08/06/2015

DE JOSIAS AO EXÍLIO (5) – Zedequias

AH 3406 – início cativeiro de Joaquim e ano 0 de Zedequias

Joaquim reinou apenas 3 meses (em AH 3405) e 10 dias (em 3406) e rendeu-se a Nabucodonosor quando este veio cercar Jerusalém, no 8º ano do seu reino (2Rs 24:12). Leva cativo o rei Joaquim, os seus servos, príncipes, oficiais, os homens valentes, os artífices e ferreiros, os destros na guerra; e os mais preciosos utensílios do templo (2Rs 24:8-16; 2Cr 36:9-10).

Neste grupo incluía-se Ezequiel. Isto depreende-se do método de datação que Ezequiel usa, fazendo referência ao ano de cativeiro do rei Joaquim (Ez 1:1-2).

Alguns avançam a hipótese de que a deportação de 3.027 judeus no 7º ano de Nabucodonosor (Jr 52:28) se referee a este grupo. Mas o número de 3027 é muito baixo para os que foram levados para o exílio com Joaquim. Além disso, o 7º de Nabucodonosor corresponde à última metade do 10º ano  de Jeoaquim, e primeira metade do 11º. Joaquim reinou 3 meses na segunda metade do que é contado como o 11º de Jeoaquim (ver mensagem anterior sobre a sincronia Judá-Nabucodonosor).

ZEDEQUIAS.

O rei da Babilônia estabeleceu rei, em lugar de Joaquim, ao tio paterno deste, Matanias, de quem mudou o nome para Zedequias (2Rs 28:17).

Depois que Nabucodonosor levou em cativeiro a Jeconias (= Joaquim) na primavera do ano (2Cr 36:10), Jeremias tem uma visão, vê um cesto de figos bons e outro de figos ruins (Jeremias 24). Os bons figos representam os exilados de Judá, que Deus fará voltar a esta terra. Os figos ruins – representando os que não aceitam a dominação babilónica - serão consumados e destruídos.

Jeremias 29

Também depois que sairam de Jerusalém o rei Jeconias, Jeremias escreve uma carta ao povo deportado para Babilónia no mesmo sentido(Jr 29:1-20). Era necessário aceitar o exílio, edificar casas e habitar nelas; plantar pomares e comer o seu fruto; tomar esposas e gerar filhos e filhas; tomar esposas para seus filhos e dar suas filhas a maridos, para que tivessem filhos e filhas; multiplicar-se e não diminuir; procurar a paz da cidade porque na sua paz teriam paz. E, assim diz o SENHOR: Logo que se cumprirem para a Babilônia setenta anos, atentarei para vós outros e cumprirei para convosco a minha boa palavra, tornando a trazer-vos para este lugar.
              
No princípio do reinado de Zedequias, no 4º ano (Jer 28:1)

Jeremias 27 e 28

Deus fala através de Jeremias: «5. Eu fiz a terra … e a dou àquele a quem for justo. Agora eu entregarei todas estas terras ao poder de Nabucodonosor, rei da Babilónia, meu servo … Todas as nações o servirão a ele, a seu filho e ao filho de seu filho, até que também chegue a vez da sua própria terra … Mas a nação que meter o seu pescoço sob o jugo do rei de Babilónia, e o servir, eu a deixarei na sua terra, diz o Senhor, e lavrá-la-á e habitará nela … Metei o vosso pescoço no jugo do rei de Babilónia, servi-o, a ele a ao seu povo, e vivereis. Porque morrerias tu e o teu povo, á espada, à fome e de peste, como o Senhor disse com respeito à nação que não servir ao rei de Babilónia?»


AH 3415 - 9º ano de Zedequias – início do cerco

No dia 10 do 10º mês, do 9º ano de Zedequias, Nabucodonosor e seus exércitos vieram contra Jerusalém, acamparam-se contra ela e levantaram tranqueiras em redor (Jr 52:3-5; 2Rs 25:1), até ao 11º ano.

O início do cerco no 10º mês seria causa do jejum do 10º mês (Zac 8:19).


Durante o cerco (entre o 10º mês do 9º ano de Zedequias e o 4º mês do 11º ano de Zedequias)

Jeremias 34:1-8 (Jeremias ainda não estava preso)

Jeremias 37 - Os caldeus interromperam temporariamente o cerco a Jerusalém quando ouviram que Faraó saira do Egipto em socorro de Judá (Jr 37:1-10). Isto aconteceu no ano 10º de Zedequias.

Jeremias andava livremente entre o povo, e tentou sair da cidade, aproveitando a retirada do exército dos caldeus, para receber uma herança. Foi acusado de fugir para os caldeus e é preso  (Jr 37 e 38). Jeremias faz a escritura de compra de um campo em Anatote enquanto está preso (Jr 32).

Jeremias 34:8-22 - Zedequias fez aliança com o povo de Jerusalém para lhes apregoar a liberdade, despedir forro os seus servos. Todos entraram na aliança, despediram forro os servos, mas depois se arrependeram e os fizeram voltar. Os exércitos que tinham saído da cidade, voltariam e tomariam a cidade definitivamente, queimando-a.

Jeremias 33 - Jeremias está preso no pátio da guarda. Uma palavra de esperança sobre Jerusalém: o Renovo, a descendência de David.


