26/05/2014

40 ANOS NO DESERTO (ano 40 cont.)

Comparação dos dados do primeiro censo levantado no princípio do 2º ano (Num1) e do segundo censo no final do 40º ano no deserto, nas campinas de Moabe (Num 26). No segundo censo, ninguém ficou dos que foram contados no primeiro (Num 26:64), conforme o Senhor tinha avisado, toda a geração acabaria por perecer no deserto, exceto Josué e Calebe (Num 14:22-23; 26:64; Dt 1:34-35).

 
                               Num 1                                  Num26

Ruben                  46.500                                  ↓43.730
Simeão                59.300                                  ↓22.200
Gade                    45.650                                  ↓40.500

Judá                      74.600                                  76.500
Issacar                  54.400                                  64.300
Zebulon               57.400                                  60.500

Efraim                  40.500                                  ↓32.500
Manassés           32.200                                  52.700 (aqui, Manassés é contado antes de Efraim)
Benjamim           35.400                                  45.600

                          62.700                                  64.400
Aser                      41.500                                  53.400
Naftali                  53.400                                  ↓45.400

Total                     603.550                601.730

Observa-se que cinco das tribos decresceram em número, as restantes cresceram, embora a totalidade fica abaixo do primeiro censo. Os 40 anos passados no deserto não trouxeram crescimento a Israel, contrariamente aos anos passados no Egipto em que se multiplicaram grandemente (Ex 1:1-7).


40º ano – [10º mês]

A última campanha militar liderada por Moisés foi contra os midianitas (Num 31), para tomarem vingança por causa do caso de Baal-Peor (Num 25). Disse o Senhor a Moisés: Vinga os filhos de Israel dos midianitas (Num 25:17); depois serás recolhido ao teu povo (Num 31:1).

Antes de morrer, Deus disse a Moisés que ele não veria a terra e Josué é indicado como seu sucessor.

40º ano -11º e 12º mês

O livro de Deuteronómio regista os últimos discursos de Moisés antes de morrer, dalém do Jordão. No 1º dia do 11º mês, que é Shebat (janeiro-fevereiro), Moisés (Dt 1:3) fala com o povo relembrando-lhes toda a história de Israel passada no deserto até aquele momento e recordando as leis à nova geração.
Moisés tinha então 120 anos (Dr 31:2; 34:7).

Depois da morte de Moisés, cumpriu-se um luto de 30 dias (Dt 34:7-8).

Depois dos 30 dias de luto, 3 dias antes de passar o Jordão, Josué - o novo líder - mandou o povo prover-se de comida e envia os espias. Israel passa o Jordão no dia 10 do 1º mês, portanto, no 41º ano (ano 2553 AH). No dia 10 do 1º mês, subiram do Jordão e acamparam em Gilgal, da banda oriental de Jericó - é o dia em que é tomado o cordeiro para a Páscoa (Ex 12).

A morte de Moisés terá presumivelmente ocorrida no 7º dia do 12º mês do último ano passado por Israel no deserto.

 

26/04/2014

40 ANOS NO DESERTO (ano 40)

Entretanto passaram 39 anos desde que Abib foi instituído o primeiro mês do ano, dias antes de o povo de Israel sair do Egipto. Chegámos agora ao princípio do 40º ano da estadia de Israel no deserto. Os acontecimentos voltam a precipitar-se.

40º ano (ano 2552 AH) – 1º mês
No primeiro mês, toda a congregação chegou ao deserto de Zim; o povo ficou em Cades. Ali morreu Miriam e ali foi sepultada (Num 20:1).

Gerou-se uma nova contenda por causa da falta de água. “Oxalá tivéssemos perecido quando expiraram nossos irmãos perante o Senhor” (Num 20:3), referindo-se a um episódio semelhante 39 anos antes, de Massá e Meribá (Ex 17:1-7), mas a não confundir com esse.
Em Ex. 17, o Senhor dissera a Moisés para ferir a rocha, agora diz-lhe para falar à rocha, mas Moisés feriu a rocha duas vezes com a sua vara. – São estas as águas de Meribá (Num 20:13), que significa conflito, como em Ex 17.

De Cades, enviou Moisés mensageiros ao rei de Edom, pedindo permissão para passar pela terra dos filhos de Esaú (Esaú = Edom), que habitavam em Seir. (Num 20:14-21; Dt 2:4-8). Mas Edom não os deixou passar. Israel não foi autorizado a pelejar contra Edom, porque aquela terra fora dada a Edom. Por isso, Israel desviou-se (Num 20:14-21).

Então partiram de Cades e foram ao monte de Hor, nos confins da terra de Edom.

40º ano (ano 2552 AH) – 5º mês
Dia 1 - Arão morre no monte de Hor (Num 20:22-29), no quinto mês, que é Ab, no primeiro dia do mês. Arão tinha 123 anos (Num 33:38). Tinha 83 anos (ano 2512 AH) quando Moisés e ele foram falar a Faraó (Ex 7:7) antes do êxodo.

Israel chora a Arão 30 dias, o que nos leva ao 6º mês.

40º ano (ano 2552 AH) – 6º mês

Israel peleja contra o cananeu, rei de Arade, que habitava no Neguebe e destrói-o em Hormá (Num 21:1-3). É a primeira vitória de Israel.

Então partiram do monte Hor, pelo caminho do Mar Vermelho, a rodear a terra de Edom (Num 21:4). Isto é, voltaram para sul, a caminho de Elate e Eziom-Geber, na ponta norte do Mar Vermelho, para depois seguir novamente em direção norte a caminho do deserto de Moabe (Dt 2:4-8). (Ver mapa no final da mensagem)

Neste caminho passaram por e acamparam em Zalmona (Num 33:41) e em Punom (Num 33:42).

