum eclipse
2 a.C.
Nenhum eclipse
1 a.C.
10 de janeiro. Eclipse total. Central a 1:00 h (tempo decorrido entre o eclipse e a Páscoa: 12 semanas e meia).
Com base nas indicações de Josefo, e assumindo que Herodes iniciou o seu reino em Jerusalém em 37 a.C., a sua morte se situaria em 3 ou 2 a.C. Mas não houve qualquer eclipse em 2, nem em 3 a.C.
Por isso o eclipse ocorrido em 13 de março do ano 4 a.C., um mês antes da Páscoa, foi aceite pela maioria dos teólogos como o eclipse mencionado por Josefo e apesar dos problemas associados a esta opção.

Os acontecimentos entre o eclipse e a Páscoa
O eclipse de 13 de março de 4 a.C. ocorreu 29 dias antes da Páscoa.
Para o período entre o eclipse e a Páscoa, Josefo menciona um grande número de acontecimentos, que é impossível encaixar todos em tão curto período de tempo de 29 dias. Martin defende que, usando o bom senso, e tendo em conta os hábitos sociais e religiosos judaicos naquele tempo, o eclipse de 13 de março de 4 a.C. não pode de maneira alguma ser o eclipse correto.
O que aconteceu nesse intervalo de tempo? Josefo não menciona quantos dias decorreram entre o eclipse e a Páscoa, mas podemos fazer uma estimativa.
O dia antes do eclipse lunar, dois rabinos judeus foram queimados vivos por ordem de Herodes porque derrubaram a águia dourada que ele tinha erigido sobre a porta oriental do templo; “e naquela mesma noite houve um eclipse da lua” (Antiguidades 17). Isto já afasta o eclipse de 13 de março do ano 5 a.C. que teve lugar ao fim da tarde, às 18.30h.
A manhã depois do eclipse, diz Josefo, a doença de Herodes piorou. Ele já estava doente há dois ou três meses, e o povo começava a dizer que o piorar da doença foi resultado da morte dos rabinos. Depois os seus médicos tentaram um remédio após outro, mas sem resultado. O piorar da doença e o experimentar de vários remédios para ver o efeito terá levado alguns dias.
Os remédios não melhoraram o seu estado de saúde e os médicos recomendaram que Herodes saísse de Jericó, onde se encontrava na sua residência temporária, e fosse às termas de Calírroe no Mar Morto a cerca de 25 milhas a sudeste de Jericó. Visto que Herodes estava muito doente e piorando, terá levado pelo menos um dia para ser transportado para as termas. Depois fez um tratamento nas águas termais, que também deve ter levado alguns dias. Mas como o tratamento não fez efeito, Herodes ordenou que o levassem de volta a Jericó. Estima-se que já teriam passado quase duas semanas desde o eclipse.
De regresso ao seu palácio em Jericó, Herodes engendrou um plano monstruoso. Sabendo que já não tinha muito tempo de vida, e que a maioria dos judeus o odiavam, ordenou que os principais anciãos dos judeus de todas as regiões do seu reino fossem reunidos em Jericó. Sem que estes percebessem qual a intenção de Herodes, seriam todos encerrados no hipódromo e executados pelos soldados no dia da sua morte. Assim Herodes iria garantir que toda a nação judaica chorasse de luto.
O plano foi posto em ação. Mensageiros foram enviados de Jericó a toda a parte. Visto que as cidades no norte do seu reino estavam a pelo menos 130 milhas de distância, seria necessário um período de 3 dias para os mensageiros chegarem lá, uma dia ou dois de preparativos e mais 3 ou 4 dias para os anciãos chegarem a Jericó. Josefo conta que muitos vieram a Jericó e foram fechados no hipódromo.