AH 3417 - 11º ano de Zedequias

Jeremias 39, 52 - As tropas caldeus começaram a cercar Jerusalem no 9º ano de Zedequias, mas não a conseguiram tomar de assalto.  Por isso cercaram a cidade durante aproximadamente 18 meses até ao 11º ano de Zedequias.  Durante esse tempo, Jerusalém ficou isolada e privada de todo socorro e suprimentos de fora, e foi vencida pela fome.  No dia 9 do 4º mês (Av), os caldeus arrombaram a cidade e tomaram-na. Os homens de guerra fugiram de noite, mas foram perseguidos e apanhados. O rei foi preso, mataram os seus filhos à sua própria vista, depois vazaram-lhe os olhos e ficou encarcerado até ao dia da sua morte. (Jr 39:1-10; 52:5-11; 2Rs 25:2-7).

Este momento trágico passou a ser a razão do jejum do 4º mês (Zac 8:19), quando «se fez brecha na cidade».

Um mês depois, no 7º dia do 5º mês, no 19º ano de Nabucodonosor, Nebuzaradã, capitão da guarda, veio a Jerusalém e o exército dos caldeus deu o golpe final a Jerusalém (2Rs 25:8,9). No 10º dia, queimaram a casa do Senhor, a casa do rei, todas as casas e edifícios importantes de Jerusalém; derribaram os muros de Jerusalém (Jr 52: 12-27). 

Também este dia seria recordado com o jejum do 5º mês (Zac 8:19).

Grande parte da população foi deportada para vários distritos na Babilónia.    Ficaram apenas os mais pobres da terra. Também ficou Jeremias no meio do povo. Gedalias é feito governador; passa a habitar en Mispá. Mas uma facção anti-babilónica dirigida por Ismael, filho de Netanias, mata Gedalias no 7º mês, levando preso o povo (Jr 40-41).

Este acontecimento é mais um dia que passou a funcionar como um jejum comemorativo, o do 7º mês.          

O povo levado por Ismael foi libertado por Joanã, filho de Careá. Buscaram a vontade do Senhor sobre o que deviam fazer, mas contra a vontade d’Ele e contra o aviso de Jeremias, fugiram para o Egipto (Jr 42-44).

Aqui termina o período monárquico em Israel.

09/05/2015

DE JOSIAS AO EXÍLIO (4) - Joaquim

JOAQUIM: 8 ou 18 anos?
 

AH 3405 - 11º ano de Jeoaquim

Jeoaquim morre e o seu filho, Joaquim (Jeconias, Conias), reina em seu lugar.

Joaquim reinou apenas 3 meses e 10 dias. Possivelmente, 3 meses ainda no que é o 11º ano de Jeoaquim, e 10 dias no novo ano, quando é levado para Babilónia, na primavera do ano 3406 (2Cr 36:9-10), que é o tempo quando os reis costumam ir à guerra (2Sam 11:1). O ano 3406  é atribuído a Joaquim, sendo o ano 0 de Zedequias, seu tio paterno, colocado no trono de Judá por Nabucodonosor.

Relativamente à idade de Joaquim, temos um problema a resolver:

2Rs24:8 – Tinha Joaquim dezoito anos quando começou a reinar, e reinou 3 meses em Jerusalém.
2Cr 36:9 – Tinha Joaquim oito anos quando começou a reinar, e reinou 3 meses e 10 dias em Jerusalém.

Muitas traduções consideram “oito” em 2Cr 36:9 um erro de escriba, e substituem por “dezoito”, tal como está em 2Rs 24:8. Por isso, em geral, não damos por esta incongruência.

 Então, afinal, tinha Jeconias (Joaquim) 8 (2Cr 36:9-10) ou 18 (2Rs 24:15) anos quando subiu ao trono de Judá? Porquê esta diferença? Há uma explicação para esta aparente contradição?

 
Várias hipóteses têm sido  avançados ao longo dos anos:

1)      Joaquim tinha de facto 18 anos (literalmente, filho de dezoito anos) quando ascendeu ao trono (2Rs 24:8). Ser “filho de oito anos” (2Cr 36:9) pode referir-se ao facto de a sua dinastia ou reinado ter estado sob o domínio de Nabucodonosor desde o 3º ano do seu pai Jeoaquim, ou seja, 8 anos.

2)      Jeoaquim teria nomeado ou ungido o seu filho para o suceder muito jovem, numa tentativa de segurar o trono através da sua linhagem (de Jeoaquim), a fim de negar o trono ao seu irmão Zedequias.

3)      Josias terá ungido Joaquim, seu neto, para o suceder imediatamente antes do seu encontro com Faraó Neco.

Esta última solução é preferida por Floyd Nolen Jones, que dá a seguinte explicação (traduzido livremente):

Consciente de que os seus filhos eram maus, a esperança do piedoso Josias estaria depositada no seu neto Jeconias (Joaquim), que este  se tornaria uma pessoa melhor, embora ainda com 8 anos apenas. Mas visto que o próprio Josias sucedeu ao seu pai com apenas 8 anos, não teria reservas em colocar tão jovem criança no trono de Judá. Josias estava consciente de que não regressaria da batalha contra os egípcios, que vinham em números muito maiores do que o exército de Judá. E fora profetizado que ele morreria jovem e também antes das maldições que Deus enviaria sobre o reino de Judá (2Rs 22; 2Cr 34). Josias tinha então 39 anos de idade e sabia que a sua hora podia vir rapidamente.