O povo tornou-se impaciente no caminho. Em Punom ocorre o episódio da serpente abrasadora (Num 21:5-9). Depois partiram e acamparam em Obote (Num 21:10; Num 33:43)

Partiram de Obote e acamparam em Ijé-Abarim (= as ruinas de Abarim), no termo de Moabe (Num 33:44; Dt 32:49), no deserto que está defronte de Moabe, para o nascente. Não se consegue perceber se Ijé-Abarim está na margem sul ou norte do Zered, que é a fronteira sul da terra de Moabe.

Em Num 21 estão referidos alguns acampamentos que não aparecem em Num 33, e vice-versa. Parece que Num 33 dá os grandes pontos de paragem, mas poderá haver vários outros locais de passagem. Não se conhece a localização geográfica da maior parte destes lugares.

Mas temos neste período um ponto cronológico importante, que é a passagem do ribeiro de Zerede (Dt 2:13-14). O ribeiro de Zerede desagua no extremo sul do Mar Morto, vindo do oriente, e formava a fronteira sul da região de Moabe.

- O tempo que caminhámos desde Cades-Barneia até passarmos o ribeiro de Zerede foram 38 anos, até que toda aquela geração dos homens de guerra se consumiu do meio do arraial (Dt 2:14).

Vimos na mensagem anterior que foi aproximadamente no 6º mês que os espias voltaram de espiar a terra e que foram obrigados a voltar para o deserto. Desde aquele momento até à passagem do ribeiro de Zerede foram exatamente 38 anos, mês por mês.


40º ano (ano 2552 AH) – do 7º ao 10º mês aproximadamente
Depois de passarem o ribeiro de Zerede, passaram os territórios de Moabe, que também não foram autorizados a molestar, até chegarem ao ribeiro de Arnom. Então Israel mandou mensageiros a Seom, rei dos amorreus, pedindo passagem, que não lhes foi dada (Num 21:21-35).

O ribeiro de Arnom era a fronteira de Moabe, entre Moabe e os amorreus (Num 21:13). A norte do Arnom era território do rei de Seom, amorreu (Num 21:13). O Arnon desagua no Mar Morto, mais ou menos ao meio, vindo do oriente.

- Eis aqui na tua mão tenho dado a Seom, amorreu, rei de Hesbom, e a sua terra; passa a possuí-la e contende com eles em peleja (Dt 2:24-35; Num 21:21-31).

Depois de passaram o ribeiro de Arnom, Israel conquistou a terra de Seom, desde Arnom até Jaboque, dos filhos de Amon, que Israel também não era autorizado a molestar (Dt 2:19). O Jaboque desagua no Jordão, vindo do oriente, a cerca de 50 km a norte do Mar Morto.

A primeira grande batalha e vitória contra Seom foi em Jaza (Dt 2:32); depois tomaram todas as suas cidades; e assim Israel habitou na terra dos amorreus (Num 21:31).

É no território de Seom que se situa Hesbon e os acampamentos de Dibon-Gade e Almon-Diblataim.

Depois mandou Moisés espiar a Jazer; tomaram as suas aldeias e desapossaram os amorreus (Num 21:32). Ainda subiram o caminho de Basã, mais a norte e a oriente do território de Amom, e feriram a Ogue, rei de Basã, e tomaram posse da sua terra (Num 21:33-35; Dt 3:1-11). É toda esta região que ficaria mais tarde de posse para Ruben, Gade e a meia tribo de Manassés (Dt 3:12-17).

Partiram [dos montes de Abarim?] e acamparam-se nas campinas de Moabe, junto ao Jordão, na altura de Jericó (Num 33:48). Acamparam-se junto ao Jordão, desde Bete-Jesimote até Abel-Sitim, nas campinas de Moabe (Num 33:49).

É nesse tempo que Balaque, com medo porque viu o que Israel fizera aos amorreus, mandou chamar a Balaão para amaldiçoar Israel (Num 22-24).

Habitando Israel em Sitim, nas campinas de Moabe, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas, o que originou uma praga (Num 25).

Passada a praga, O Senhor ordena a Moisés e Eleazar, filho de Arão, para levantar o censo dos filhos de Israel, de 20 anos para cima, os capazes de sair à guerra (Num 26). Entre os que foram contados, nenhum houve dos que foram contados por Moisés e pelo sacerdote Arão, quando levantaram o censo dos filhos de Israel, no primeiro dia do segundo mês do segundo ano, no deserto de Sinai (Num 26:64).

Faltava pouco tempo para os 40 anos no deserto chegarem ao fim.

 

 


Fonte: http://www.searchingthescriptures.net/main_pages/free_bible_land_maps/map032.htm

21/04/2014

40 ANOS NO DESERTO (ano 2)

Segundo ano (ano 2514 AH) – 1º mês

No primeiro mês do segundo ano, no primeiro dia do mês levantou-se o tabernáculo; e Arão e os filhos são ungidos para o ofício (Ex 40).
No dia em que Moisés acabou de levantar o tabernáculo, e durante 12 dias seguidos, os príncipes das tribos de Israel, que haviam presidido ao censo, trouxeram as suas ofertas perante o Senhor (Num 7). Depois, a glória do Senhor apareceu a todo o povo e saiu fogo de diante do Senhor e consumiu o holocausto.

Arão e seus filhos, durante os 7 dias que durava a sua consagração, não podiam sair da porta da tenda (Lev 9:33-36). Ao 8º dia foram chamados e cumpriram vários holocaustos como lhes tinha sido ordenado (Lev 9).
Parece ter sido nessa ocasião (não há qualquer interrupção na narrativa) que Nadabe e Abiú ofereceram fogo estranho (Lev 10:1-5) e morreram, por não terem agido de acordo com a lei. Além disso, Moisés indignou-se contra Eleazar e Itamar por não terem comido a oferta pelo pecado no lugar santo, como devia de ser (Lev 10:16-20), ao que Arão respondeu (ver Lev 10:19) com uma justificação, que foi aceite.

Dia 14 – celebração da Páscoa no deserto do Sinai (Num 9), um ano depois da Páscoa celebrada ainda no Egipto.