Diz Josefo que, depois disto, vieram cartas de Augusto, em Roma, autorizando Herodes a executar o seu filho Antipater. Este foi executado imediatamente e Herodes morreu 5 dias depois. Antes de o exército ficar a saber do seu falecimento, Salomé (irmã de Herodes) libertou os prisioneiros no hipódromo e mandou-os para casa. Só depois deram a notícia aos soldados e convocaram uma assembleia pública no anfiteatro de Jericó. Foi lido o testamento de Herodes, e Arquelau aclamado rei, pelo menos provisoriamente, até ratificação pelo imperador.
Podemos estimar que já passaram certamente mais de três semanas desde o eclipse.
Depois começaram os preparativos para o funeral. Arquelau não omitiu nada que pudesse contribuir para a magnificência da cerimónia, cumprindo os desejos do pai de ter um funeral tão grandioso que alguma vez foi feito a um rei. A procissão que acompanhava o ataúde era constituída, não só por um grande número de familiares e altos dignatários, mas também dos guardas, do contingente trácio, dos Germanos e Gauleses (contingentes de mercenários ao serviço de Herodes), todos equipados para a guerra. As restantes tropas marchavam à frente, armadas e em formatura, lideradas pelos seus comandantes e oficiais subalternos; a seguir, iam quinhentos servos e libertos de Herodes, transportando especiarias. O cadáver foi assim conduzido numa distância de duzentos estádios até ao Heródio, onde foi sepultado (Guerras dos Judeus, Livro 1; Antiguidades17).
Um funeral real não é um funeral de uma pessoa normal. É um acontecimento que requer uma grande organização, muito mais no caso de Herodes que queria cerimónias grandiosas.
Os preparativos terão levado vários dias até que a procissão pudesse partir de Jericó. Arquelau mandou vir os ornamentos reais que estavam em Jerusalém. O corpo teria que ser preparado com especiarias, aromas e bálsamos a fim de prevenir a putrefação durante a procissão funeral de Jericó a Jerusalém e depois ao Heródio, daí também 500 servos que transportavam as especiarias.
Todo o exército ia na procissão. Algumas forças militares teriam que vir de longe onde estavam estacionadas, mas também familiares e outros líderes políticos e religiosos levariam provavelmente alguns dias a chegar a Jericó.
A procissão ia de Jericó até ao Heródio, passando por Jerusalém. É provável que o caixão era levado aos ombros, e não transportado num carro. Costumes indicam que estes carregadores iam descalço.
A distância de Jericó até o Heródio eram 200 estádios segundo Josefo. De Jericó a Jerusalém, eram aproximadamente 150 estádios romanos, ou 18 milhas (ca. 30 km). A estrada (romana) não estava totalmente construída até à guerra de 66-70 d.C. Além disso, é uma estrada montanhosa. Jerusalém encontra-se a cerca de 750 metros acima do nível do mar, e Jericó cerca de 258 metros abaixo do nível do mar. De Jericó a Jerusalém é sempre a subir. Depois a procissão seguia para o Heródio, o lugar da sepultura, a cerca de 8 milhas (12 km) a sul de Jerusalém.
A cadência da marcha era lenta, solene. Fazendo oito estádios por dia (oito estádios equivalia a uma milha romana nas estradas imperiais), segundo Josefo, 150 estádios demorariam 18 dias a percorrer, não contando os sábados em que o cortejo estaria parado.