O único caminho bíblico e legal para um neto poder herdar o trono enquanto o pai e tios ainda estavam vivos era através da adopção para o estatuto de filho (ver Gn 48, quando os filhos de José, Efraim e Manassés, são adoptados como filhos por Jacó, de modo a poderem ser herdeiros com igual estatuto que os outros filhos).

Nolen Jones é de opinião que Josias adoptou e nomeou Jeconias/Joaquim como o seu sucessor imediatamente antes do seu encontro fatal com Neco em Megido. Esta hipótese encontra apoio bíblico em Mt 1:11 - “Josias gerou a Jeconias e a seus irmãos no tempo do exílio em Babilónia”.

Este versículo ocorre na listagem de antepassados de Jesus Cristo. O v.11 afirma que Josias gerou Jeconias (Joaquim era o nome de trono), embora não fosse o seu filho propriamente dito. Embora num sentido bíblico mais amplo seja permitido falar de “gerar” quando se trata de descendentes para além da geração dos próprios filhos, neste caso “Josias gerou” terá acontecido no momento da adopção. Isto é claramente visto no resto da frase: “e seus irmãos”. A alusão é claramente aos dois filhos de Josias: Jeoaquim (pai de Jeconias) e Zedequias (tio de Jeconias e irmão de Jeoaquim). Só neste caso é possível dizer que os filhos de Josias são irmãos de Jeconias/Joaquim!

Se ainda permaneçam dúvidas, Nolen Jones pede para considerar:

“Na primavera do ano mandou o rei Nabucodonosor levá-lo [Joaquim] a Babilónia, com os mais preciosos utensílios da casa do Senhor; e estabeleceu a Zedequias, seu irmão, rei sobre Judá e Jerusalém” (2Cr 36:10).

Como pode Zedequias ser irmão de Joaquim? Apenas sendo plenamente adoptado como filho. Contudo, o povo da terra não acatou a decisão de Josias, colocando em vez dele Jeoacaz no trono. Este foi removido pelo rei do Egipto depois de reinar 3 meses, e Eliaquim/Jeoaquim foi colocado no trono e reinou 11 anos.

Jeconias/Joaquim foi ungido rei quando era criança (2Cr 36:9), mas na realidade só ocupou o trono quando tinha 18 anos de idade (2Rs 24:8-12) – um lapso de 11 anos. Foi também o caso de David, por exemplo.

Além disso, Crónicas aborda a situação da perspectiva dos sacerdotes/templo/Deus, enquanto o livro de Reis a apresenta do ponto de vista histórico/político/trono.

Deste modo está resolvida a “discrepância” ou o “erro de escriba” entre 2Rs 24:8 e 2Cr 36:9.


É uma explicação que me parece aceitável, e possivelmente correta.

Ainda poderia ser acrescentada outro aspecto a seu favor: é Joaquim que é considerado na genealogia de Jesus, e não Zedequias. Joaquim é, portanto, o último rei legítimo no trono de Judá.

Por outro lado, em meu ver, esta explicação não impede que também a primeira hipótese seja válida – Joaquim como “filho de oito anos” (2Cr 36:9) referindo-se ao facto de a sua dinastia ou reinado ter estado sob o domínio de Nabucodonosor desde o 3º ano do seu pai Jeoaquim, ou seja, 8 anos. O Senhor escolheu Nabucodonosor, um rei gentio, e o estabeleceu como “rei dos reis”, a quem todas as nações se deviam submeter, incluindo Israel. Houve aqui uma mudança importante no governo do mundo. “É ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis” (Dn 2:21). É o começo de uma nova era: o tempo dos gentios.

03/05/2015

DE JOSIAS AO EXÍLIO (3) - Jeoaquim

JEOAQUIM

Eliaquim, filho de Josias,  é feito rei por Faraó Neco aos 25 anos, em substituição de Jeoacaz que foi levado para o Egipto, e muda o seu nome em Jeoaquim.

A partir de agora, o fim do reino de Judá aproxima-se a passos largos, e os acontecimentos precipitam-se. As profecias de Jeremias deixam claro que o fim de Jerusalém está perto e que não há como escapar ao domínio da Babilónia e ao exílio, aliás, é aí que residirá a sua salvação. Mas as suas palavras não encontram ouvidos, nem no rei, nem no povo.

AH 3395 - princípio do reinado de Jeoaquim

O livro do profeta HABACUQUE parece datar dos primeiros anos do reinado de Jeoaquim. Habacuque diz “eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa” (1:6). Portanto, os caldeus ainda não tinham vindo. Os caldeus viriam contra Jerusalém no 3º ano de Jeoaquim (Dn 1:1).

No princípio do reinado de Jeoaquim, Jeremias é enviado pôr-se no átrio da casa do Senhor (Jr 26). As profecias que falou por essa ocasião correspondem aos capítulos 7 a 9 (10?): a mensagem junto ao portão do templo. A sua mensagem é de aviso: farei que esta casa seja como Siló (Jr 26:6,9; comparar com 7:12, 14). Do modo como o tabernáculo, que estava em Siló, fora destruído, também o templo seria destruído.