Segundo ano – 2º mês

Dia 1 – Deus fala a Moisés para levantar o censo à congregação, contando os homens da idade de 20 anos para cima, todos os capazes de sair à guerra. Ajuntaram a congregação, aparentemente no mesmo dia (Num 1:18). Foram contados 603.550, menos os da tribo de Levi, que não foram contados no censo.

A ordem em que são apresentados os números de cada tribo (Num 1) é a mesma ordem segundo a qual as tribos foram organizadas no arraial em volta do tabernáculo e os príncipes ofereceram a sua oferta (Num 7). A única diferença é que o censo inicia-se com Ruben (e as tribos do seu grupo), a ordem do arraial com Judá. O censo deve ter sido feito depois da organização do arraial. A ordem do arraial foi definida e executada com vista à retoma da viagem que sucederia no dia 20 do 2º mês, logo a seguir à segunda Páscoa.
Ordem do censo:

Ruben - Simeão - Gade / Judá - Issacar - Zebulon / Efraim - Manassés - Benjamin / Dã - Aser - Naftali

Ordem das tribos no arraial (fora os levitas que se acampam imediatamente ao redor do tabernáculo):

 
Aser
Naftali
 
Benjamin
 
 
 
Judá
Manassés
 
Tabernáculo
 
Issacar
Efraim
 
 
 
Zebulon
 
Gade
Simeão
Ruben
 


Dia 14 – Há uma segunda celebração da Páscoa para alguns que se achavam imundos no mês anterior (Num 9). Neste grupo incluíam-se Misael e Elzafã, que tinham sido chamados por Moisés para retirem os corpos de Nadabe e Abiú para fora do arraial (Lev 10:4-5).

Dia 20Israel pôs-se em marcha pela primeira vez depois de terem chegado ao Sinai, onde permaneceram quase um ano (Num 10:11-13). “Tempo bastante haveis estado neste monte”, recorda Moisés no final do 40º ano no deserto (Dt 1:3,6). O objetivo era o deserto de Parã (Num 10:12), de onde entrariam na terra prometida (Dt 1:6-8).

Num 10:12 – Os filhos de Israel puseram-se em marcha do deserto de Sinai, jornada após jornada; e a nuvem repousou no deserto de Parã (Num 12:16).

Dia 22 – Desde o Sinai fizeram caminho de 3 dias até ao próximo lugar de descanso (Num 10:33), que é Quibrote-Taavá, primeiro acampamento depois de terem partido do monte do Senhor no deserto do Sinai (Num 33:16).
Ainda antes de chegar a Quibrote-Taavá, queixou-se o povo da sua sorte aos ouvidos do Senhor; ouvindo-o o Senhor, acendeu-se-lhe a ira, e o fogo do Senhor ardeu entre eles, e consumiu extremidades do arraial… o lugar chamou-se Taberá (Num 11:1-3).

O povo veio a ter desejo por carne e queixa-se do maná (Num 11:4-9). Nesta altura, Moisés sente-se sobrecarregado, não conseguindo sozinho levar o povo (Num11:10-30; Dt 1:9-18).

Em Quibrote-Taavá, um vento trouxe codornizes, que provocaram uma praga.

Segundo ano – 3º mês
Comeram carne durante um mês inteiro (Num 11:19-20). Por isso, pelo menos um mês ficaram em Quibrote-Taavá. Ussher fala em 23 dias (??). (Não consegui entender porquê). (Ussher, p.46, § 234)

Por volta do dia 23, saem de Quibrote-Taavá para Hazerote.

Segundo ano – 4º mês
Em Hazerote, Miriam e Arão falam contra Moisés. Miriam ficou 7 dias fora do arraial, e no 8º dia partiram de Hazerote e acamparam-se no deserto de Parã, em Cades-Barneia. Não sabemos quando chegaram a Hazerote e quantos dias lá ficaram (Num12:16;13:26). Era o erguer da nuvem que indicava a partida. Mas se a nuvem se detinha sobre o tabernáculo por dois dias, ou um mês, ou por mais tempo, enquanto pairava sobre ele, os filhos de Israel permaneciam acampados, e não se punham em marcha; mas, erguendo-se ela, partiam (Num 9:22).

Partiram de Hazerote e acamparam no deserto de Parã, a Cades-Barneia (Num12:16 Dt 1:11).
No tempo de Abraão, Cades chamava-se En-Mispate (Gn 14:7). Ficava na fronteira sudeste da Palestina, e na fronteira de Edom (Num 20:16), no deserto de Parã, ou Zim, sendo que os dois nomes são utilizados para indicar o mesmo lugar (Num 13:3, 21, 26; 20:1; 33:36).

Segundo ano – 5º mês
Do deserto de Parã - Cades-Barneia - Moisés envia espias a Canaã. Eram os dias das primícias das uvas (Num13:20). Segundo Jamieson, Fausset & Brown, e Ussher, seria julho/agosto (mês de Av, o 5º mês).

Segundo ano – 6º mês
Os espias voltaram depois de 40 dias.

Trouxeram um cacho de uvas pendurado num ramo de vide, e figos e romãs. Segundo Ussher, é provável que isto tenha sido antes do 7º mês, antes da festa dos tabernáculos, que era celebrada no dia 15 do 7º mês quando a colheita era terminada (Ex 23:16;Lev 23:39; Dt 16:13).
Dez dos doze homens que foram enviados infamaram a terra, incitando com isso todo o povo. Os espias que infamaram a terra morreram de praga (Num 14:36-37).

Deus declarou que todos os que foram contados no censo, de 20 anos para cima, não entrariam na terra prometida, e que morreriam no deserto. – Vossos filhos serão pastores neste deserto 40 anos (Num 14:33).
Apenas Josué e Calebe acreditaram que Deus lhes daria a vitória e receberam a promessa de que possuiriam a terra. Nessa altura, Calebe tinha 40 anos (Js 14:7).