Em Jerusalém, segundo costumes entre dignitários romanos, o corpo terá ficado em câmara-ardente durante 7 dias, antes de finalmente ser levado até ao Heródio os restantes 50 estádios. Mais alguns dias.
Visto que Herodes planeou as suas próprias cerimónias funerárias, e dado que os judeus tinham um período de luto de 30 dias (Num 20:29; Dt 34:8), Herodes simplesmente ordenou que a procissão ocupasse grande parte deste período de luto. O funeral de Herodes parece ter sido mais majestoso e grandioso que o do próprio Imperador Augusto, cujas solenidades funerárias duraram um pouco mais de três semanas, e também incluíram o transporte do corpo sobre uma grande distância.
A este tempo de luto de 30 dias, acrescem ainda 7 dias de luto a cumprir pelos familiares (Num 19:14). Diz Josefo que só depois de cumprir estes 7 dias, e do banquete funerário oferecido à população, Arquelau assumiu as suas funções normais como novo rei da Judeia e deu a sua primeira audiência no templo e tratou de alguns assuntos. Pouco depois veio a Páscoa.
Tudo isto mostra que decorreu mais de um mês entre a morte de Herodes e o começo da Páscoa, sem contar as semanas entre o eclipse e a morte de Herodes.
Portanto, todos estes acontecimentos deixam bem claro que o eclipse de 13 de março de 4 a.C., ocorrido apenas 29 dias antes da Páscoa, não pode de maneira alguma ser o eclipse mencionado por Josefo.
Como 4 a.C. não é uma data possível para a morte de Herodes, alguns sugeriram que Herodes morreu em 3 a.C., antes da Páscoa do ano seguinte, mas isto deixaria cerca de 13 meses entre o eclipse e aquela Páscoa. O que é também não é aceitável, por várias razões. Primeiro, na Páscoa de 4 a.C. o povo estava ainda de luto pelos rabinos mortos por Herodes na véspera do eclipse. Isto dificilmente teria sido o caso 13 meses mais tarde. Logo a seguir à Páscoa, Arquelau foi para Roma, porque o seu título, para ser válido, tinha que ser ratificado por César. Ele, “com pressa de partir”, diz Josefo, não esperaria certamente mais de um ano para tratar deste assunto, mas viajaria para Roma o mais depressa que pudesse. E ainda, quando Arquelau chegou a Cesareia, de onde viajaria para Roma, encontrou-se com Sabino, o procurador da Síria, que se dirigia à Judeia para tomar conta dos bens pessoais de Herodes. Esta questão também não aguardaria mais de um ano para ser resolvido por Roma.
O mesmo vale para o eclipse de março de 5 a.C..
O eclipse de setembro 5 a.C. parece uma possibilidade, porque deixa 7 meses até à Páscoa de 4 a.C., o que daria tempo suficiente para todos os eventos. No entanto, valem as mesmas razões que acabámos de apresentar. É demasiado tempo para Arquelau, que estava com pressa, aguardar a Páscoa (4 a 5 meses) para ir a Roma receber a confirmação do seu reinado.
Isto só nos deixa com o eclipse de 10 de janeiro de 1 a.C. que deixa um período razoável de 12 semanas e meio entre o eclipse e a Páscoa e situa a morte de Herodes em 1 a.C.
Se for provado que é este o eclipse mencionado por Josefo, a razão está do lado dos primeiros historiadores e pais da igreja que colocam o nascimento de Jesus em 2 ou 3 a.C..
Voltaremos a este assunto.