Por causa destas palavras, os sacerdotes, os profetas e todo o povo lançaram mão de Jeremias (Jr 26:7-24), e o acusaram, pedindo a sua morte. Jeremias foi trazido perante um tribunal de príncipes, que ouviram a sua defesa. Os príncipes não o consideram réu de morte e o povo mudou de opinião. Também alguns anciãos defenderam Jeremias. Efetivamente, Jeremias foi protegido pela influência de Aicão (2Rs 22:12 2Cr 34:20), filho de Safã, para que não fosse entregue nas mãos do povo,  para ser morto. Aicão tinha sido um homem de confiança de Josias (2Rs 22:12; 2Cr 34:20).

Outro profeta, Urias, não teve a mesma sorte (Jr 26:20-23). Profetizou a mesma mensagem que Jeremias, mas o rei Jeoaquim procurou matá-lo. Urias fugiu para o Egipto, mas foi perseguido e trouxeram-no de volta para o matar.

AH 3397 – 3º ano de Jeoaquim

No 3º ano de Jeoaquim, Nabucodonosor, da Babilónia, subiu contra Jerusalém e a sitou.  O rei Jeoaquim foi-lhe entregue nas mãos (Dn 1:1-2). Por essa ocasião, Nabucodonosor levou também alguns dos utensílios da casa de Deus para a terra de Sinear, os quais pôs no seu templo.

De acordo com Daniel 1:1-4, por ocasião desta primeira incursão de Nabucodonosor contra Jerusalém, um grupo de jovens foi deportado para Babilónia, constituído de jovens da linhagem real e dos nobres. Entre estes encontrava-se o próprio Daniel e seus amigos, para receberem instrução no palácio do rei da Babilónia.

Judá era agora vassalo de Nabucodonosor. Jeoaquim serviu-o por 3 anos e depois rebelou-se (2Rs 24:1).

Na Babilónia, Daniel e seus amigos foram indicados para receberem instrução no palácio do rei (Dn 1:1-4). Ao fim de 3 anos seriam avaliados e passariam a assistir diante do rei (Dn 1:6).

AH 3398 – 4º ano de Jeoaquim

No 4º ano de Jeoaquim (na primavera ?), Faraó Neco (Jer 46:2) foi, desta vez, derrotado na batalha de Carquemis, junto ao rio Eufrates, por Nabucodonosor. 

 Jr 46 – profecia contra o Egipto (depois da batalha de Carquemis). “A filha do Egito está envergonhada; foi entregue nas mãos do povo do Norte” (Jr 46:24). “O rei do Egito nunca mais saiu da sua terra; porque o rei de Babilónia tomou tudo quanto era dele, desde o Ribeiro do Egito até ao rio Eufrates” (2Rs 24:7).

A batalha de Carquemis é datada 605 a.C. , tendo ocorrida no 21º e último ano de Nabopolassar, rei da Babilónia. Segundo as Crónicas Babilónicas Nabopolassar morreu em 8 de Av (5º mês) e Nabucodonosor voltou para a Babilónia para ocupar o trono como rei da Babilónia em 1 Elul (6º mês).

Segundo Jr 25:1, o 1º ano de Nabucodonosor como rei da Babilónia corresponde ao 4º ano de Jeoaquim.

Nota:

Alguns alegam que há um paradoxo entre Dn 1:1 e Jr 25:1 e, para resolver o paradoxo, dizem que Nabucodonosor veio contra Jerusalém, não no 3º (como está escrito em Dn 1:1), mas no 4º ano de Jeoaquim, depois da derrota do Egipto contra Babilónia em Carquemis, e que Daniel foi levado para Babilónia no 4º ano de Jeoaquim, porque o 4º ano de Jeoaquim é o 1º de Nabucodonosor.

Para justificar isto, argumentam que o 3º ano de Jeoaquim em Dn 1:1 é na realidade o 4º ano de Jeoaquim, porque Daniel teria utilizado a maneira babilónica de acesso ao trono e não a hebraica…

No entanto, esta teoria não tem qualquer apoio bíblico. Dn 1:1 afirma claramente que Nabucodonosor veio contra Jerusalém no 3º ano de Jeoaquim; mas não afirma que foi no 1º de Nabucodonosor. Dn 1:1 é uma simples afirmação de identificação, isto é: o Nabucodonosor que veio e cercou Jerusalém no 3º ano de Jeoaquim é o mesmo que ascendeu ao trono e se tornou rei no ano seguinte (Jr 25:1). E Jr 46:2 diz que Faraó Neco foi ferido em Carquemis no 4º ano de Jeoaquim.

Portanto, Daniel foi levado para Babilónia antes da batalha de Carquemis.

Isto também tem apoio nos 3 anos que Daniel estudou na Babilónia antes de ser avaliado, e a explicação do sonho de Nabucodonosor no 2º ano deste rei (Dn 2:1), como se vê no seguinte esquema:


AH
a.C.
Jeoaquim
Daniel
Nabucodonosor
3397
606
3º ano
1º ano como estudante na Babilónia
Vem contra Judá como príncipe e general do exército
3398
605
4º ano
2º ano
1º ano de Nabucodonosor como rei
3399
604
5º ano
3º ano.
Avaliação.
Explicação do sonho
2ºano
O sonho da estátua
(Dn 2)


Entretanto, em Jerusalém (Jr 25 ):

Jeremias falou durante 23 anos, desde o 13º ano de Josias, mas não foi escutado, agora viria o juizo. Ele avisa o povo de que Deus designou Nabucodonosor como rei dos reis, e que todas as nações (elencadas nos vs. 18-26), incluindo Israel, o deviam servir. “ …Eis que mandarei buscar todas as tribos do Norte, diz o SENHOR, como também a Nabucodonosor, rei da Babilónia, meu servo, e os trarei contra esta terra, contra os seus moradores e contra todas estas nações em redor, e os destruirei totalmente, e os porei por objeto de espanto, e de assobio, e de ruínas perpétuas…Toda esta terra virá a ser um deserto e um espanto; estas nações servirão ao rei da Babilônia setenta anos. Acontecerá, porém, que, quando se cumprirem os setenta anos, castigarei a iniqüidade do rei da Babilônia e a desta nação, diz o SENHOR, como também a da terra dos caldeus; farei deles ruínas perpétuas. …

Em Jr 46-49 estão as cartas que Jeremias, naquela altura, enviou a todas estas nações.