Ora os amalequitas e os cananeus habitam no vale; mudai amanhã de rumo e caminhai para o deserto pelo caminho do Mar Vermelho (Num 14:25).
Aparentemente ainda ficaram muitos dias em Cades (Dt 1:46). Depois seguiram para o deserto, caminho do Mar Vermelho, isto é, em direção ao sul. E muitos dias rodearam a montanha de Seir (Dt 2:1).

Números 33:18-36 elenca os vários acampamentos onde Israel esteve ao longo de 38 anos, desde Hazerote até regressar a Cades (v.36) no 1º mês do 40º ano, quando morre Miriam (Num 20:1), e onde se dá o início das últimas jornadas antes da entrada na terra de Canaã:
Hazerote – Ritmá – Rimom-Perez – Libna – Rissa – Queelata – monte Sefer – Harada – Maquelote – Taate – Tara – Mitca – Hasmona – Moserote – Bene-Jaacã – Hor-Gidgade – Jotbata – Abrona – Eziom-Geber – deserto de Zin, que é Cades (Num 33:18-36).

Estranhei que, a seguir a Hazerote, Cades não é mencionado (Num 33:18), mas Ritmá.
Avaliei outra hipótese: Seria possível que todos os acampamentos acima referidos façam parte da primeira jornada do Sinai até Cades, de onde foram enviados os espias?

No entanto, a hipótese de o v.36 se referir ao primeiro acampamento em Cades (quando os espias foram enviados), revela-se impossível. Há 18 acampamentos entre Hazerote (v.18) e Cades (v.36), mas a jornada do monte Horebe a Cades era de apenas 11 dias (Dt 1:2). Fizeram 3 dias de caminho de Horebe a Quibrote-Taavá. Isto significa que de Quibrote-Taavá, passando por Hazerote, até Cades, não teriam mais de 8 dias de caminho. O relato em Num 10 e 11 e Dt 1:1-8, 19 não dão a entender que Israel teria feito um desvio tão grande para chegar a Cades. Parece evidente que todos os acampamentos de Rimom-Perez a Eziom-Geber pertencem ao período de 38 anos quando Israel foi ordenado regressar ao deserto pelo caminho do Mar Vermelho. Ezion-Geber é um porto, junto à atual Eilat, na margem do Mar Vermelho, na terra de Edom (1Rs 9:26).
Easton’s Bible Dictionary apresenta Ritmá como o lugar do acampamento de Israel perto de Cades.

Se o êxodo do Egipto e o primeiro ano e meio no deserto estão descritos em pormenor, certas partes até são relatadas dia por dia, dos 38 anos no deserto apenas ficaram registados alguns episódios (a rebelião de Coré, a vara de Arão floresce), até que a história retoma no 40º ano, com o regresso a Cades e a morte de Miriam (Num 20:1).

12/04/2014

40 ANOS NO DESERTO (ano 1)

Primeiro ano (ano 2513 AH) – 1º mês

Dia 15 - O povo de Israel partiu de Ramessés no Egipto no primeiro mês do ano 2513 AH, mais exatamente no 15º dia de Abib no dia seguinte à Páscoa (Num 33:3). De Ramessés foram para Sucote.
Acamparam em Sucote (Num 33:5).

De Sucote, partiram para Etã, que está no fim do deserto.
Em Etã receberam ordem para retroceder e acampar defronte de Pi-Hairote, em frente ao mar, onde ficaram aparentemente presos entre o deserto, o mar e o exército de Faraó que, depois do sismo, os perseguiu (Ex 14).

Partiram de Pi-Hairote; atravessaram o mar. De lá, partiram para o deserto de Sur, caminho de 3 dias, até chegarem a Mara (Ex 15:22-26).
De Mara foram para Elim, onde havia fontes de água e palmeiras, um oásis, onde puderam descansar da fuga e retomar forças.

Primeiro ano – 2º mês
No dia 15 do segundo mês, isto é exatamente um mês depois de terem partido de Ramessés, partiram de Elim e, passando pelo Mar Vermelho (Num 33:10-11), rumaram para o deserto de Sim, o que levou o povo novamente a murmurar (Ex 16). O deserto de Sim está entre Elim e o Sinai.

Naquele tempo é dado o maná (pela manhã: o maná, e à tarde, codornizes, Ex16:12-13) e é instituído o sábado do Senhor (Ex 16).
Partiram do deserto de Sim, fazendo suas paradas. A caminho de Refidim (Ex 17:1), passaram por Dofcá e Alus onde acamparam (Num 33:12-14).

Chegando a Refidim, onde acamparam, não havia água para o povo beber (Num 33:14). Moisés fere a rocha em Horebe. O lugar é chamado Massá e Meribá (Ex 17:1-7).
Então veio Amaleque – presumivelmente os hicsos, o povo “amu” (= asiático) que veio também fugindo de uma terra devastada pelo mesmo cataclismo que tocou o Egipto e toda a região – e atacou Israel que encontrou na sua caminhada para o Egipto (ver mensagem sobre os amalequitas).

Dá-se a peleja contra Amaleque, cerca de 5 a 6 semanas depois da saída de Ramessés.
Visita de Jetro, sogro de Moisés. Por conselho de Jetro constituiu cabeças sobre o povo, para julgar (Ex 18).

Primeiro ano – 3º mês
Depois, partiram de Refidim e acamparam no deserto de Sinai, onde chegam no primeiro dia do terceiro mês. No deserto do Sinai, Israel acampou em frente do monte (Ex19:1-2). Isto é: cerca de um mês e meio depois de terem saído de Ramessés.

Ao terceiro dia Deus dá a lei (Ex19), descendo à vista do povo sobre o monte Sinai.
A lei veio 430 anos depois da promessa (Gal 4:17). Relembramos que no ano 2083 morreu Terá e Abrão partiu para Canaã com 75 anos. Recebe a promessa quando chega a Canaã (Gn 12: At 7:5). Estamos no ano de 2513 AH  (2083 + 430).
Moisés permanece por 40 dias e 40 noites no monte (Ex 24:18), onde recebe as instruções relativamente à construção do tabernáculo, sacerdócio e rituais do santuário, e recebe as tábuas da lei (Ex 25 -31).