[1] Ad urbe condita. Calendário romano que inicia com a fundação de Roma.
[2] Sobre este assunto consultei:
Jack Finegan, Handbook of Biblical Chronology (edição revista 1998)
Ernest L. Martin, The Star that astonished the World (1996) disponível online em http://www.askelm.com/star/index.asp
Flávio Josefo, Antiguidades dos Judeus (The Antiquities of the Jews), disponível em vários sites online
Flávio Josefo, A guerra dos Judeus, Lisboa: Edições Sílabo, 2007

30/01/2017

EM QUE ANO NASCEU JESUS?

Em que ano nasceu Jesus? A resposta a esta pergunta continua a ser uma questão não totalmente resolvida.
Os primeiros historiadores e pais da Igreja (Irineu, Clemente de Alexandria, Tertuliano, Júlio Africano, Eusébio de Cesareia, Dionísio Exíguo, e outros nos primeiros séculos da nossa era) apontam todos para datas entre 3 e 1 a.C.
Antes de continuarmos, uma pequena nota sobre a numeração dos anos em a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo). Este método foi definido por um monge, chamado Dionísio Exíguo, em 525 d.C. Até então, em nações diferentes e em épocas diferentes usavam-se calendários diferentes. Um calendário usado na igreja Cristã começava a numeração dos anos a partir do reino do imperador Diocleciano, que era perseguidor da igreja. Considerando inapropriado contar os anos a partir do reino de um inimigo da Cristandade, Dionísio Exíguo escolheu contar os anos a partir da encarnação de Jesus. Para o ano da encarnação, Dionísio aceitou o ano 753 AUC (ad urbe condita ou anno urbis conditae), isto é o ano 753 “desde a fundação da cidade” de Roma, como ano 1 a.C. e a data da natividade em 25 de dezembro daquele ano. O dia 1 de janeiro logo a seguir começava a nova era e o sistema designado AD (anno Domini), “no ano do Senhor”, calendário que é hoje utilizado universalmente.
Mais recentemente, no século XX, muitos têm defendido uma data anterior a 4 a.C. (indo mesmo até 12 a.C.) para o nascimento de Jesus. Isto porque é hoje geralmente aceite (baseado em Josefo) que Herodes morreu no ano 4 a.C. e, segundo os evangelhos, Jesus nasceu algum tempo antes da morte de Herodes.
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Como saber em que ano nasceu Jesus?
A narrativa bíblica é interligada com eventos e personagens da história do Império Romano, sob cuja dominação se encontrava a Judeia no tempo de Jesus. Estas personagens e eventos permitem-nos situar Jesus no tempo. Ou assim o deviam. O problema é que, para sabermos as datas exatas da vida de Jesus necessitamos de conhecer também com exatidão quando ocorreram determinados eventos históricos relatados nos evangelhos, nomeadamente em Mateus e Lucas. E as datas destes eventos não são totalmente esclarecidas, por insuficiência ou ausência de provas arqueológicas e documentais. Esta falta de informação e alegadas anomalias têm levado muitos a dizer que os Evangelhos contêm erros e inconsistências, não sendo por isso válidos. Contudo, é preciso ter cuidado com os registos seculares. É sabido que a década de 6 a.C. a 4 d.C. é um dos períodos mais obscuros da história de Roma, com relatos imperfeitos e confusos e muitas dificuldades cronológicas.
Nós assumimos que a Bíblia é um relato histórico (pelo menos) tão válido como qualquer outra fonte. E rejeitamos as acusações que ouvimos frequentemente que os evangelhos se contradizem e que contêm erros.
E parece-me bem tomar em consideração o seguinte (tradução minha):
«Céticos frequentemente levantam acusação contra Lucas e outros autores bíblicos com base no argumento de silêncio. Falham em distinguir entre uma contradição genuína por um lado, e provas insuficientes para permitir tirar uma conclusão firme, por outro. Existe contradição quando duas afirmações ou factos não podem ambos ser verdade. Céticos fazem com frequência o erro de acusar os autores da Bíblia de contradição quando duas afirmações ou factos simplesmente diferem uma da outra. McGarvey articulou este princípio claramente em 1891: “Duas afirmações são contraditórias, não quando diferem, mas quando ambas não podem ser verdade”. A acusação de contradição ou falta de rigor na Bíblia não é legítima, e por isso insustentável, naquelas áreas onde a prova de corroboração histórica é insuficiente.» (MILLER, Dave, Ph.D. (2003). Luke, Quirinus, and the Census. Apologetics Press (http://apologeticspress.org/)