Ainda no 4º ano de Jeoaquim, Deus ordena a Jeremias de escrever num livro todas as palavras que lhe tinha falado desde o princípio nos dias de Josias (Jer 36:1-4). Para o fazer, Jeremias chamou Baruque, o escriba, filho de Nerias, que escreveu tudo o que Jeremias lhe ditou. Parece que Baruque se lamentou e ficou triste por causa de todos os juizes que viriam, ao que Jeremias lhe respondeu que Deus lhe pouparia a vida (Jr 45:1-5).

AH 3399 – 5º ano de Jeoaquim – 9º mês­­­ (Chislev, novembro/dezembro)

Jr 36:5-10 - Jeremias envia Baruque ler as palavras que escreveu, na casa do Senhor, no dia do jejum apregoado no 9º mês. Não é explicado o porquê deste jejum. Por causa da seca (Jr 14)? Por causa do medo de Nabucodonosor?

Segundo Ussher, este jejum seria em lembrança da calamidade que aconteceu no 3º ano de Jeoaquim.

Jeremias enviou Baruque porque, nessa altura, Jeremias estava impedido de entrar no templo, provavelmente em consequência do que acontecera uns anos antes (Jr 26). Ele não estava efetivamente “encarcerado” (Jr 36:5), porque não há menção de ter sido preso.

Jr 36:5-26 - Um certo Micaías ouviu as palavras e relatou-as a vários príncipes, que ficaram atemorizados. Disseram a Baruque que ele e Jeremias deviam esconder-se (se estivesse preso, não haveria onde esconder-se). Depois levaram o rolo ao rei Jeoaquim e leram-no diante dele. O rei corta o livro com um canivete a lança-o no fogo, apesar de alguns dos príncipes insistirem com ele para não o fazer. O rei deu ordem para prender Baruque e Jeremias, mas o Senhor os havia escondido.

Jr 36:27-32 - Deus diz a Jeremias para escrever tudo de novo e acrescentar-lhe mais.

Acerca de Jeoaquim disse: v.30 «Não terá quem se assente no trono de Davi, e o seu cadáver será largado ao calor do dia e à geada da noite. Castigá-lo-ei e a sua descendência e os seus servos por causa da iniquidade deles; sobre ele, sobre os moradores de Jerusalém e sobre os homens de Judá farei cair todo o mal que tenho falado contra eles, e não ouviram.» (ver também Jr 22:13-19).

Entretanto, na Babilónia, no 2º ano do reinado de Nabucodonosor, o mesmo tem um sonho, o sonho da grande estátua (Dn 2). Este episódio só pode ter ocorrido depois de Daniel e seus amigos terem terminado o seu período de estudos de 3 anos e passado o “exame final” (Dn 1:18-20).

A interpretação do sonho confirma as profecias de Jeremias. Nabucodonosor é “rei de reis, a quem o Deus do céu conferiu o reino, o poder, a força e a glória; em cujas mãos foram entregues os filhos dos homens, onde quer que eles habitem e os animais do campo e as aves dos céus, para que dominasses sobre todos eles” (Dn 2:37-38). Daniel é posto por governador de toda a província da Babilónia. Assim, o mundo estava debaixo da influência de um homem de Deus, Daniel. Agora, ficou claro que rebelar-se contra Nabucodonosor seria rebelar-se contra Daniel e Deus.

AH 3400-3401

Depois de Nabucodonosor ter investido contra Jerusalém no 3º ano de Jeoaquim, este ficou servo de Nabucodonosor por 3 anos, mas depois rebelou-se. Em consequência desta atitude, o Senhor enviou contra Jeoaquim bandos de caldeus, e bandos de siros, e de moabitas e dos filhos de Amom; enviou-os contra Judá para o destruir (2Rs 24:1-4).

Por causa dos exércitos dos caldeus e dos siros, os recabitas foram refugiar-se em Jerusalém (Jr 35:11).

Jr 35 – Jeremias usa o exemplo dos recabitas que continuavam fiel ao código rigoroso estabelecido pelo seu antepassado, ao contrário do povo de Judá que não obedece ao seu Deus.

AH 3404 10º ano de Jeoaquim / 7º ano de Nabucodonosor

Jeremias 52:28 menciona que no 7º ano de Nabucodonosor foram levados para o exílio 3023 judeus.

01/05/2015

DE JOSIAS AO EXÍLIO (2) - Jeoacaz

Sequência dos últimos reis em Judá depois da morte de Josias

1Cr 3:15-16 – “Os filhos de Josias foram: o primogénito, Joanã; o segundo, Jeoaquim; o terceiro Zedequias; o quarto, Salum. Os filhos de Jeoaquim: Jeconias e Zedequias.”