Primeiro ano – 4º mês
Enquanto Moisés estava no monte, o povo rebelou-se e fizeram o bezerro de ouro (Ex 32).

Moisés desce do monte. Parte as tábuas da lei.
Moisés regressa ao monte, 40 dias e 40 noites. Deus reitera a sua aliança.

Em atenção aos dias já passados, presumivelmente no 6º mês terá iniciado a obra de feitura de todos os elementos constituindo o tabernáculo, por Bezalel, filho de Uri, filho de Hur da tribo de Judá, e Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, ajudados por todo o homem hábil a quem o Senhor dera habilidade e inteligência e cujo coração o impeliu a se chegar à obra para fazê-la (Ex 36:1-2).

No primeiro dia do primeiro mês Moisés tinha ordem para levantar o tabernáculo (Ex 40:1). Será o início do segundo ano no deserto.

05/04/2014

O TEMPO DAS PRAGAS NO EGIPTO

Uma revisão desta teoria foi publicada em 4-11-2019

Quanto tempo passou desde que Moisés falou pela primeira vez com Faraó até à última das pragas, a morte dos primogénitos?

Floyd Nolen Jones (p.70) apresenta um quadro com a cronologia das pragas e demonstra uma duração de 40 dias contados a partir da primeira “praga” (a vara que se tornou em serpente). Regista, porém, nada mais comenta.
O assunto não chamou a minha atenção até ter tomado conhecimento de Velikovsky e a sua teoria de que houve uma grande catástrofe natural na época em que se deu a saída dos filhos de Israel do Egipto. Se os 40 dias, ou uma duração curta aproximada, estão corretos, isto pode ser um aspeto que dá apoio à teoria da catástrofe natural e a contemporaneidade com o Papiro de Ipuwer.

Em geral, as várias pragas são explicadas como ocorrências naturais, de natureza pontual. Por exemplo,no Egipto, o siroco sopra no outono e na primavera. O vento quente também é chamado “khamsin”, o que significa “cinquenta”, porque durante 50 dias no ano este sopro do deserto traz nuvens de pó. Há imagens em que se pode ver o céu escurecido num dia de siroco. O deserto pode trazer nuvens de gafanhotos, que cobrem o céu como uma tela de modo que o sol é obscurecido durante a sua passagem. A cor acastanhada das águas do Nilo, especialmente antes de transbordar, lembra a cor de sangue. As pragas são descritas como desconfortos causados pelo clima.
Mas a ocorrência de uma série de fenómenos juntos, num tão curto espaço de tempo, não é uma situação normal, mas é sinal de uma situação extraordinária, que pode estar associada a uma grande catástrofe natural - que foram as “grandes manifestações de julgamento” que o Senhor avisou Moisés de que iam acontecer (Ex 7:3-4).

Analisemos a história dia a dia no livro do Êxodo.
Dia 1 – Ex 7:10 – Moisés e Arão se chegaram a Faraó. Arão lançou a sua vara, que se transformou em serpente. Os magos do Egipto fizeram a mesma coisa, mas a vara de Arão devorou as deles. Mas Faraó não ouviu e o Senhor diz a Moisés para ir ter com Faraó novamente “pela manhã” (7:15).

Dia 2 – Ex 7:15- Quando Faraó saiu às águas pela manhã, Moisés já estava à espera dele na beira do rio. Moisés e Arão fizeram o que o Senhor lhes tinha ordenado, e a água se tornou em sangue. Os peixes morreram, o rio cheirou mal, não se podia beber.
Dia 9 - Ex 7:25 - Assim se passaram 7 dias, depois que o Senhor feriu o rio.

Dia 10 – Ex 8:1 - Depois disse o Senhor a Moisés para novamente ir ter com Faraó. Subiram rãs.
Dia 11 – Ex 8:8 – Faraó chamou a Moisés e Arão para tirar as rãs. Moisés pergunta a Faraó quando é que ele havia de rogar para que as rãs fossem retirada e ficassem somente no rio. Faraó respondeu: amanhã.

Dia 12 – Ex 8:12 – Moisés clamou ao Senhor conforme tinha combinado com Faraó no dia anterior. Morreram as rãs, que foram ajuntados em montões. Porém, Faraó viu que havia alívio, e não os ouviu.
Dia 13 – Ex 8:16-18 -Desta vez, sem qualquer aviso a Faraó, Moisés e Arão foram instruídos para estender a vara e houve piolhos por toda a terra. O coração de Faraó continua endurecido.

Dia 14 – Ex 8:20—Pela manhã cedo, segundo a ordem do Senhor, Moisés vai apresentar-se a Faraó, que sairá às águas. Desta vez vai enviar enxames de moscas, mas fará distinção entre o povo do Egipto e o povo de Israel. “Amanhã se dará este sinal” (Ex 8:24).
Dia15 – Ex 8:24 – vieram grandes enxames de moscas

Dia 16 ?– Faraó chamou a Moisés …. “amanhã” estes enxames de moscas se retirarão
Dia 17 – Ex 8:31 - Os enxames de moscas se retiraram conforme a palavra de Moisés. Mas ainda esta vez Faraó endureceu o coração.

Dia 18 – Ex 9:1-7 – Novo aviso de Moisés a Faraó: pestilência, com distinção entre os rebanhos do Egipto e os dos israelitas “Amanhã fará o Senhor isto na terra” (v.5)
No dia seguinte,

Dia 19 – Todo o rebanho dos egípcios morreu. Mas Faraó continua endurecido.
Dia 20 – Ex 9: 8-12 – Sem aviso, Moisés e Arão tomaram cinza de forno e o atiraram para o céu e tornou-se em tumores nos homens e nos animais.