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Que informações cronológicas a Bíblia fornece a respeito do nascimento de Jesus?
Comecemos com uma reconstituição cronológica dos factos narrados nos evangelhos de Mateus e Lucas, que se complementam:
Nos dias do rei Herodes (Lc 1:5), o sacerdote Zacarias, do turno de Abias, exercendo o sacerdócio na ordem do seu turno, entrou no santuário para queimar incenso. Um anjo Gabriel anuncia-lhe o nascimento de um filho, que será João Batista.
No 6º mês (Lc 1:26), o mesmo anjo aparece a Maria, em Nazaré. O mês em que o anjo aparece a Maria é o 6º mês da gravidez de Isabel (Lc 1:36).
Naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria (Lc 2:1-2).
José e Maria foram a Belém, alistar-se. Estando eles ali, nasceu Jesus (Lc 2:3-7), em dias do rei Herodes (Mt2.1).
Completados oito dias o menino foi circuncidado e deram-lhe o nome de Jesus (Lc 2:21).
E passados os dias da purificação (Lc2:22), que são 33 dias (Lv 12:1-4), José e Maria foram apresentar Jesus no templo em Jerusalém.
Tendo Jesus nascido em Belém, uns magos vieram do oriente a Jerusalém, e encontraram-se com o rei Herodes (Mt2:1-4).
Os magos vieram por causa de uma estrela que viram aparecer. A estrela parou sobre onde estava o menino. Entraram na casa (já não é um estábulo) e entregaram as suas ofertas (Mt 2:9-12).
Os magos foram prevenidos por divina advertência para não voltarem à presença de Herodes (Mt2:12) e José é avisado em sonho para fugir para o Egipto porque Herodes havia de procurar o menino para o matar. Dispondo-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egipto (Mt 2:14)
Herodes mandou matar todos os meninos de Belém e arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo do qual com precisão se informara dos magos (Mt 2:16).
José, Maria e Jesus ficaram no Egipto até à morte de Herodes. Tendo Herodes morrido, um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egipto, dizendo-o para voltarem porque morreram os que atentavam contra a vida do menino (Mt 2:19-20).
Já no caminho do regresso, ouviram que Arquelau reinava na Judeia em lugar de seu pai Herodes, e temeram ir para lá. Foram para a região da Galileia, e habitaram em Nazaré.
Cumpridas as ordenanças da lei, voltaram para a Galileia, para a sua cidade de Nazaré (Lc 2:39). Este versículo em Lucas parece contradizer Mateus, mas não é o caso. Lucas apenas omite o que é narrado em Mateus (a visita dos magos, a fuga e regresso do Egipto e regresso), e passa imediatamente para o regresso a Nazaré.
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Quais são as questões relacionadas com estas informações?
Como já dissemos, temos de encontrar convergências com eventos históricos para conseguirmos estabelecer datas.
§  A morte de Herodes pode nos dar uma data limite. Porém não sabemos quanto tempo antes da morte de Herodes Jesus nasceu. Além disso, há incerteza quanto à data da morte de Herodes. Alguns defendem 5/4 a.C., outros 1 a.C.

§  A informação cronológica mais específica é a realização de um recenseamento na época em que Jesus nasceu. Mas o conhecimento da existência de um censo na Judeia em 6 d.C. tem causado um importante ponto de discussão e até tem desacreditado a veracidade do evangelho de Lucas. Lucas afirma que Jesus nasceu por ocasião do primeiro recenseamento, quando Quirino era governador da Síria (Lc 2:1-2). Há fontes que situam Quirino como governador da Síria entre 6 e 12 d.C., portanto, vários anos depois da data geralmente aceite para o nascimento de Jesus (ca. 6 ou 3/2 a.C.).

§  E a estrela de Belém. Que estrela foi essa que guiou os magos até Jesus? Existiu realmente um fenómeno celestial? Pode ser identificado? Ou é apenas uma invenção? Várias explicações têm sido dadas ao longo dos séculos. A astronomia é uma ciência que nos pode ajudar a desvendar o mistério?

§  O turno de Abias, ao qual pertencia Zacarias pai de João Batista, é outro recurso que tem sido utilizado para tentar situar no tempo o nascimento de Jesus.

Vamos estudar estas questões relacionadas com o nascimento de Jesus mais em profundidade nas próximas mensagens.