Zedequias era, de facto, o mais novo. Tinha cerca de 9 anos quando Josias morreu. E seria o último a reinar em Judá, depois que Joaquim/Jeconias foi levado para o exílio.
 
 
 
JOSIAS
 
 
 
 
Joanã
 
Eliaquim / JEOAQUIM
(2º)
Idade: 25 anos
Reina 11 anos
Salum / JEOACAZ
(1º)
Idade: 23 anos
Reina 3 meses
Matanias / ZEDEQUIAS
(4º)
Idade: 21 anos
Reina 11 anos
 
JECONIAS / JOAQUIM
(3º)
Idade: 18 anos
Reina 3 meses e 10 dias
 
(
1º),(2º),(3º),(4º) indica a ordem em que reinaram.

JEOACAZ
 
Com a morte de Josias, o povo da terra tomou a JEOACAZ (ou Salum) e o ungiu rei em lugar de seu pai. Porquê Salum? Salum não era o primogénito e natural herdeiro do trono. Não se sabe o que aconteceu ao primogénito, Joanã, provavelmente já tinha morrido. Jeoacaz/Salum era também cerca de 2 anos mais novo que Jeoaquim, visto que tinha 23 anos quando começou a reinar e reinou apenas 3 meses; e Jeoaquim, que subiria ao trono logo a seguir, tinha 25 anos quando começou a reinar.
 
Talvez “o povo da terra” tivesse escolhido Salum por causa do caráter de Jeoaquim, descrito em Jr 22:13-19?
 
Jr 22:1-12 – Jeremias desce à casa do rei de Judá. Jeoacaz/Salum?
 
Apenas um comentário acerca de Salum/Jeoacaz em Jeremias:
 
Jr 22:10-12 – Não choreis o morto [refere-se a Josias], nem o lastimeis; chorai amargamente aquele que sai [que é Salum, que sairia, deportado para o Egipto]; porque nunca mais tornará, nem verá a terra onde nasceu. Porque assim diz o senhor acerca de Salum, filho de Josias, rei de Judá, que reinou em lugar de Josias seu pai, e que saiu deste lugar. Jamais tornará para ali. Mas no lugar para onde o levaram cativo morrerá, e nunca mais verá esta terra.
 
Quando Faraó Neco voltou da sua expedição a Carquemis, onde foi vitorioso, mandou prender Jeoacaz em Ribla, na terra de Hamate, para não reinar em Jerusalém. Jeoacaz morreria no Egipto (2Rs 23:34).
 
Neco impôs um imposto à terra (2Rs 23:31-33; 2Cr 36:1-3). E em lugar de Jeoacaz, colocou no trono o irmão dele, Eliaquim, cujo nome mudou em Jeoaquim.
 
Judá deixara de ser uma nação independente, para novamente ser um vassalo do Egipto.


19/04/2015

DE JOSIAS AO EXÍLIO (1)- Josias

No último período da monarquia de Judá, sucedem, a Josias (que reinou 31 anos), 4 reis: Jeoacaz (reinou 3 meses), Jeoaquim (reinou 11 anos), Joaquim (reinou 3 meses e 10 dias) e Zedequias (reinou 11 anos). No 11º ano de Zedequias, Jerusalém cai definitivamente nas mãos de Nabucodonosor da Babilónia.

Começando no 13º ano de Josias, este é o período em que Jeremias profetiza em Judá e Jerusalém. O livro de Jeremias não é organizado de modo cronológico, mas vamos tentar colocar os vários capítulos no seu lugar na história.

Naquele tempo, falam também os profetas Naum, Sofonias e Habacuque.

Com as primeiras deportações para Babilónia, assistimos também ao começo das profecias de Ezequiel e da história de Daniel.
 

JOSIAS

AH 3364
Josias tinha apenas 8 anos quando começou a reinar e reinou 31 anos (2Rs 22:1).
Ainda criança, o governo deve ter sido assumido interinamente pelo “povo da terra” (2Cr 33:25), até Josias ter idade suficiente para reinar. O “povo da terra” seria uma classe de pessoas influentes, da aristocracia, do poder militar, ....

Quando Josias tinha 13/14 anos, tinha já duas mulheres: Zebida, mão de Jeoaquim (2Rs 23:36), e Hamutai, mãe de Jeoacaz (2Rs 23:31). Jeoaquim nasceu em 3369, Jeoacaz, em 3371, aproximadamente.

Numa idade tão jovem, Josias estava envolvido num casamento polígamo, proibido pela lei (Gn 2:24; Lv 18:18;Dt 17:17). Mas estes casamentos foram arranjados antes de ele começar a buscar a Deus e encontrar o livro da lei.

AH 3371
No 8º ano do seu reinado, Josias (16 anos, ainda moço) começa a buscar a Deus (2Cr 34:3).
Também nesse ano, nasceu Salum (= Jeoacaz).

 AH 3375
No seu 12º ano, agora em idade para exercer poder (e ser contado entre “os capazes de sair à guerra em Israel” - Num 1:3), Josias começa a purificar a Judá e a Jerusalém da presença de imagens e altares de ídolos (2Cr 34:3-5). O mesmo fez nas cidades de Manassés, de Efraim e Simeão, até Naftali, portanto, no território do reino de Israel cujas tribos já tinham sido expulsas, e onde outros povos foram introduzidos pelo rei da Assíria (2Cr 34:6-7). Entre os altares derribados, estava o de Betel, edificado por Jeroboão no princípio do tempo de monarquia dividida, e acerca do qual um profeta anunciara a sua destruição (1Rs 12:28;13; 2Rs 23:15-16).