Dia 21 – Ex 9:13-26 – Pela manhã cedo, Moisés apresenta-se novamente a Faraó. Eis que amanhã por este tempo farei cair mui grave chuva de pedra. Manda recolher o teu gado.
Dia 22 – Moisés estende a vara para o céu e o Senhor deu trovões, chuva de pedras e fogo misturado, em toda a terra do Egipto, exceto na terra de Gosen.

O linho e a cevada foram feridos, pois a cevada já estava na espiga e o linho em flor. Porém o trigo e o centeio não sofreram dano, porque ainda não haviam nascido.
Dia 23 – Ex 9:27-35 – Faraó manda chamar Moisés. Moisés promete que a chuva de pedras cessará quando ele sair da cidade. A chuva de pedras cessa, mas Faraó continua endurecido.

Dia 24- Ex 10:1-20 – Moisés e Arão apresentam-se a Faraó: se recusares deixar ir o meu povo, eis que amanhã trarei gafanhotos ao teu território. Comerão o restante que escapou à chuva de pedras. Depois de avisar Faraó, Moisés virou-se e saiu da presença de Faraó (v.6). Os oficiais de Faraó tentam convencê-lo a deixar ir os israelitas, porque o Egipto está arruinado (v.7), sem sucesso. Moisés e Arão são expulsos da presença de Faraó.
Moisés estende a sua vara, e o Senhor traz um vento oriental todo aquele dia e aquela noite.

Dia 25 – quando amanheceu, o vento oriental trazia gafanhotos, que cobriram a superfície da terra e devoraram toda a erva, todo o fruto e nada restou de verde nas árvores e no campo.
Dia 26 - Faraó apressou-se a chamar Moisés (v.16). Forte vento ocidental que levantou os gafanhotos e os lançou no mar Vermelho.

Dia 27 – Ex 10:21-23 – Sem aviso a Faraó. Trevas espessas sobre toda a terra do Egipto por 3 dias. Os filhos de Israel tinham luz nas suas habitações.
Dia 30 – Ex 9:24-29 – Faraó manda chamar Moisés. Mas mais uma vez Faraó não aceita as exigências de Moisés e endurece o coração. A partir desse momento, nunca mais se verão (v.26-27). Antes de se retirar da presença de Faraó, em ira, Moisés ainda o avisa “Cerca de meia-noite passarei pelo meio do Egito e todo o primogénito na terra do Egipto morrerá. Haverá grande clamor como nunca houve” (Ex11:1-8).

Estes 30 dias devem ter sido um período de grande tensão para Moisés e Arão. O fim já não demoraria muito. A última praga já foi anunciada. Certamente os israelitas teriam começado a preparar a partida.
É possível que o dia seguinte (ao 30º dia) tenha sido o primeiro dia do mês de Abibe, porque Deus diz a Moisés que “este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano” (Ex12:2) e instrui-o sobre a celebração da Páscoa.

No dia 10 do mês de Abibe, cada um tomará para si um cordeiro … que deverão guardar até ao dia 14 do mês e imolá-lo no crepúsculo da tarde. Comerão o cordeiro naquela mesma noite, preparados para sair. Naquela noite serão feridos os primogénitos do Egipto.
Moisés chamou os anciãos de Israel e instrui-os sobre a Páscoa. Os anciãos terão por sua vez informado todo o povo, para o que necessitariam de uns dias. Mas visto a rapidez em que se sucederam os acontecimentos, transparece uma grande urgência em tudo isto.

Se considerarmos que foi no primeiro dia do mês que Deus disse a Moisés: Este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano” (Ex 12:2), seriam mais 14 dias até à saída na noite da Páscoa, depois de o Senhor ferir os primogénitos à meia-noite. E se Moisés recebeu esta instrução depois da nona praga, há um período de cerca de 44 dias desde o primeiro aviso.
No dia 15 de Abibe, no meio da confusão gerada no Egipto, os israelitas puseram-se a caminho, sem oposição.  

16/03/2014

O ÊXODO (5) e OS AMALEQUITAS

Se os acontecimentos catastróficos descritos no Papiro Ipuwer (e nos outros documentos que referimos anteriormente) e a saída dos filhos de Israel do Egipto ocorreram quase simultaneamente com a invasão dos amu (designação egípcia para povos asiáticos) no Egipto, há uma grande possibilidade que estes amu sejam os hicsos, e que possam ser identificados com os amalequitas da Bíblia, segundo defende Velikovsky.

- Quem eram os amalequitas que se encontraram com Israel pouco depois de estes terem saído do Egipto?
Os comentadores bíblicos estão divididos. Uns apontam para os descendentes de Amaleque, neto de Esaú através do seu filho Elifaz com uma concubina (Gn 36:12). Outros apontam para um povo mais antigo, que já existia no tempo de Abraão (Gn 14:7).

Em Num 24:20, Amaleque é chamado por Balaão “o primeiro das nações”. Isto pode referir-se a uma existência antiga, embora não apareça na lista das nações de Génesis 10 (Easton's Bible Dictionary).

- Quem eram os hicsos? Voltemos a Velikovsky:
O historiador egípcio Maneto é a fonte principal da informação sobre a invasão dos hicsos. Os escritos de Maneto já não existem, mas parte deles foram preservados através de outros autores, entre outros Flávio Josefo, historiador judeu, no seu panfleto Contra Apion. Segundo Maneto um povo de origem ignóbil, vindo do oriente, invadiu o país, e dominaram-no sem dificuldade, mesmo sem qualquer batalha. De onde vieram os hicsos? Nos dias de Maneto, alguns diziam que eram arábios. O nome é explicado por Maneto e significa reis-pastores. Na literatura egípcia, os hicsos eram designados “amu”.

Os hicsos eram conhecidos como um povo cruel, destruidor. Não se conhecem monumentos ou obras literárias que sobreviveram ao seu tempo, salvo lamentações, como de Ipuwer.
As Escrituras não fornecem informações sobre o que aconteceu no Egito depois da saída dos israelitas. Mas o Papiro de Ipuwer conta de invasões e de um país atormentado por um conquistador cruel, que subjugou o país sem encontrar resistência. Vandalizaram e destruíram, violaram as mulheres, escravizaram a população, e mutilavam.