AH 3376
13º ano de Josias: Jeremias é chamado pelo Senhor e começa a profetizar (Jr 1:2; 25:3).

É possível que a primeira grande mensagem de Jeremias (Jr 2 a 3:5) pertença a esta época. Não se descortina nela o menor vislumbre de perdão.

AH 3381
Tendo derribado os altares, os postes-ídolose e as imagens de escultura, até reduzi-los a pó, e tendo despedaçado todos os altares do incenso em toda a terra de Israel, então voltou para Jerusalém (2Cr 34:7; 2Rs 23:20). O texto (2Cr 34:3-8) dá a entender que a purificação da terra e da casa estava completada no 18º ano de Josias. Naquele ano, Josias ordenou que o templo fosse reparado.
Josias mandou Safã, o escrivão, a Hilquias, o sumo-sacerdote, para contar o dinheiro e entregá-lo aos que tinham a seu cargo a obra da casa (2Rs 22:3-7; 2Cr 34:8-13). Este dinheiro provinha das mãos de Manassés, de Efraim, e de todo o resto de Israel, como também de todo o Judá e Benjamim, e dos habitantes de Jerusalém (2Cr 34:9). Aparentemente, o dinheiro fora recolhido durante os anos em que Josias procedera ao derrube dos altares dos deuses estranhos, do 12º ao 17º ano do seu reinado.
Por essa ocasião, Hilquias encontrou o livro da Lei, que Safã leu perante o rei. O rei mandou-os consultar a profetiza Hulda (2Rs22:8-20; 2Cr 34:14-28) e ficou grandemente preocupado quando percebeu que era grande o furor do Senhor sobre eles porque não guardaram a aliança. O resultado foi que Josias lesse a lei perante todo o povo e fizessem aliança para seguir o Senhor e guardar os seus mandamentos. Todos anuíram a esta aliança, e de seguida celebraram a Páscoa (2Rs23:21-23; 2Cr 35).

2Cr 34:3-8 dá a entender que a purificação da terra e da casa terminou no início do 18º ano. Segundo 2Rs 23:4-20, parece que a purificação do templo teve lugar no 18º ano, antes da Páscoa.  Contradição? Ou trata-se simplesmente de informação complementar. As reformas que iniciaram no 12º ano continuaram no 18º ano, e ainda foram reforçadas, depois de Josias ter tomado conhecimento da lei?

Durante o seu reinado, Josias fez várias reformas para cumprir as palavras da lei (2Rs 23:24), e obrigou o povo a servir o Senhor (2Cr 34:33). Não houve rei semelhante a ele que se convertesse ao Senhor de todo o coração. Nada obstante, o Senhor não desistiu do furor da sua grande ira com que ardia contra Judá, por todas as provocações com que Manassés o tinha irritado. Judá seria removido tal como Israel o foi (2Rs 23:25-28), conforme também as palavras que foram ditas pela profetiza Hulda, mas o mal não viria no tempo de Josias (2Rs22:18-20; 2Cr 34:27-28).

A segunda mensagem de Jeremias, nos dias de Josias (Jr 3:6 a 6:30) oferecia uma garantia de perdão desde que o arrependimento fosse genuíno e sincero. Mas Judá não se voltou de todo o coração para o Senhor, mas fingidamente (Jr3:10). A reforma de Josias não foi muito profunda. O arrependimento não passou de superficial. Depois da morte de Josias, o povo voltaria rapidamente aos velhos hábitos.

A mensagem em Jr 11 e 12 - “ouvi as palavras desta aliança” – parece estar relacionada com a descoberta do livro da lei, o livro que fala da aliança entre Deus e o seu povo. “Maldito o homem que não atentar para as palavras desta aliança (11:4). Ouvi as palavras desta aliança e cumpri-as (11:6)”, foi a mensagem que o Senhor mandou Jeremias apregoar nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém.  
Os homens de Anatote, terra natal de Jeremias, não gostaram da mensagem e procuraram a morte do profeta (11:18-21). Anatote era uma cidade sorteada no tempo de Josué para habitação dos levitas na região de Benjamim (Jos 21:18). Mas um estigma pairava sobre Anatote porque Abiatar, último sacerdote da linhagem de Itamar (ver mensagem Eli e descendentes), foi expulso do sacerdócio por Salomão, porque ele tinha sido infiel a David. “Vai para Anatote, para teus campos, porque és homem digno de morte”, cumprindo-se a profecia feita ao sacerdote Eli, em Silo (1Rs 2:26-27).

Jr 14-15 poderá também datar do tempo de Josias. Comparar Jr 15:4 e 2Rs 23:26-27

Naquele tempo, o poder da Assíra estava a encolher na sequência de rebeliões em todo o império e do poder crescente da Babilónia.

Nesse tempo, ainda no reino de Josias, falou o profeta SOFONIAS, antes da destruição de Nínive (AH 3392 / 612 a.C.) e do fim do império da Assíria (Sof 2:13).

AH 3394
2Rs 23:29 – Nos dias de Josias subiu Faraó Neco, rei do Egipto, contra o rei da Assíria, ao rio Eufrates; e, tendo saído contra ele o rei Josias, Neco o matou, em Megido, no primeiro encontro.

O Império Assírio tinha sucumbido às forças aliadas de Babilónios e Medos. Ninive já caíra (612 a.c.), seguido de Haran (610 a.C.). Como líder das forças aliadas, Nabopolassar, rei da Babilónia, tomou para si os títulos dos reis que conquistou. Ele é o “rei da Assíria” contra quem Neco marchava com um exército para o rio Eufrates para o confrontar, em Carquemis.

Foi quando o exército egípcio atravessou Judá a caminho do Eufrates, que Josias saiu de encontro a Neco. “Então Neco lhe mandou mensageiros, dizendo: Que tenho eu contigo, rei de Judá? Não vou contra ti hoje, mas contra a casa que me faz guerra; e disse Deus que me apressasse; cuida de não te opores a Deus, que é comigo, para que ele não te destrua. Porém Josias não tornou atrás, antes se disfarçou, para pelejar contra ele, e, não dando ouvidos às palavras que Neco lhe falara da parte de Deus, saiu a pelejar no vale de Megido. Os flecheiros atiraram contra o rei Josias … e ele morreu (2Cr 35:20-24).
 
Jeremias compôs uma lamentação sobre Josias (2Cr 35:25). Esta lamentação não chegou a nós. Mas “o pranto de Hadadrimom (um lugar) no vale de Megido”, mencionado em Zacarias 12:11, refere-se, segundo os comentários, a uma lamentação sobre Josias. A lamentação era tão grande que acabara por tornar-se proverbial para expressar um pranto extraordinariamente grande (Jamieson, Fausset & Brown).

11/03/2015

ACAZIAS- JOÁS

Na figura de Acazias, filho de Jeorão e neto de Josafá, encontramos nova incongruência:

2Rs 8:26 – Era Acazias de 22 anos de idade quando começou a reinar, e reinou 1 ano em Jerusalém; e era o nome de sua mãe Atalia, filha de Onri, rei de Israel

2Cr 22.2 – Era [Acazias] da idade de 42 anos quando começou a reinar e reinou 1 ano em Jerusalém.

(atenção que nem todas as versões dizem 42 anos em 2Cr22:2, optando por usar 22 anos em ambos os versículos)

Acazias tinha 22, e não 42 anos quando começou a reinar. Jeorão, pai dele, tinha 32 quando começou a reinar; reinou 8 anos; tinha portanto 40 quando morreu. Dificilmente teria um filho mais velho que ele.

Mas, então, qual a razão do número 42 dado em 2Cr 22:2?

Alguns tomam isto por um erro de escriba.

Na realidade, o texto hebraico não dá os anos em números, mas “vinte e dois” e “quarenta e dois” estão escritos por extenso, sendo as palavras bastante diferentes:
Quarenta e dois:  arba’iym shenayim
Vinte de dois: shenayim esriym

A solução é semelhante ao caso de Asa-Baasa que analisámos numa mensagem anterior.

Acazias, rei de Judá, não era apenas filho da dinastia de David, mas também da dinastia de Onri. A sua mãe era Atalia, filha de Onri, rei de Israel. Na verdade, filha de Acabe e Jezabel. Josafá aparentara-se com Acabe através do casamento do seu filho Jeorão (2Cr 18:1; 21:6).Os 42 anos de Acazias levam-nos ao início do reinado de Onri.

2Cr 22:3-4 – Sua mãe [de Acazias], filha de Onri, chamava-se Atalia. Ele também andou no caminho da casa de Acabe; porque sua mãe era quem o aconselhava a proceder iniquamente.

É curioso que o nome de Acazias não consta da genealogia oficial de Jesus Cristo em Mateus 1:8, onde está escrito: Asa gerou a Josafá; Josafá, a Jorão; Jorão, a Uzias. Em Mateus, não aparece Acazias, muito menos Atalia, nem Joás, nem Amazias, filho de Joás, devido ao seu parentesco com Acabe e Jezabel, e a filha deles, Atalia. Acazias e seus descendentes não eram apenas da casa de David, mas também da de Onri.

No caso de Joás, lemos em 2Cr 24:17-18 que – Depois da morte de Joiada [o sacerdote] … deixaram a casa do Senhor, Deus de seus pais, e serviram aos postes-ídolos; e, por esta culpa, veio grande ira sobre Judá e Jerusalém.

E no caso de Amazias: 2Cr 25:14-15 – vindo Amazias da matança dos edomitas, trouxe consigo os deuses dos filhos de Seir, tomou-os por seus deuses, adorou-os e lhes queimou incenso.

Nolen Jones (p.140) faz a ligação com Ex 20:5, onde está escrito que Deus visita a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que o aborrecem. Três gerações foram omissas no registo, “limpando” assim a linhagem messiânica de modo que pode ser dito que o Messias é filho de David, e de mais ninguém.

Além disso, Nolen Jones observou que os nomes dos sumos-sacerdotes que oficiaram nesse tempo também não se encontram no registo sacerdotal oficial (1Cr 6:1-15), apesar de até terem sido bons sacerdotes (2Cr 24:16), embora no caso de Joiada possam apontar-se vários erros na sua atuação. Zacarias, filho de Joiada, foi morto por Joás (2Cr 24:20-22). Estes nomes faltam no v.11 entre Amarias, sacerdote no tempo de Josafá (2Cr 19:11) e Aitube.