Os invasores vieram do oriente, da Ásia, como é dito no Papiro Ipuwer, enquanto os israelitas iam na direção do oriente. Os dois continentes, Ásia e África, são conectados por um pequeno triângulo de terra. Era bastante provável que os israelitas, ao se dirigirem para oriente, para o deserto, se encontrassem com os invasores que vinham na direção das fronteiras egípcias.
Encontraram-se em Refidim, no segundo mês depois de terem saído do Egipto. Prevaleceram contra Amaleque a muito custo (Ex 17:8-16). Esta foi a primeira das batalhas contra os amalequitas. Não seria o último encontro. Dt 25:17-19 dá a entender que houve outros ataques aos mais fracos, desfalecidos e afadigados na retaguarda. A beira da terra prometida, os espias avistaram os amalequitas, que habitavam na terra do Neguebe (isto é, no sul) (Num 13:29) e Israel teve medo e foram obrigados a regressar ao deserto por 40 anos.Para inspirar este imenso medo, os amalequitas deviam ser mais que meras tribos de beduínos, mas deviam representar uma força maior.

Se os hicsos vieram da Arábia, como alguns afirmam, não haverá testemunhos disto em fontes árabes, pergunta Velikovsky? Os historiadores árabes consideram os amalequitas como sendo uma das mais antigas tribos árabes, embora não estejam de acordo sobre a sua origem, se de Sem, se de Cão. Eles dominavam na península árabe.
Na literatura árabe medieval também existe uma tradição da ocorrência de uma grande catástrofe natural, com pragas de insetos, sismos, nuvens e um marmoto que destruiu toda a costa da península. Os mesmos fenómenos ocorreram na Arábia e no Egipto. Esta catástrofe causou a migração de amalequitas em direção à Síria e ao Egipto.

Ainda segundo a literatura árabe, os amalequitas invadiram a Síria e o Egipto e estabeleceram uma dinastia de faraós. Um rei amalequita, vindo da Síria, conquistou o Egipto, tomou o trono e ocupou-o sem oposição, o que mais uma vez lembra as palavras de Maneto (através de Josefo) sobre a vinda de um povo do oriente que tomou o domínio sem dificuldade ou sequer luta. Os amalequitas destruíram monumentos e objetos de arte. O mesmo é dito em fontes árabes e por Maneto. Relembra-se também a inscrição da rainha Hatschepsute sobre os amu que habitavam no delta e em Avaris (que seria uma cidade situada num ponto estratégico a oriente do delta do Nilo), cujas hordas destruíram as obras antigas e reinaram ignorantes do deus Ra.


A duração e extensão do domínio dos hicsos.

O domínio dos hicsos no Egipto estendia-se entre o Império Médio e o Império Novo. Existem várias teorias sobre a duração deste período. Segundo Maneto e Josefo, o período dos hicsos durou 511 anos. Porém nos livros modernos da história do Egipto, este período é drasticamente reduzido a cerca de 100 anos. Ainda outros avançam uma duração de 1660 anos. Velikovsky atribui a este período uma duração de 440 anos, equivalente ao número de anos que os israelitas passaram no deserto, o tempo de Josué e da liderança dos Juizes. Ele atribui a libertação do Egipto dos hicsos e a conquista de Avaris ao rei Saul. Voltaremos em tempo a este assunto e às razões alegadas por Velikovsky.
Quanto à extensão do domínio dos hicsos, este não estava confinado ao Egipto. Selos oficiais nomeadamente do rei Agague foram encontrados em vários países, até em Cnossos (Creta), o que levou os historiadores a terem de admitir que os hicsos, mesmo se por um duração limitada, comandavam um grande império e tinham uma extensa influência política.

Os israelitas encontraram os amalequitas quando tentaram entrar em Canaã a primeira vez (Num 14:43, 45), e repetidamente no tempo dos Juizes, oprimindo os israelitas (Jz 3:13; 6.13; 7:12;10:12;12:15), até que Saul os derrotou (1 Samuel 15) embora não executasse inteiramente o mandamento do Senhor.
A revisão apresentada por Velikovsky coloca o tempo de Israel no deserto, de Josué e Juízes no período dos hicsos/amalequitas. Em harmonia com este esquema revisto, os amalequitas deviam ser naquele tempo o povo mais poderoso entre as nações. Isto é corroborado na Bíblia. No episódio de Balaque e Balaão, Balaão profetiza que em Israel haveria “um rei que se levantará mais do que Agague” (Num 24:7) e disse que Amaleque era “o primeiro das nações, porém o seu fim será destruição” (Num 24:20). Estas passagens dão a entender que os amalequitas não eram apenas umas tribos “terroristas” do deserto, que viviam de ataques e saques como muitas vezes é ensinado. Ou como em certo comentário é explicado que o “primeiro das nações” significa que era a primeira nação que se opôs a Israel depois da saída do Egipto. Parece-me todavia fazer mais sentido que Amaleque era a mais poderosa das nações naquela época. O Rei que o Senhor havia de levantar em Israel seria maior do que Agague.

09/03/2014

ÊXODO (4)

Velikovsky encontrou em 3 documentos egípcios indícios que os situam na mesma época que o êxodo dos Israelitas do Egipto. Uma grande catástrofe natural – provavelmente um sismo de grande magnitude, erupções vulcânicas, um tsunami – seguida da invasão de um povo asiático, os Amu, e um período de grande confusão, desordem, miséria e violência que se segue à catástrofe natural associada à invasão e ocupação do território egípcio pelos amu.

Quem são estes amu? Quando ocorreram estas coisas?
Tradicionalmente, o êxodo é situado na 18ª ou 19ª dinastia. Alguns identificam Israel com os hicsos. Outros são da opinião que foram os hicsos que acolheram José e a sua família, sendo conhecidos como os reis-pastores. O faraó Amósis da 18ª dinastia teria expulso os hicsos. Ele, ou o seu sucessor Amenotepe I, ou Tutmés, foi o responsável pela política repressiva e que reduziu os hebreus à escravidão. A princesa que salvou Moisés teria sido Hatshepsute. Outros alegam que o faraó da opressão foi Ramsés da 19ª dinastia, devido ao nome da cidade-armazém construída pelos israelitas.

Porém, as deduções de Velikovsky vêm baralhar esta cronologia.
Retomando a pergunta deixada na última mensagem, quando, na história do Egipto, se podem situar os acontecimentos descritos no Papiro de Ipuwer, no monólito de El-Arish e no Papiro do Hermitage?

O tempo descrito no Papiro de Ipuwer, segundo a opinião do papirólogo alemão Kurt Sethe, é o do tempo da invasão dos hicsos. Portanto, do período intermédio entre o Império Médio e o Império Novo (ver o quadro cronológico infra).
Os que estudaram o papiro Ipuwer concordam que o documento é uma cópia de outro mais antigo. Mas a maneira de escrever é a do Império Médio. Isto coloca-o, na opinião de Gardiner, que traduziu o texto, no período que separa a 6ª da 11ª dinastia, portanto numa época ainda anterior ao Império Médio e muito anterior ao tradicional. Mas ele deixou a questão em aberto.

Para Velikovsky, o pano de fundo histórico do Papiro Ipuwer é o da invasão dos Hicsos (Sethe). Considerações filológicas mostram que o texto tem todos os sinais de um produto literário do Império Médio (Gardiner). Quando se combinam os testemunhos históricos e filológicos, tudo aponta para o fim do Império Médio e o início da invasão dos hicsos. O estilo ainda é o do Império Médio, porque nos poucos meses depois do fim dessa era o estilo literário não podia ter mudado muito. Aliás, nos séculos de dominação dos hicsos, a atividade literária parou no Egipto. Além disso, Ipuwer fala de uma tragédia do seu próprio tempo e não de uma época passada. O texto terá sido redigido pouco tempo depois da queda do Império Médio, no início do período de dominação dos hicsos.
Não só a invasão dos Amu (Hicsos) constitui o pano de fundo histórico do Papiro Ipuwer, mas também a catástrofe natural e as pragas que são análogas ao do tempo do êxodo.

Ainda há outra importante inscrição egípcia da rainha Hatshepsute, que reinou duas ou três gerações depois da expulsão dos hicsos, a qual dá a entender que ela restaurou o que tinha sido deixado em ruinas pelos amu que reinavam no Delta e em Avaris. Os amu, que tinham tomado posse do país, não cuidaram de restaurar as ruinas e aumentaram mesmo a destruição.
Em todos os documentos referidos – o Papiro Ipuwer, a pedra de El-Arish, o Papiro do Hermitage e também a inscrição de Hatshepsute -, a catástrofe natural e a invasão dos amu são descritos como sequenciais. A catástrofe consistia numa série de convulsões e distúrbios e a invasão dos povos da Ásia aconteceu antes que os elementos naturais se acalmassem.

Qual a consequência de tudo isto para a cronologia?
Se está correto que a saída dos israelitas do Egípcio é contemporânea com a catástrofe natural e a invasão dos hicsos no Egipto e que todos os documentos mencionados falam de um mesmo evento (mesmo que de pontos de vista diferentes), e se a cronologia bíblica está correta, toda a cronologia da história do Egipto como ensinada tradicionalmente no meio académico (e cristão) está errada em cerca de 500 anos e devia ser revista.

Outra consequência é que toda a cronologia do antigo Médio Oriente deve ser revista, porque está baseada na cronologia do Egípto, que tem sido usada direta ou indiretamente para datar todas as outras civilizações na Europa e no Médio Oriente.
E aqui está o problema. O establishment académico rejeita todo movimento revisionista que possa surgir internamente. São outsiders que investigam as provas e que descobrem e expõem os erros, porém não são reconhecidos, sendo mesmo ridicularizados. Como foi o caso de Velikovsky.

Para podermos estar seguros no que acreditamos, é importante conhecermos a cronologia que a Bíblia fornece e que cremos estar correta.

1º PERÍODO INTERMÉDIO
7ª a 10ª dinastia                  
2181-2055
Cronologia tradicional
Cronologia revista segundo Velikovsky
IMPÉRIO MÉDIO
11ª dinastia
12ª dinastia
13ª dinastia
2055-1650
 
1706: a família de Jacó entra no Egipto
 
2º PERÍODO INTERMÉDIO
14ª a 17ª dinastia (hicsos)
1650-1550
 
1571: nascimento Moisés
Saída de Israel do Egipto no início do período dos hicsos.
O período dos hicsos corresponde à época de Juizes.
IMPÉRIO NOVO          
18ª dinastia (1570-1320)
§  Amósis (1570-1546)
§  Amenotepe  I (1546-1527)
§  Tutmés I (1527-1515)
§  Tutmés II (1515-1498)
§  Hatchepsute (1498-1483)
§  Tutmés III (1504-1450)
§  Amenotepe II (1450-1412)
§  Tutmés IV (1412-1402)
§  Amenotepe III (1402-1364)
§  Akhenaton (1350-1334)
§  Semencaré  (1334)
§  Tutankamon (1334-1325)
§  Ai (1325-1321)
19ª dinastia
§  Ramsés I (ca. 1320)
§  Seti I  (1318-1304)
§  Ramsés II (1304-1237)
§  Merneptá (1236-1223)
§  Amenmes
§  Seti II
§  Siptah (1208-1202)
§  Rainha Tausert (1202-1200)
20ª dinastia
1550-1069
 
 
 
 
 
1491: Êxodo
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Êxodo
 
 
 
 
 
 
Salomão (Hatschepsute = rainha de Sabá)